quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O TEATRO ONDE SE ENCENA A REINVENÇÃO DA DIREITA


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Em artigo exclusivo para o 247, o jornalista Breno Altman argumenta que os ministros do Supremo Tribunal Federal ignoraram a prova dos autos e dobraram-se à ditadura midiática; enquanto alguns ministros transbordavam de revanchismo, outros se acovardavam; ele lembra que, na compra de votos para a reeleição de FHC, havia um deputado, réu confesso, que admitia ter recebido R$ 200 mil, mas o caso jamais foi julgado.


247 – A Ação Penal 470 foi um julgamento político e de exceção? O jornalista Breno Altman, diretor do site Opera Mundi e da revista Samuel, argumenta que sim. Em artigo exclusivo para o 247, ele argumenta que o Supremo Tribunal Federal se prestou a ser o teatro onde se encena a reinvenção da direita no Brasil. Leia:
O STF escreve página de vergonha e arbítrio
Breno Altman
Poucas vezes, no registro das decisões judiciais, assistiu-se a cenas tão nefastas como as do julgamento da ação penal 470, o chamado “mensalão”. A maioria dos ministros da corte suprema, ao contrário do que se passou em outros momentos de nossa história, dessa vez embarcou na violação constitucional sem estar sob a mira das armas. Simplesmente dobrou-se à ditadura da mídia.
A bem da verdade, alguns dos magistrados foram coerentes com sua trajetória. Atiraram-se avidamente à chance de criminalizar dirigentes de esquerda e prestar bons serviços aos setores que representam.
O voto de Gilmar Mendes, por exemplo, transbordava de revanchismo contra o Partido dos Trabalhadores. O ministro Marco Aurélio de Mello, o mesmo que já havia dito, em entrevista, que considerava o golpe de 1964 como um “mal necessário”, seguiu pelo mesmo caminho. Mandaram às favas a análise concreta das provas e testemunhos. Apegaram-se às declarações de Roberto Jefferson para fabricar discurso de rancor ideológico, ainda que disfarçado por filigranas jurídicas.
Outros juizes, porém, simplesmente abaixaram a cabeça, acovardados. Balbuciavam convicções sem fatos ou argumentos dignos. A ministra Carmen Lúcia não listou uma única evidência firme contra José Dirceu ou Genoíno, contentando-se com ilações que invertem o ônus da prova. Foi pelo mesmo caminho de Rosa Weber, sempre pontificando sobre a “elasticidade das provas” em julgamentos desse naipe.
O papel nobre e honroso de resistência à chacina judicial coube ao ministro Lewandovski, o único a se ater com rigor aos autos, esmiuçando tanto os elementos acusatórios quanto as contraposições da defesa. Teve a companhia claudicante de Dias Toffoli, sempre apresentado pela velha midia como “ex-advogado do PT”, sem que o mesmo tratamento fosse conferido a Mendes, notório aúlico tucano.
Assistimos a um julgamento político e de exceção. Um aleijão que fere os princípios constitucionais e contamina as instituições democráticas. O processo está sendo presidido por teorias que possam levar ao objetivo pré-concebido, em marcha batida na qual são atropeladas seculares garantias civis.
A existência da compra de votos dos parlamentares é reconhecida sem que haja qualquer prova factual ou testemunhal. A transferência de recursos financeiros entre partidos passa automaticamente a ser considerada corrupção passiva, mesmo que não haja ato de ofício ou compromisso ilícito, renegando a jurisprudência da corte e abrindo as portas para toda sorte de subjetivismo.
Quadros de partido e governo são condenados porque a função que exercem traz em seu bojo a responsabilidade penal por supostos atos de seus subordinados ou até por aqueles sobre os quais teriam ascendência não-funcional. Em nome dessa doutrina, denominada “domínio do fato”, a presunção de inocência é fuzilada. Cabe ao réu comprovar que não teria como desconhecer o fato eventualmente delituoso.
Essa coleção de barbaridades e ofensas à Constituição ontem levou à condenação, por corrupção ativa, de José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares. Dos três, apenas o ex-tesoureiro petista esteva vinculado a situações materiais, mas sem que houvesse qualquer elemento comprobatório de ação corruptora. Arrecadou e transferiu irregularmente fundos para os partidos, e desse procedimento é réu confesso, mas não houve registro fático que ele algo tivesse comprado que tivesse sido posto à venda pelos parlamentares denunciados.
Quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso conseguiu a emenda da reeleição, o deputado Ronivon Santiago, então no PFL do Acre, confessou ter recebido 200 mil reais para dar seu voto a favor dessa medida. Aqui temos valor, fato e prova mediante confissão – aliás, de um crime que o STF jamais se dispos a julgar. Nada disso, no entanto, apareceu na ação penal 470. Apenas ilações e conjecturas a partir de mecanismos anormais de financiamento partidário ou eleitoral.
Mas o caso de Dirceu e Genoíno é ainda pior. Não aparecem na cena de qualquer crime, delito ou contravenção. A suposta prova contra o ex-guerrilheiro do Araguaia é um contrato de empréstimo contabilizado e quitado, cujas verbas não constam das transações interpartidárias, como bem demonstrou o ministro Lewandovski. Foi condenado porque a ele se aplicou a lógica de exceção: se era presidente do PT, não tinha como ser inocente das denúncias formuladas.
A condenação do ex-chefe da Casa Civil, por sua vez, apresenta-se como a maior das brutalidades legais cometidas. Salvo acusações do condenado Roberto Jefferson, não há contra si qualquer testemunho ou evidência. Ao contrário: dezenas de depoimentos juramentados corroboram sua inocência, formando verdadeira contra-prova. Mas a maioria dos ministros sequer se deu ao trabalho de citá-los ou analisá-los.
Ambos, Dirceu e Genoíno, tiveram seus direitos degolados para que os interesses mobilizadores do processo se consumassem. Há sete anos as forças conservadoras e seu partido midiático fizeram do chamado “mensalão” o centro da estratégia para enfrentar a liderança crescente do PT e do presidente Lula, de vitalidade reconfirmada em seguidas eleições, incluindo a do último domingo. Condenar os dois dirigentes era marco imprescindível dessa escalada.
O STF, acossado pela midia corporativa, além de aviltado pelo reacionarismo e a covardia, prestou-se a um triste papel, escrevendo página de vergonha e arbítrio em sua história. De instituição responsável pela salvaguarda constitucional, abriu-se para ser o teatro onde se encena a reinvenção da direita. Quem viver, verá.
Breno Altman é diretor editorial do sítio Opera Mundi e da revista Samuel.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Ganha mais não leva.


Estão sub judice a candidatura de quase 640 candidatos a prefeito, os quais correm o risco de ganhar e não levar.

Esses candidatos estão disputando as elições em 602 cidades correm o risco de não assumir o cargo, na contingência de sagrarem-se vitoriosos no pleito.

O fenômeno analisado se dá em virtude desses políticos estarem com as candidaturas indeferidas ou cassadas, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não ter julgado os recursos. Até o momento, essa Corte já se pronunciou em relação a, pelo menos, 241 processos referentes a candidaturas ao Executivo, neles estão incluídos os casos de concorrentes que tiveram o registro aprovado em instâncias anteriores e contestado por partidos adversários ou pelo Ministério Público Eleitoral (MPE).

Na espécie, trata-se de subterfúgio da Lei que, visando garantir a aplicação da própri Lei cria um ambiente de  instabilidade e insegurança jurídica e institucional.

Tendo em conta que nenhum candidato com registro indeferido pode ser diplomado (exceto por liminar em sede recursal), ainda que pendente de recurso, se verifica a ocorrência desse fato, o candidato (a prefeito) mais votado não tiver a maioria absoluta dos votos válidos, o segundo colocado na eleição tomará posse.
Contudo, essa situação não será permanente, pois só deve durar até o julgamento final do registro do primeiro colocado.

A regra prevê ainda que, se o mais votado estiver com o registro indeferido e obtiver mais da metade dos votos válidos, será preciso convocar uma nova eleição.

Para que o município não fique sem um chefe do executivo, o presidente da Câmara Municipal assumirá o cargo de prefeito em caráter interino.

Serra é o candidato dos ricaços




O Estadão Dados, da famiglia Mesquita, e o Ibope realizaram um estudo sobre o “mapa do voto” no primeiro turno das eleições para a prefeitura de São Paulo. O resultado é elucidativo. Comprova que o tucano José Serra é o candidato dos ricaços, das elites que residem nas áreas nobres da capital, e que o petista Fernando Haddad obteve sua melhor votação nos bairros mais carentes da periferia, onde moram os trabalhadores desta injusta capital. É lógico que o Estadão preferiu apresentar estes dados de forma maquiada, disfarçada.


A pesquisa dividiu a cidade entre as “zonas eleitorais antipetistas” e as “zonas eleitorais petistas” – sem explicar a razão destas opções partidárias. Para o jornalão, a divisão de classes não existe – é invenção dos comunistas e esquerdistas. Não há choque entre patrões e trabalhadores e nem conflito de interesses entre elites e setores mais carentes da população. Deixando de lado esta querela teórica, a pesquisa conclui que “Serra ganhou em todas as zonas eleitorais antipetistas e Haddad ganhou em todas as zonas eleitorais petistas”.


A pesquisa ainda agrega as chamadas “zonas volúveis”, em que o voto não estaria consolidado. A única explicação para esta divisão do eleitorado é que “as zonas antipetistas têm renda média 2,5 vezes maior do que as zonas petistas. Elas formam uma área homogênea e contígua no centro expandido. As zonas petistas estão distribuídas nas periferias sul, leste e norte da cidades. As zonas volúveis ficam sempre entre as petistas e as antipetistas e formam uma área de transição econômica e política”.

O Estadão poderia ser mais simples e sincero no seu estudo – mas isto poderia atiçar a consciência da maioria trabalhadora e pobre da capital paulista. Um levantamento nos dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que o José Serra venceu com folga nos bairros ricos da cidade. No Jardim Paulista, que concentra a parcela mais abastada e mesquinha da sociedade, o tucano obteve 66,72% dos votos e o petista teve apenas 14,41%. Nos bairros da chamada “classe média”, que come mortadela e arrota caviar, a disputa foi mais apertada, mas o tucano também venceu. Na Bela Vista, por exemplo, Serra teve 43,91% dos votos e Haddad teve 25,83%.

Já periferia trabalhadora, Haddad compensou a desvantagem e garantiu a ida ao segundo turno. Na sofrida Guainazes, o petista teve 42,95% dos votos e o tucano abocanhou 13,11%. O “azarão” do PRB também foi bem, com 28,66%. Já no Grajaú, bairro com tradição de lutas sociais, Haddad obteve 46,64%, Serra 11,22% e Russomanno 25,28%. A imensa maioria do eleitorado paulistano está nas periferias carentes da cidade. Ela votou majoritariamente no petista, seguido do “azarão”. Ela é que definirá o segundo turno em 28 de outubro.

Em meio a julgamento do ‘mensalão’, PT cresce em número de votos, prefeituras e vereadores



A expectativa de que o julgamento do chamado “mensalão” no Supremo Tribunal Federal (STF) provocasse uma grande perda de votos para o PT, que está no centro do processo judicial, não se confirmou. Os números do primeiro turno das eleições municipais de 2012 mostraram que o PT se tornou o partido mais votado no Brasil e teve crescimentos significativos no número de prefeituras e vereadores eleitos. O crescimento nesses dois quesitos fez o PT se aproximar de PMDB e PSDB, que continuam nos primeiros lugares, mas que perderam muitas prefeituras e vereadores. O partido sofreu queda, no entanto, levando em conta o balanço das cidades com mais de 150 mil habitantes, e pode ver reduzido o número de capitais que controla.
Em número total de votos, o PT se tornou o primeiro colocado no Brasil. O partido cresceu 4,3%, chegando a 17,26 milhões de votos, equivalente a 16,79% do total de votos válidos. O PMDB ficou em segundo lugar, com 16,716 milhões de votos, correspondente a 16,26% dos votos válidos. O PSDB ficou com a terceira maior votação, totalizando 13,95 milhões de votos (13,57% do total).
Em termos de prefeituras vencidas, o PT teve um crescimento de 14%, passando de 550 para 628 prefeituras. Esse número dá ao partido o terceiro lugar no geral, atrás do PMDB e do PSDB. O PMDB elegeu 1025 prefeitos no primeiro turno, contra 1193 em 2008, uma queda de 14%. O PSDB, por sua vez, teve uma queda de 12% no número de prefeitos, passando de 787 para 693. Entre os vereadores, o PT também teve um crescimento acentuado. O partido elegeu 5.067 integrantes de legislativos municipais, 22% a mais que os 4.168 de 2008. O PMDB segue em primeiro, com 7.825 vereadores, 8% a menos que os 8.475 de 2008. O PSDB é o segundo colocado neste quesito, com 5.146 vereadores, número 13% menor que os 5.897 de 2008.
PSDB cresce em cidades com mais de 150 mil eleitores
Nas cidades com mais de 150 mil eleitores, o PT deve sofrer um queda. O partido tem atualmente 34 prefeitos nessas cidades, mas só conseguiu eleger 13. No segundo turno, o partido está em 22 disputas e precisaria ganhar 21 para igualar o número.
O PSDB, em contrapartida, tinha 14 prefeituras nessas cidades com mais de 150 mil eleitores e já elegeu 17 em primeiro turno. No segundo turno, os tucanos podem conquistar mais 17 municípios deste universo.
Na opinião de Paulo Frateschi, secretário de organização do PT, o crescimento dos tucanos nessas cidades é reflexo do enfraquecimento de outros partidos da oposição, como o DEM.
O PMDB, por sua vez, tinha 19 prefeituras e conseguiu 13 em primeiro turno. Como o partido disputa mais 16 segundos turnos, pode chegar a 29 no total.
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Nas capitais, o PT pode sofrer uma queda. O partido atualmente tem sete prefeituras nas sedes dos estados e precisa ganhar os seis segundos turnos de que vai participar (Cuiabá, Fortaleza, João Pessoa, Rio Branco, Salvador e São Paulo) para igualar o número. No primeiro turno, o PT conquistou apenas a prefeitura de Goiânia.
O partido com mais participações no segundo turno é o PSDB. Os tucanos conquistaram no primeiro turno a prefeitura de Maceió e vão disputar ainda João Pessoa, Rio Branco e São Paulo, Belém, Manaus, São Luís, Teresina e Vitória. O PMDB conquistou as prefeituras do Rio de Janeiro e de Boa Vista e está no segundo turno em Campo Grande, Florianópolis e Natal.
Crescimento do PSB chama a atenção
A votação do PSB nas eleições municipais de 2012 também chamou a atenção. Com 8,6 milhões de votos (8,37%), o PSB foi o quarto mais votado no primeiro turno, atrás de PT, PMDB e PSDB. Em termos de prefeituras conquistadas, o PSB foi um dos que mais cresceu, passando de 308 por 436 prefeituras, um crescimento de 42%, que deixa o partido no sexto lugar geral, atrás de PMDB, PSDB, PT, PP e PSD. Entre os vereadores, o PSB é o sétimo partido mais representado, com 3.484 eleitos, 18% acima dos 2.956 obtidos em 2008.
Nas cidades com mais de 150 mil eleitores, o PSB tem oito prefeituras. Elegeu oito no primeiro turno e vai ao segundo turno em outras seis. Nas capitais, o PSB fez os prefeitos de Recife e Belo Horizonte e vai ao segundo turno em Cuiabá, Fortaleza e Porto Velho.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A essência da nação militante petista




Temos paixão. Somos convictos e contagiantes. Provavelmente a militância mais numerosa do planeta. Somos autênticos, corajosos e batalhadores. Estamos impregnados de verdade e nossa causa é a mais justa de todas. Por isso não desistimos jamais. O que nos move passa longe de vingança, ódio a um partido ou a um candidato e o que aprendemos não está nas manchetes das cartilhas penduradas nas bancas de jornal. Ao contrário de nossos adversários, não ecoamos preconceito racial e social, individualismo e limpeza étnica. Nossos desejos não se realizam às custas do sofrimento alheio e não pretendemos derrubar o Brasil e humilhar seu povo em nome de nossa vitória.
Não nos enganam mais os apresentadores, os locutores, os porta-vozes, os tradutores, os comentaristas e os novelistas que tentam corromper nossas consciências a todo custo. Não nos interessam mais as teorias, os modelos, as tendências, as fachadas, os apelidos, a maquiagem e as máscaras dos falsos patriotas.
Sonhamos um Brasil forte, justo e soberano. Um Brasil que já quase podemos tocar, que vibra nos rostos iluminados de nossas crianças. Enxergamos um horizonte real, atingível, construído por cada um de nós através dos governos vitoriosos que elegemos. Somos NÓS que estamos lá. Mais do que representados, donos do nosso destino. Estamos encravados na história e no futuro deste novo Brasil e desta nova América para sempre. Não seremos demovidos por qualquer instrumento que não seja a vontade soberana do povo, expressa em eleições justas e democráticas.
Não buscamos lucro ou vantagem pessoal. O que nos move é a confiança, a certeza de que é possível melhorar nossas vidas e a vida de todas pessoas, independente da cor, do sexo e da classe social. Acreditamos que é possível tornar este país mais justo, um lugar melhor de se viver. Para que nossos filhos não tenham vergonha de serem brasileiros. É isso que nossos adversários não compreendem. Essa entrega a uma causa que beneficia milhões de pessoas do norte ao sul do país. Os conservadores estacionados no século passado e sua imprensa podre nos estranham porque só conhecem os caminhos do preconceito, da inveja e da trapaça para se alcançar um objetivo.
Os inimigos da democracia conspiram cada dia mais abertamente em nome de uma elite que decidiu “reaver seu país” a qualquer custo. Mais do que isso, planejam reescrever a história recente deste país. Devolver ao Brasil a condição de vira-latas da comunidade internacional, sempre submisso às vontades dos mercadores e assaltantes estrangeiros.
O desrespeito à constituição e às bases mais elementares do direito e da justiça exibidos pelo STF no julgamento da 470 e festejados pelo PiG durante e em função da campanha eleitoral, mostra que os conspiradores não estão ensaiando. Estão armando o bote – associados agora aos senhores das togas, que a cada dia que passa, tornam-se mais parecidos com seus colegas de cargo paraguaios.
Por isso enfrentamos essas forças predadoras e sua imprensa a cada dois anos. Sabemos que jamais desistirão – seja no voto, seja na marra. E sabemos que somente a vitória das forças progressistas nas eleições deste domingo poderá conter sua voracidade bestial e golpista que ameaça roubar-nos o estado de direito.
Somos amantes da verdade, da justiça e da prosperidade. Não nos vendemos e não nos rendemos.
Tudo isso nos diferencia dos mercenários da outra margem. E é por tudo isso que venceremos!

Chávez sobrevive à mídia e é reeleito




Por Luiz Carlos Azenha, no blog Viomundo:

Hugo Chávez sobreviveu aos bancos, ao “otimismo mórbido” e à mídia (nunca tantos torceram tanto para alguém morrer de câncer).

O presidente venezuelano foi reeleito com 54% dos votos, contra 44% para o oposicionista Capriles Radonski.


A participação foi de 80,94% (o voto não é obrigatório no país).


“Quadro grave”, de 16 de fevereiro de 2012:

Os últimos exames, analisados por médicos brasileiros, indicam que o câncer está em processo de metástase, se alastrando em direção ao fígado, deixando pouca margem a uma recuperação.

Como a eleição presidencial se realiza dentro de 8 meses, a 7 de outubro, dificilmente o presidente venezuelano estaria em condições de fazer uma campanha eleitoral que exigirá muito esforço físico, pois a oposição já tem em Henrique Capriles um candidato de união.

“Os verdadeiros mentirosos”, artigo de 22 de fevereiro de 2012:

A notícia de que o estado de saúde de Chavez havia piorado foi negada pelo governo de maneira peremptória, e o Ministro da (des) Informação, Andrés Izarra, disse que ela fazia parte de uma “guerra suja da escória”.

O líder governista no Congresso, Diosdado Cabello, chegou a afirmar que Chávez estava saudável, dizendo também pelo twitter que “Bocaranda está doente na alma”.

Da mesma maneira, depois que na quinta-feira publiquei no meu blog (Blog do Merval.com.br) que o quadro de saúde de Chavez havia piorado, com informações de médicos brasileiros que haviam analisado exames do presidente da Venezuela indicando a possibilidade de metástase em direção ao fígado, Maximilien Arvelaiz, pomposamente intitulado “embaixador da República Bolivariana da Venezuela no Brasil”, enviou carta ao GLOBO afirmando que “o tratamento contra um câncer, pelo qual o presidente Hugo Chávez foi submetido em 2011, foi exitoso, estando o presidente gozando de boa saúde”.

“A saúde de Chavez”, de 23 de fevereiro de 2012:

Tenho cometido um erro dizendo em diversos comentários e notas que o câncer de Chávez pode estar localizado no “colo do reto”. Na verdade, trata-se de um câncer “colorretal” que abrange tumores em todo o cólon, reto, e apêndice.

“O novo câncer de Chávez”, de 4 de março de 2012:

O jornalista venezuelano Nelson Bocaranda e o médico venezuelano residente na Flórida, José Rafael Marquina, que vêm informando com antecedência sobre o estado de saúde do presidente Hugo Chavez, usaram o twitter para comentar as últimas notícias sobre o novo câncer de Chavez. Bocaranda confirma que o exame dos materiais retirados para a biópsia foi feito no Brasil e nos Estados Unidos, e Marquina diz que embora não se refiram a metastáse, anunciar uma “radioterapia profilática” é uma maneira indireta de confirmar.

“Chavez no Brasil?”, de 5 de abril de 2012:

O Presidente venezuelano Hugo Chavez pode anunciar a qualquer momento uma viagem ao Brasil para se internar no Hospital Sírio-Libanês em São Paulo. Ele teve um choque com o tratamento de radioterapia a que está se submetendo em Cuba, e há especulações de que sofreu problemas intestinais que poderiam ser originários da metástase. (…) Pessoas próximas a Chavez temem que seja muito tarde para um novo tratamento aqui no Brasil, que poderia ter começado há muito tempo com a oferta feita pelo ex-presidente Lula e pela presidente Dilma. Chavez se negou a aceitar normas de transparência de informações do Hospital Sírio-Libanês e fez exigências consideradas inaceitáveis, como fechar andares do hospital e revistar todas os visitantes enquanto estivesse internado.

O vencedor foi Lula




Eu pergunto quando tempo nossos analistas de plantão vão levar para reconhecer o grande vitorioso do primeiro turno da eleição municipal.
Não, não foi Eduardo Campos, embora o PSB tenha obtido vitorias importantes no Recife e em Belo Horizonte.
Também não foi o PDT, ainda que a vitória de José Fortunatti em Porto Alegre tenha sido consagradora. Terá sido o PSOL? Os “novos partidos”?
O grande vitorioso de domingo foi Luiz Inácio Lula da Silva e é por isso que os coveiros de sua força política passaram o dia de ontem trocando sorrisos amarelos.
Nem sempre é fácil reconhecer o óbvio ululante. É mais fácil lembrar a derrota do PT no Piauí, ou em São Luís.
Nosso leitor Roberto Locatelli lembra: o PT passou o PMDB  e foi o partido que mais acumulou votos na eleição. Tinha 550 prefeituras. Agora tem mais de 612.
Vamos combinar: a  principal aposta de Lula em 2012 foi Fernando Haddad que, superando as profecias do início da campanha, não só passou para o segundo turno mas entra nessa fase da disputa em posição bastante favorável. Em São Paulo se travou a mãe de todas as batalhas.
Imagino as frases prontas e as previsões sombrias sobre o futuro de Lula e do PT se Haddad tivesse ficado de fora…
A disputa no segundo turno está apenas no início e é cedo para qualquer previsão.
Mas é bom notar que as  pesquisas indicam que Haddad é a segunda opção da maioria dos eleitores de Celso Russomano. Uma pesquisa disse até que Haddad poderia chegar em segundo no primeiro turno, mas tinha boas chances de vencer Serra, no segundo. Qual o valor disso agora? Não sei. Mas é bom raciocinar com todas as informações.
Quem assistiu a pelo menos 30 minutos dos debates presidenciais sabe que Gabriel Chalita já tem lado definido desde o início – como adversário de José Serra. O que vai acontecer? Ninguém sabe.
O próprio Serra tem uma imensa taxa de rejeição, que limita, por si só, seu potencial de crescimento.
O apoio de  Russomano tem um peso relativo. Se ele não conseguia controlar aliados quando era favorito e podia dar emprego para todo mundo, inclusive para uma peladona de biquini cor de rosa descrita como assessora, imagine agora como terá dificuldades para manter a, digamos, fidelidade partidária…
O mais provável é que seu eleitorado se divida em partes mais ou menos iguais.
Não vejo hipótese da Igreja Universal ficar ao lado de José Serra. Nem Silas Malafaia com Haddad.
A votação de Haddad confirma a liderança de Lula e a disposição dos eleitores em defender o que ele representa. Mostra que o ambiente político de 2010, que levou a eleição de Dilma Rousseff, não foi revertido. Isso não definiu o resultado em cada cidade mas ajudou a compor a situação no país inteiro.
Os 40% de votos que Patrus Ananias obteve em Belo Horizonte mostram um desempenho bem razoável, considerando que o tamanho do  condomínio adversário.
Quem define a boa vitória de Lacerda como uma vitória de Aécio sobre Dilma incide no pecado da ejaculação precoce.
O grande derrotado do primeiro turno, que mede a força original de cada partido, não aquilo que se pode conquistar com alianças da segunda fase, foi o PSDB.
O desempenho tucano sequer qualifica o partido como oponente nacional do PT. Perdeu eleição em Curitiba, onde seu concorrente tinha apoio do governador de Estado, desapareceu em Porto Alegre e no Rio de Janeiro, terra do vice de José Serra em 2010 – que não é tucano, por sinal. Se a principal vitória do PSDB foi com um candidato do PSB é porque alguma coisa está errada, concorda?
Respeitado por ter chegado em primeiro lugar em São Paulo, Serra já teve desempenhos melhores.
As cenas finais da campanha foram os votos do julgamento do mensalão, transmitidos em horário nobre durante um mês inteiro. Tinham muito mais audiência do que os programas do horário político.
Menino pobre e preto, Joaquim Barbosa já vai sendo apresentado como um contraponto a Lula…
Antes que analistas preconceituosos voltem a dizer que a população de renda mais baixa tem uma postura menos apegada a princípios éticos – suposição que jamais foi confirmada por pesquisadores sérios  — talvez seja prudente recordar que o eleitor é muito mais astuto do que muitos gostariam.
Sabe separar as coisas.
Aprendeu a decodificar o discurso moralista,  severo com uns, benigno com outros, como a turma do mensalão do PSDB-MG, os empresários que jamais foram denunciados na hora devida…
Anunciava-se, até agora, que a eleição seria  nacionalizada e levaria a  um julgamento de Lula.
Não foi. O pleito mostra que o eleitor não mudou de opinião.
O eleitor mostrou, mais uma vez, que adora rir por último

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A espetacularização e a ideologização do Judiciário.



Artigo de Leonardo Boff

“Ouve-se no plenário ecos vindos da Casa Grande que gostaria de manter a Senzala sempre submissa e silenciosa”, escreve o teólogo Leonardo Boff. Segundo ele, "a ideologia que perpassa os principais pronunciamentos dos ministros do STF parece eco da voz dos outros, da grande imprensa empresarial que nunca aceitou que Lula chegasse ao Planalto".

Eis o artigo.

Para não me aborrecer com e-mails rancorosos vou logo dizendo que não estou defendendo a corrupção de políticos do PT e da base aliada, objeto da Ação Penal 470 sob julgamento no STF. Se malfeitos forem comprovados, eles merecem as penas cominadas pelo Código Penal. O rigor da lei se aplica a todos.

Outra coisa, entretanto, é a espetacularização do julgamento transmitido pela TV. Ai é ineludível a feira das vaidades o vezo ideológico que perpassa sobre a maioria dos discursos.

Desde A Ideologia Alemã de Marx/Engels (1846) até Conhecimento e Interesse de J. Habermas (1968 e 1973) sabemos que por detrás de todo conhecimento e de toda prática humana age uma ideologia latente. Resumidamente podemos dizer que a ideologia é o discurso do interesse. E todo conhecimento, mesmo o que pretende ser o mais objetivo possível, vem impregnado de interesses. Pois assim é a condição humana. A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. E todo o ponto de vista é a vista de um ponto. Isso é inescapável. Cabe analisar política e eticamente o tipo de interesse, a quem beneficia e a que grupos serve e que projeto de Brasil tem em mente. Como entra o povo nisso tudo? Ele continua invisível e até desprezível?

A ideologia pertence ao mundo do escondido e do implícito. Mas há vários métodos que foram desenvolvidos, coisa que exercitei anos a fio com meus alunos de epistemologia em Petrópolis, para desmascarar a ideologia. O mais simples e direto é observar a adjetivação ou a qualificação que se aplica aos conceitos básicos do discurso, especialmente, das condenações.

Em alguns discursos como os do Ministro Celso de Mello o ideológico é gritante, até no tom da voz utilizada. Cito apenas algumas qualificações ouvidas no plenário: o “mensalão” seria “um projeto ideológico-partidário de inspiração patrimonialista”, um “assalto criminoso à administração pública”, “uma quadrilha de ladrões de beira de estrada” e um “bando criminoso”. Tem-se a impressão que as lideranças do PT e até Ministros não faziam outra coisa que arquitetar roubos e aliciamento de deputados, em vez de se ocupar com os problemas de um país tão complexo como o Brasil.

Qual o interesse, escondido por detrás de doutas argumentações jurídicas? Como já foi apontado por analistas renomados do calibre de Wanderley Guilherme dos Santos, revela-se aí certo preconceito contra políticos vindos do campo popular. Mais ainda: visa-se aniquilar toda a possível credibilidade do PT, como partido que vem de fora da tradição elitista de nossa política; procura-se indiretamente atingir seu líder carismático maior, Lula, sobrevivente da grande tribulação do povo brasileiro e o primeiro presidente operário, com uma inteligência assombrosa e habilidade política inegável.

A ideologia que perpassa os principais pronunciamentos dos ministros do STF parece eco da voz dos outros, da grande imprensa empresarial que nunca aceitou que Lula chegasse ao Planalto. Seu destino e condenação é a Planície. No Planalto poderia penetrar como faxineiro e limpador dos banheiros, como, aliás, parece ter sido o primeiro trabalho do Ministro Joaquim Barbosa no STE. Mas nunca como Presidente.

Ouve-se no plenário ecos vindos da Casa Grande que gostaria de manter a Senzala sempre submissa e silenciosa. Dificilmente se tolera que através do PT os lascados e invisíveis começaram a discutir política e sonhar com a reinvenção de um Brasil diferente. 

Tolera-se um pobre ignorante e mantido politicamente na ignorância. Tem-se verdadeiro pavor de um pobre que pensa e que fala. Pois Lula e outros líderes populares ou convertidos à causa popular como João Pedro Stedile, começaram a falar e a implementar políticas sociais que permitiram uma Argentina inteira ser inserida na sociedade dos cidadãos.

Essa causa não pode estar sob juízo. Ela representa o sonho maior dos que foram sempre destituídos. A Justiça precisa tomar a sério esse anseio a preço de se desmoralizar, consagrando um status quo que nos faz passar internacionalmente vergonha. 

Justiça é sempre a justa medida, o equilíbrio entre o mais e o menos, a virtude que perpassa todas as virtudes (“a luminossísima estrela matutina” de Aristóteles). 

Estimo que o STF não conseguiu manter a justa medida. Ele deve honrar essa justiça-mor que encerra todas as virtudes da polis, da sociedade organizada. Então sim se fará justiça neste país."

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Desvalorização da moeda gera protestos e confrontos em Teerã



TEERÃ (AFP) – A intervenção da polícia nesta quarta-feira 3 no centro de Teerã, onde ficam as principais casas de câmbio da capital iraniana, provocou protestos e confrontos.
Centenas de policiais foram enviados ao bairro de Ferdousi e obrigaram as casas de câmbio a fechar as portas após a forte desvalorização da moeda do Irã, o rial.
Várias pessoas atiraram pedras contra as forças de segurança, segundo testemunhas. Manifestantes foram detidos e alguns colocaram fogo em latas de lixo, o que provocou uma fumaça intensa na região.
“Fechamos as portas por causa da operação policial para prender os revendedores ilegais”, disse à AFP um comerciante oficial de Ferdousi.
A porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland, afirmou na segunda-feira que a histórica desvalorização da moeda iraniana, que perdeu 80% em um ano, demonstra o “êxito” das sanções internacionais impostas ao Irã por seu programa nuclear.

Leia também:

O Irã nega as acusações das potências ocidentais sobre o possível uso militar de seu programa nuclear e afirma enriquecer urânio para produzir energia elétrica e isótopos médicos, usados para diagnosticar certos tipos de câncer.

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Candidatos 'menores' se beneficiam ao trocar o carro de som pela internet


FONTE: www.bbc.co.uk
Facebook Prof Israel

Se o carro de som era o grande trunfo de candidatos de cidades pequenas, hoje eles têm uma nova "arma": a internet.
Com a popularização do acesso à web, blogs e redes sociais passaram a ter um papel importante não apenas nas campanhas dos candidatos de metrópoles, mas também na de político menores, com uma verba mais limitada.
Para o pesquisador de internet Juliano Spyer, a web pode ser ainda mais vantajosa para eles, por ser uma plataforma acessível para quem não tem tanto recurso. "Talvez ele não possa pagar pela impressão e distribuição de panfletos, mas com uma webcam e uma conexão, pode se fazer conhecer pelo YouTube. E se a mensagem for convincente, poderá chegar a uma audiência potencialmente igual ou maior à alcançada por veículos tradicionais."
Spyer cita o exemplo do professor de história e cientista político Israel Batista (PDT), que em 2010 foi eleito deputado distrital de Brasília, com uma campanha fortemente baseada nas plataformas online.
O coordenador da campanha de Israel, Aurélio Araújo, que hoje é chefe de gabinete, conta que o orçamento era de apenas R$ 40 mil - até o momento, o candidato José Serra já arrecadou para sua campanha a prefeito de São Paulo cerca de R$ 8 milhões.
"Nossa campanha se baseou na mobilização de voluntários - especialmente alunos do Israel. Criamos canais de compartilhamento nas principais redes sociais, como o Facebook e o Orkut, ainda muito popular em 2010, e Youtube", diz Araújo, que já trabalhou com mídias sociais da Embaixada americana durante a visita do presidente Barack Obama ao Brasil.
Para ele, a vantagem da web, nesse caso, é que mais dinheiro não necessariamente implica em melhor conteúdo. "É incrível a amplitude da internet quando se entende a linguagem. E o custo disso é ridículo se comparado a outros custos de campanhas tradicionais", diz, explicando que o gasto de uma campanha online é basicamente o salário de bons profissionais que entendam de internet, mídias sociais e monitoramento.

Twitter e Facebook

Para Manoel Fernandes, diretor da consultoria especializada em mídias sociais Bites, nas eleições deste ano saíram na frente os candidatos que apostaram em usar a internet de maneira objetiva e sem factoides.
"Tudo está conectado às redes. Eleitores conseguem ampliar a mensagem do candidato usando seus seguidores via seguidores no Twitter e fãs no Facebook. É possível reproduzir material de campanha de maneira simples e compartilhar a agenda do candidato rapidamente nas redes", diz Fernandes, citando boas práticas online da campanha para as eleições deste ano.
Outra estratégia usada na campanha de Israel Batista foi tornar o candidato "de verdade", não só alguém que aparecia em vídeos do YouTube ou postava fotos de campanha.
"A mesma pessoa que você via online, era o que encontrava na rua", conta Araújo. "Não ficava a sensação que eram dois candidatos diferentes."
"E como as pessoas se envolviam na campanha online, quando o encontravam, tiravam fotos, por exemplo, e o marcavam no Facebook. E isso não custa R$ 1."

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Proposta permite a partido escolher entre voto em lista ou nominal


A Câmara analisa o Projeto de Lei 4326/12, que permite ao partido escolher, em cada estado ou em todo o País, qual a modalidade de voto desejada. Se por lista partidária de todos os seus candidatos ou por voto nominal ao candidato.
A modalidade em vigor é o voto nominal. Ela está prevista no Código Eleitoral (Lei 4.737/65).
Pela proposta, a prerrogativa de escolher uma das modalidades do sistema proporcional caberá ao diretório do partido, que poderá optar por uma modalidade em cada estado do País. No caso de coligação, prevalecerá a decisão conjunta a respeito da modalidade.
O texto diz ainda que a adoção do voto em lista partidária implicará automaticamente financiamento público para os candidatos e para o partido, vedado qualquer outro tipo de financiamento. “O projeto fortalece o regime democrático porque permite aos partidos adotarem a técnica que julgarem mais eficiente para as suas campanhas eleitorais”, argumenta Andrada.
Tramitação
A proposta, que tramita em regime de prioridade, está apensada ao PL 2887/00, que trata do mesmo assunto. Os dois projetos precisam passar pelo Plenário para serem aprovados.

Íntegra da proposta:PL-2887/2000PL-4326/2012Reportagem – Lara Haje
Edição – Juliano Pires

Morre Eric Hobsbawm, um dos maiores historiadores do século 20


FONTE: www.bbc.co.uk
Eric Hobsbawm | Crédito da foto: Getty

Um dos mais influentes historiadores do século 20, o britânico Eric Hobsbawm morreu nesta segunda-feira em Londres aos 95 anos, confirmaram familiares.
Em entrevista à imprensa, a filha de Hobsbawn, Julia, disse que seu pai morreu no início da manhã no Royal Free Hospital, onde ele se tratava de uma pneumonia.
"Sua ausência será imensamente sentida não só por sua esposa de mais de 50 anos, Marlene, por seus três filhos, sete netos e bisnetos, mas também por muitos leitores e estudantes ao redor do mundo", informou um comunicado da família.
A reputação do historiador deve-se, principalmente, a quatro obras escritas por ele, entre elas "Era dos Extremos: o Breve Século 20: 1914 - 1991", livro que foi traduzido em 40 línguas.
De família judia, Hobsbawm nasceu na cidade de Alexandria, no Egito, em 1917, o mesmo ano da Revolução Russa, que representou a derrocada do czarismo e o início do comunismo no país.
Não por coincidência, a vida do historiador e seus trabalhos foram moldados dentro de um compromisso duradouro com o socialismo radical.
O pai de Hobsbawm, o britânico Leopold Percy, e sua mãe, a austríaca Nelly Grün, mudaram-se para Viena, na Áustria, quando o historiador tinha dois anos e, logo depois, para Berlim, na Alemanha.
Hobsbawm aderiu ao Partido Comunista aos 14 anos, após a morte precoce de seus pais. Na ocasião, ele foi morar com seu tio.
Em 1933, com o início da ascensão de Hitler na Alemanha, ele e seu tio mudaram-se para Londres, na Inglaterra. Após obter um PhD da Universidade de Cambridge, tornou-se professor no Birkbeck College em 1947 e, um ano depois, publicou o primeiro de seus mais de 30 livros.
Hobsbawm foi casado duas vezes e teve três filhos, Julia, Andy e Joshua.
Na década de 80, Hobsbawm comentou sobre sua fuga da Alemanha. "Qualquer um que viu a ascensão de Hitler em primeira mão não poderia ter sido ajudado, mas moldado por isso, politicamente. Esse garoto ainda está aqui dentro em algum lugar - e sempre estará".

Obra

Entre as obras mais conhecidas de Hobsbawm, estão os três volumes sobre a história do século 19 e "Era dos Extremos", que cobriu oito décadas da Segunda Guerra Mundial ao colapso da União Soviética.
Já como presidente do Birkbeck College, ele publicou seu último livro, "Como mudar o mundo - Marx e o marxismo 1840-2011", no ano passado.
O historiador afirmou que ele tinha vivido "no século mais extraordinário e terrível da história humana".
Marxista inveterado, ele reconheceu a derrocada do comunismo no século 20, mas afirmou não ter desistido de seus ideais esquerdistas.
Em abril deste ano, Hobsbawm disse ao colega historiador Simon Schama que ele gostaria de ser lembrado como "alguém que não apenas manteve a bandeira tremulando, mas quem mostrou que ao balançá-la pode alcançar alguma coisa, ao menos por meio de bons livros".

ONDA VERMELHA ATINGE OPOSICIONISTAS


Forças Armadas iniciam operações em favelas do Rio para garantir segurança ao eleitor


Vitor Abdala

FONTE: Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – As Forças Armadas iniciaram na manhã de hoje (1º) uma série de operações em comunidades do Rio de Janeiro, visando ao primeiro turno das eleições municipais, no próximo domingo (7). A primeira favela que recebeu a ação do Exército foi Gardênia Azul, na zona oeste da cidade, controlada por uma milícia.
Na parte da tarde, o Exército ocupou as ruas da favela do Muquiço, também na zona oeste da cidade, e a Marinha entrou na favela Fogo Cruzado, no Complexo da Maré, na zona norte da cidade. Vinte e oito favelas da cidade do Rio receberão ações do Exército de hoje até sábado (6), a pedido do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).
No dia da eleição, os militares vão patrulhar áreas das cidades de São Gonçalo, Cabo Frio, Itaboraí, Campos, Magé, Rio das Ostras e Macaé.
Segundo o presidente do TRE-RJ, Luiz Zveiter, o objetivo é dar segurança aos eleitores, além de reprimir irregularidades na campanha eleitoral. “Nós vamos coibir propaganda irregular e qualquer outro tipo de delito previsto no Código Eleitoral. Além do Exército, vamos contar com 80 homens [fiscais do TRE] e juízes”, disse.
A previsão é que a operação dure um dia em cada comunidade. A partir de amanhã, a operação vai ocorrer em cinco comunidades diferentes por dia. Entre as comunidades que receberão ações dos militares estão outras favelas do Complexo da Maré, a Vila Vintém, Coreia e Vila Kennedy (as três em Bangu), Rio das Pedras (em Jacarepaguá) e Antares (em Santa Cruz).
O motorista Carlos Leite, morador de Gardênia Azul, acredita que o Exército dá mais segurança ao eleitor. “Na Gardênia Azul, ainda existem currais eleitorais. Com a presença das Forças Armadas, a gente vai se sentir mais seguro para se locomover e votar”, disse.
No início da tarde, a entrada das tropas na Favela do Muquiço foi tranquila, sem confronto com a quadrilha armada que controla o local. Militares armados com fuzis entraram com o apoio de carros blindados e se posicionaram em pontos estratégicos. Na favela, a reportagem da Agência Brasil presenciou a circulação de carros de som de três candidatos a vereador diferentes. Nas casas, foram vistas placas de pelo menos 13 candidatos diferentes.
Sem troca de tiros, a rotina dos moradores pareceu não ter sido alterada, com crianças brincando nas ruas e as portas do comércio abertas. A jovem Luana de Jesus caminhava com a filha pelas ruas do Muquiço e estranhou a presença dos militares. “É estranho, porque nunca vi isso por aqui. Mas acho que dá mais segurança para o eleitor, sim”, disse.
Edição: Juliana Andrade
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