segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Altamiro Borges: Donos da mídia nativa travam batalha externa na Argentina




Foto Valter Campanato, Agência Brasil
domingo, 4 de novembro de 2012

Ley de Medios. Eu sou argentino!

A mídia hegemônica não descansa e vive em permanente estado de guerra. Passadas as eleições municipais, em que ela apostou tudo no “show do mensalão” para evitar o desastre completo da oposição demotucana nas urnas, ela agora afia as suas armas para duas novas batalhas. Uma no front interno, com a tentativa de criminalizar o ex-presidente Lula. E outra no front externo, com a aproximação da data do fim do monopólio do Clarín na Argentina. A máfia midiática do planeta se une para derrotar a presidenta Cristina Kirchner.

Uma guerra aberta, frontal
No país vizinho, a situação já é de guerra aberta, frontal. Manifestações favoráveis e contrárias à “Ley de Medios”, que democratiza os meios de comunicação, são diárias e agitam até os estádios de futebol. A guerra também já está sendo travada nas emissoras de tevê. Os dois canais do Grupo Clarín – TN (Todo Notícia), no cabo, e El Trece, na TV aberta – promovem ataques raivosos ao governo. Jorge Lanata, âncora de um programa no El Trece, faz imitações grosseiras contra a presidenta Cristina Kirchner.
Já o governo responde através da TV Pública. Ele procura esclarecer que a Ley de Medios, que entrará em vigor no dia 7 de dezembro, visa garantir maior pluralidade e diversidade na radiodifusão. Aprovada em 2009, ela limita as licenças dos grupos midiáticos. Para o Clarín, que controla vários veículos desde a época da ditadura militar, ela será fatal. O império terá que se desfazer de várias emissoras de rádio e tevê. O seu espaço será ocupado por canais comunitários. O governo abrirá concurso para definir os futuros donos.
Com a proximidade do 7 de dezembro – o 7D da Democracia –, a guerra entre os dois campos se acirra. O Grupo Clarín já foi derrotado no Congresso, no Judiciário e nas ruas, com massivos atos de apoio à lei. Mas ele resiste. Para o sociólogo Martín Becerra, “o cenário mais provável é que o Clarín tente ganhar tempo, apresentando um plano de adequação indicando empresários aliados como testas de ferro, algo que o governo não aceitará. Haverá outra batalha judicial que daria ao grupo tempo para desenhar outras estratégias”.

A falta de coragem política no Brasil
É neste cenário de confronto que os barões da mídia da América Latina – reunidos no antro da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) – e do mundo inteiro se unem para salvar o império do Clarín. Na semana passada, o Jornal Nacional da TV Globo divulgou longa matéria contra o “atentado à liberdade de expressão” na Argentina. Os jornalões também já publicaram vários editorais e artigos sobre o tema. Esta será a principal batalha, no front externo, dos donos da mídia nativa. Eles temem uma “epidemia” na região.
Nesta guerra aberta não há espaço para vacilações. Diante da fúria monopolista dos barões da mídia, eu sou argentino! Na verdade, só lamento que o governo Dilma não tenha a mesma coragem da presidenta Cristina Kirchner para estimular um debate democrático sobre este tema tão estratégico na atualidade. Talvez a entrada em vigor da Ley de Medios ajude a espalhar esta “epidemia” democratizante em nosso país. A conferir!

Leia também:

Sobe para 65 número de candidatos flagrados postando fotos do Enem 2012 na web Leia mais em: http://noticias.bol.uol.com.br/educacao/2012/11/04/sobe-para-65-numero-de-candidatos-flagrados-postando-fotos-do-enem-2012-na-web.jhtm




O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, informou que subiu para 28 o número de candidatos desclassificados neste domingo (4) após terem sido flagrados postando fotos do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) nas redes sociais. Ontem (3), outros 37 estudantes já haviam sido eliminados do exame pelo mesmo motivo. O total final é de 65 estudantes. Mesmo após o fim da prova, mais candidatos que tiverem divulgado imagens na internet também poderão ser excluídos do exame caso o MEC encontre fotos que tiverem sido postadas durante o horário do exame. A prova foi encerrada às 18h30 (horário de Brasília). Pelo edital do Enem, o uso de telefones celulares e aparelhos eletrônicos dentro dos locais de prova é proibido. Os aparelhos devem ser guardados em sacos plásticos e colocados embaixo da cadeira.

Tema da redação O MEC divulgou por meio de seu Twitter o tema da redação do Enem: "Movimento imigratório para o Brasil no século 21.

Essa é a primeira vez em que o ministério divulga o tema da redação pelas redes sociais. Nas últimas duas edições, houve casos de jornalistas que anunciaram o tema antes do final da prova, por meio de celulares nos locais de exame.


Revista Veja e o caso das fotos no Enem 2012: armadilha ou ingenuidade?


Revista Veja publicou post em seu Twitter pedindo para alunos postarem fotos do Enem 2012; assunto causou polêmica entre alunos e professores.
Sabendo que 30 alunos foram eliminados sábado (3) do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2012 por postarem fotos, arevista Veja publica o seguinte post em seuTwitter, neste domingo (4): "Compartilhe fotos do Enem no Instagram: #VEJAnoEnem. As melhores são exibidas em VEJA". A frase, julgada por muitos como dúbia, foi criticada por alunos nas redes sociais e, inclusive, por professor de redação.
 



Em primeiro lugar, o que são fotos do Enem? O que a Veja esperava que os alunos fizessem? Tirassem fotos da fachada da escola ou faculdade onde os alunos realizariam a prova? Fotografassem a rua e o trânsito que o Enem causou? Isso é trabalho de repórter, não de estudante.

Seja lá o que a revista quis dizer, realmente é difícil acreditar que Veja, uma das maiores publicações impressas do mundo, tenha deixado escapar em seu Twitter uma frase possivelmente dúbia. Ninguém pensou que isso poderia ser mal interpretado?

Os alunos foram duros nas críticas à revista sugerindo que a publicação estava "ensinando" como ser expulso do Enem. Deste fato, portanto, só sobram duas interpretações: foi ingenuidade da Veja não haver pensado que os alunos interpretariam desta maneira? Ou foi de propósito? O que abre espaço para ainda maiores interpretações sobre a intenção da revista com este post.

Uma coisa é certa: desde que postou isso, Veja tem sido comentada, retuitada e citada no Twitter conferindo-lhe algo que todos os meios de comunicação atual mais buscam: audiência. Mas, levando em conta que o Enem 2012 é a porta de entrada para sistemas como SisuProUni e Ciência Sem Fronteiras e mais 4 milhões de pessoas, segundo o próprio ministro da educação Aloizio Mercadante, já realizaram a prova, Veja, no mínimo, deveria saber com o que está causando polêmica. De qualquer forma,alguém pode explicar o que são fotos DO Enem?


domingo, 4 de novembro de 2012

Se correr, o bicho pega...




Está em todos os principais jornais de sexta-feira (2/11) a notícia de que um telefonema entre a presidente da República, Dilma Rousseff, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, colocou um ponto final no bate-boca entre autoridades estaduais e federais em torno do surto de violência que assusta os paulistas.
O assunto é manchete na Folha de S. Paulo e no Estadão e tema de chamada destacada na primeira página do Globo. Resumidamente, ficou acertado que os chefes da facção criminosa que se encontra em guerra com a Polícia Militar serão transferidos para presídios federais e colocados sob vigilância mais rigorosa.
Os dois jornais paulistas se limitam a descrever as ações que deverão decorrer do acordo e reproduzem declarações do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e do secretário paulista da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, que se engalfinharam durante a semana num bate-boca com tempero eleitoral.
Renda crescente
Globo avança na investigação dos acontecimentos ligados à explosão no número de assassinatos em São Paulo e outras cidades do estado, expondo uma suspeita que os jornais paulistas não haviam abordado: a possibilidade de que as mortes estejam ligadas a disputas entre grupos criminosos rivais, um deles formado por policiais militares.
Diz o jornal carioca que a guerra entre a PM e integrantes da facção criminosa conhecida como Primeiro Comando da Capital teria como motivação uma disputa pelo controle de máquinas caça-níqueis na região metropolitana de São Paulo. Segundo a reportagem, o PCC estaria reagindo à invasão de seus territórios por uma milícia formada por policiais militares aposentados e da ativa, apoiados por agentes corruptos.
A investigação do Globo é respaldada por uma fonte do alto escalão do governo paulista e deixa o Estadãoe a Folha na constrangedora situação de ter passado as últimas semanas repetindo a história de que a violência é resultado de um confronto entre a PM e o PCC.
A se julgar pelo que diz o jornal carioca, há muito mais sujeira embaixo do tapete.
Essa versão da guerra que assusta a população de São Paulo e já produziu, como efeito colateral, dezenas de vítimas entre cidadãos inocentes durante este ano, coloca em cena um ingrediente ainda mais explosivo: a hipótese de que a corrupção policial tenha superado a capacidade do Estado de garantir a segurança da sociedade.
O raciocínio exposto pelo Globo indica que o negócio dos caça-níqueis, tradicionalmente explorado pelo crime organizado, vem se tornando cada vez mais rentável, atraindo competidores poderosos. Comerciantes instalados em favelas e em bairros da periferia da cidade estariam pagando até R$ 400 por mês para poderem manter suas máquinas funcionando sob proteção do PCC.
Essa renda já compete com o principal negócio da facção, o tráfico de drogas, que movimenta cerca de R$ 6 milhões por mês mas vem se tornando cada vez mais problemático por causa da maior eficiência da repressão policial.
Guerra de quadrilhas
Segundo o Globo, uma nova geração de equipamentos de jogatina permite aos exploradores do negócio movimentar rapidamente as máquinas, instalando-as em lugares protegidos pelo PCC, o que inclui bares, pequenas casas de comércio e até açougues da periferia.
Do tamanho de fornos de micro-ondas e com tela de LCD, essas máquinas podem ser escondidas facilmente, sendo colocadas em operação depois das 18 horas, quando muitos trabalhadores voltam para suas casas.
Uma milícia formada por agentes públicos aposentados e da ativa teria resolvido explorar essa fonte de lucros, invadindo os redutos do PCC. Essa seria a causa da onda de violências, segundo o Globo.
A intervenção da presidente, conversando diretamente com o governador, esfriou os ânimos e encaminhou uma possibilidade de solução para o problema. No entanto, se tem fundamento a reportagem do Globo, de nada vai adiantar uma ação conjunta entre os governos federal e estadual se não for admitida e atacada a possibilidade de que policiais corruptos estejam envolvidos nessa guerra.
Se o combate ao PCC for bem sucedido, o governo acaba tirando a população da periferia do domínio da facção criminosa e a entrega à tirania das milícias de policiais corruptos.
Se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho come.

Deputados podem utilizar os plenários das comissões para expressar a fé


 (David Ribeiro/Agencia Camara)

A aparente tranquilidade que reina no corredor das comissões da Câmara às segundas e às sextas-feiras, dias em que os deputados esvaziam a Casa em direção às suas bases, em uma agora oficializada gazeta parlamentar, esconde uma disputa por espaço entre lideranças, não as políticas, mas sim as religiosas. É nesses dias que os 16 plenários das comissões, normalmente ocupados por audiências públicas ou sessões deliberativas, cedem espaço a cultos, em sua maioria evangélicos ou católicos, que ocorrem com relativa periodicidade para atender a demanda de deputados, frentes parlamentares e até funcionários terceirizados em busca de um lugar para professar a fé, no meio do expediente.

O predomínio da presença de grandes igrejas nos plenários tem irritado seguidores de religiões de menor expressividade. No ano passado, o deputado Jean Wyllys (PSol-RJ) tentou conseguir um desses espaços para o lançamento da Frente Parlamentar dos Povos Tradicionais de Terreiro, que representaria os interesses de seguidores de religiões afro-brasileiras. Não obteve sucesso. A solenidade precisou ser realizada em um restaurante da Casa

O script do golpe



Vencidas as inacreditáveis ingenuidade e imprudência de democratas bem-intencionados que chegaram a crer que a direita midiática continuaria aceitando ser contrariada por uma vontade popular que as urnas teimam em expressar eleição após eleição desde o histórico 2002, é chegada a hora de ler o script do golpe – que já não se esconde.
Retrocedamos, pois, ao limiar daquele outono de 1964, quando, já em nome do “combate à corrupção”, os mesmos meios de comunicação evocavam a “ética” contra o governo trabalhista de então, que, tenhamos presente, cometia o “crime” de combater a desigualdade renitente que infecta a nação há 500 anos, só que com muito menos ousadia do que o atual.
No início dos anos 1960, o Coeficiente de Gini, que mede a concentração de renda das nações, em sua versão verde-amarela, já altíssimo, alcançava a marca pornográfica de 0,52 – quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade.

Aos trancos e barrancos, no limiar do golpe Jango Goulart retomara, em certa medida, o controle do governo, após tentativas civilizadas de impedir que adotasse medidas contra uma chaga nacional que escandalizava o mundo e mantinha o país agrilhoado ao atraso.
A expressão “reforma agrária” também escandalizava, só que aos detentores do que, à época, tinha muito mais importância do que hoje: a propriedade da terra. E, para colocar lenha na fogueira, os movimentos estudantil e sindical se entregavam, entre um devaneio e outro, ao idílio socialista. E o que é pior: sem fazer maior segredo.
Os arreganhos golpistas, para se venderem à sociedade, não falavam no “direito” dos ricos a concentrarem parcela indecente da renda. A ideia de que o povo estava sendo roubado pelo governo justificaria melhor a conspiração que já germinava nas redações dos donos da “imprensa”.
Era preciso, pois, construir “razões” para justificar o uso da força bruta a fim de obter o que, cada vez mais, ficava evidente que não seria obtido pelas urnas – até porque, na falta de votos, fraudá-las seria impossível estando os “comunistas” no poder, pois são os governos que organizam eleições.
Dez anos antes, a mesma desculpa fora usada para acuar aquele que, heresia das heresias, ousara erigir uma legislação trabalhista que tantos “custos” acarretara ao “pobre” capital.
A história do Brasil, como se vê, é a prova de que a “corrupção” sempre foi o artifício do capital e das elites para manter a esquerda, seu trabalhismo e seu viés distributivista de renda longe do poder de Estado.
A pontuação do coeficiente de Gini, naquele outono de 1964, era pouco maior do que é hoje. Com a ditadura, as coisas foram postas no lugar, ou seja, de 0,52, naquele momento, ao fim da ditadura foi parar em cerca de 0,60, em um processo que tornou o rico mais rico e o pobre, mais pobre.
Entre todas as razões para o golpismo se erguer de novo por estas bandas, portanto, a queda vertiginosa do Gini que marcou os governos Lula e Dilma explica, como nada mais, a volta das acusações de corrupção ao grupo político que, no poder, é responsável por, em dez anos, devolver ao Brasil o que a ditadura levou vinte para lhe roubar – em 2012, o índice é pouco menor do que o de 1964.
No entanto, se as razões de hoje para o golpismo via acusações de corrupção ao governo de turno são as mesmas de há meio século, o script do golpe teve que ser reescrito. Não existe mais o inimigo externo a ameaçar tomar os bens das famílias mais abastadas para entregá-los à ralé preguiçosa, morena e inculta.
Sem a ameaça de tropas vermelhas a marchar sobre a nação, não se justifica mais o uso das forças armadas para golpear a democracia. É por aí que começou a ser construída, em Honduras, uma modalidade de golpe que há pouco se reproduziu no Paraguai de forma mais próxima – porém ainda grosseira – do modelo que se pretende aplicar por aqui.
O golpe “constitucional” de Honduras inaugurou a modalidade, o do Paraguai a refinou um pouco mais, mas ainda não o suficiente para ser usada no Brasil. O ansiedade por retomar o poder naqueles países pecou pelo tempo escandalosamente curto para desenvolver o processo.
No Brasil, com a comunicação de massas, o Judiciário, os militares e boa parte da classe política de acordo, pode-se dar tempo ao tempo, começando a devorar a democracia pelas beiradas.
A aceleração que se está vendo do processo, portanto, deve-se à gota d’água que foram as eleições de 2012, que extirparam aos golpistas contemporâneos qualquer esperança em obter do povo a colaboração eleitoral para recolocá-los no poder.
Pela burrice de que padecem os autoritários, confiaram na “burrice” popular que acreditaria, por exemplo, em uma revista que há dez anos, semana após semana, só enxerga e denuncia corrupção em um único partido, em um único nível de governo. Passada a última surra eleitoral, aplicada bem quando a bomba atômica (o julgamento do mensalão) foi detonada, não há mais esperança.
A condenação ditatorial de José Dirceu, José Genoino e outros petistas menos relevantes não conspurcou nem o PT, nem Lula e muito menos o governo Dilma Rousseff. Acabaram-se as ilusões.
Assim, o golpismo destro-midiático descobriu que o povo simplesmente se recusa a acreditar que o PT inventou a corrupção  no país – premissa contida no fato de petistas serem os primeiros políticos a ser condenados pelo STF após mais de cem anos de história republicana.
Eis que a ingenuidade de Lula e de Dilma, quase inacreditável, foi um presente dos deuses – ou dos demônios – para o golpismo tupiniquim. Lula, um estrategista político como nunca se viu outro no Brasil, nomeou, de olhos fechados, inimigos políticos para o cargo que dá a quem ocupa a prerrogativa de processar até o presidente da República.
Dessa maneira, há poucas dúvidas – se é que existe alguma – de que o doutor Roberto Gurgel aceitará, gostosamente, a denúncia que a oposição faz àquele que responsabiliza por suas derrotas eleitorais, o que ela faz por não entender que o que leva o povo a votar nos que ele indica não são seus belos olhos, mas a distribuição de renda e oportunidades.
Os golpistas mais espertos, então, já sabem que anular Lula será insuficiente enquanto a vida do brasileiro continuar melhorando. Mesmo que consigam fazer o processo dele andar até as eleições de 2014, de forma a chegar lá desmoralizado, a situação do país reelegerá Dilma.
Se mesmo após Lula ter sido inocentado nas investigações sobre o mensalão agora estão conseguindo envolvê-lo com matérias  meramente opinativas de revistas e jornais, o que custará “descobrirem”, antes de agosto – quando Gurgel será substituído –, que a presidente, que integrou o governo anterior, também integrou a “quadrilha”?



Deixem o Homem respirar! Parasitas!



Lamentável que a imprensa tenha se submetido a chegar tão baixo. Nesse esgoto fétido que a Grande Imprensa vive, seu único objetivo é tirar Lula e o PT do páreo das eleições de 2014. Pra eles tudo é válido porque eles, tudo pode. À Grande Imprensa é permitido tudo. Ela está acima da lei, do povo e da democracia.

Pra se ter uma idéia, todos os textos dos “colun
istas”, “pensadores”, “formadores de opinião”, de hoje, de ontem e pelo que parece, de sempre, será de perseguição a Lula e a tudo que a ele pertença ou esteja vinculado. Pelo menos até a saída, desistência ou morte do maior líder popular da história desse país. Aos mais fanáticos e defensores da Globo, Veja, Estadão e Folha, vocês não achas estranho que eles (os “colunistas”) não encontrem nenhuma qualidade no Lula, no PT e no Governo do PT?

A direita no Brasil, formada por partidos, grande imprensa e elite conservadora, não vai desistir da luta pelo caminho desleal... Até porque, pensam eles, pelo caminho da renovação, da verdade e do crescimento partidário, levaria no mínimo 100 anos. Até lá, Lula e seu partidinho já teria transformado o Brasil num país em que a elite conservadora não aceita. Igualdade, crescimento social, divisão de rendas, são algumas das palavrinhas que fazem gelar a espinha dorsal da massa cheirosa.

Lula e o PT, são os verdadeiros formadores de opinião. Criaram um movo modo de governar por meios de programas que estão diretamente relacionados ao “petista” ou “lulista”, e que são consideradas jóias da coroa não só aqui mas, em mais de 70 países no mundo. Embora o PT seja um partido com muitos problemas, ele tem feito a grande diferença. E seria possível que muitos desses problemas poderiam nem existir, se tivéssemos uma imprensa imparcial e uma justiça justa! 

Por mais que os cães raivosos esbravejem, mais ainda a fama de Lula se expande e muito mais pessoas passam a admirá-lo. Entre os cães raivosos, me permitam relacionar o nome de três deles, os mais determinados a exterminação do Lula: Reinado Azevedo, Augusto Nunes e Arnaldo Jabor. Esses três não conseguem disfarçar o grande ódio. Chega a ser possível detectar nas entre linhas de seus textos. Como pessoas podem viver tendo como único objetivo na vida, destruir uma pessoa, seja ela quem for? Pelo menos, é o que eu percebo! E você?

 Postado no Perfil do face Mil ton

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

BARBOSA EXIGE PROVAS CABAIS PARA OUVIR VALÉRIO


:
Relator da Ação Penal 470 avisa que só aceitará a proposta de delação premiada de Marcos Valério se ele for capaz de comprovar as supostas acusações contra o ex-presidente Lula, mas se mostra desconfiado em relação ao empresário mineiro; Marco Aurélio Mello diz que a ficha pode ter caído tarde demais; consenso na corte é que nada será usado na Ação Penal 470.


247 – A tabelinha entre a revista Veja e a procuradoria-geral da República talvez não alcance a acolhida desejada no Supremo Tribunal Federal. Relator da Ação Penal 470, o ministro Joaquim Barbosa já mandou avisar que só abrirá a hipótese de delação premiada pedida pelo empresário Marcos Valério se o pivô do mensalão for capaz de comprovar suas acusações contra o ex-presidente Lula – neste fim de semana, a revista Veja, a partir de supostas declarações de Valério, o envolve até no caso Celso Daniel.
Sobre a hipótese de delação, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal afirma que “a ficha pode ter caído tarde”. Ou seja, o benefício ao réu poderia até ter sido admitido, mas em outras fases do processo – e não agora que Valério se vê condenado a mais de quarenta anos de prisão.
Leia, na coluna de Mônica Bergamo, o que Joaquim Barbosa pensa sobre o caso:
QUERO PROVAS
O ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão, não deve apoiar com facilidade propostas de delação premiada de Marcos Valério. Ele já disse, em seus votos e a interlocutores, que o publicitário blefa, se contradiz e revela apenas meias verdades nas tentativas que fez de envolver outras pessoas -como Lula- no caso para tentar se livrar da prisão.

QUERO PROVAS 2
Barbosa disse aos mesmos interlocutores, nas últimas semanas, que até acredita que Valério tenha informações relevantes. Mas desconfia do fato de ameaçar trazê-las a público num momento crucial do julgamento. Só apoiaria livrar o réu da prisão em troca de informações se ele apresentasse provas "cabais" do que diz.

NADA A DECLARAR
O ministro está agora na Alemanha e não se manifestou sobre o novo depoimento que Valério deu ao Ministério Público. Marcelo Leonardo, advogado de Valério, diz que não tem "nada a declarar".

TANTO FAZ
Ministros do STF não se impressionam com o fato de Valério e seus sócios entregarem os passaportes às autoridades. Lembram que o médico Roger Abdelmassih fugiu sem o documento, depois inclusive de ter sido preso ao tentar renová-lo.

EM CASA
O advogado Marcelo Leonardo diz que Marcos Valério entregou o passaporte e nunca mais viajou, "ao contrário de vários outros". Nas duas vezes em que já foi preso, "foi encontrado dentro de sua própria casa".

Dois jornalões morrem na semana

Altamiro Borges

Circulou ontem (31) a última edição do Jornal da Tarde, após 46 anos de existência. Já neste domingo (4) também deixará de existir o Diário do Povo, fundado há cem anos e que circulava nos 24 municípios da região de Campinas (SP). O fim destes dois jornais segue uma dinâmica mundial e comprova a grave crise da mídia impressa. Entre outros fatores, ela decorre da explosão da internet, que faz migrar os leitores, e também da perda de credibilidade dos jornalões e revistonas, cada vez mais partidarizados e direitistas.

Segundo os dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC), o Jornal da Tarde imprimiu em setembro passado uma média de 36.800 exemplares diários. Na década de 1990, com seu projeto gráfico inovador e suas aprofundadas reportagens, o JT chegou a ter 190 mil exemplares diários. Com a decisão do Grupo Estado de fechar o JT, os 53 jornalistas do extinto diário serão incorporados, “temporariamente”, ao velho Estadão, pertencente à mesma empresa da decadente famiglia Mesquita.

O medo da internet

Em seu editorial de ontem, o Estadão lamentou a “saída de cena” do JT, o irmão bastardo do grupo empresarial. Sem esboçar qualquer autocrítica – um traço comum da velha e arrogante mídia “privada” –, ele criticou o advento da internet. “As modernas ferramentas de comunicação estão no centro desse estranho processo de regressão. A submissão acrítica ao fascínio da velocidade sem rumo devolve a humanidade a uma crescente incapacidade de pensar e vai reduzindo a vida a uma sucessão de reações automatizadas”. Patético!

Já no caso do Diário do Povo, o grupo RAC (Rede Anhanguera de Comunicação) simplesmente informou que o fim do centenário jornal deveu-se a sua inviabilidade financeira. Nos últimos 12 meses, segundo a empresa, a circulação média do jornal foi de apenas 3,5 mil exemplares diários. Já o outro diário do grupo, o Correio Popular, tem uma tiragem de 31,9 mil exemplares. A ideia do grupo é reforçar o veículo que ainda atrai anúncios publicitários. Nada de saudosismo ou críticas à internet – apenas negócios capitalistas.

Mudanças no bolo publicitário

A grave crise da mídia impressa tem abalado o modelo de negócios dos velhos feudos midiáticos. A tiragem cai e os anúncios somem – apesar do mercado publicitário estar em alta no país. De janeiro a agosto deste ano, ele cresceu 10% e movimentou R$ 19,4 bilhões, segundo recente balanço do Projeto Inter-Meios. Os jornais ainda ocupam o segundo lugar no bilionário ranking da publicidade – com participação de 11,4% e faturamento bruto de R$ 2,2 bilhões até agosto. Mas o setor vem perdendo espaço para outras mídias.

A TV aberta continua na liderança folgada. Até agosto, ela faturou R$ 12,6 bilhões e ficou com 65% do bolo publicitário. O meio que mais cresceu no período foi o da TV por assinatura – alta de 16% e faturamento de R$ 888 milhões. Já o meio digital cresceu 14,33% e abocanhou R$ 980,9 milhões – 5% do total. Segundo o Projeto Inter-Meios, não são apenas os jornais que perdem espaço. As revistas também estão em queda. O setor encolheu 3,67% no período e faturou R$ 1,2 bilhão – 6% de participação. A revista Veja que se cuide! 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Mídia prepara bote contra Lula




Há quem afirme que o julgamento do chamado “mensalão do PT” deve deixar os holofotes da mídia. Afinal, ele já teria cumprido o seu objetivo de evitar uma derrota ainda mais acachapante da oposição demotucana nas eleições de outubro. Não concordo. O julgamento midiático no STF tinha dois objetivos: um imediato, tático, eleitoral. Outro mais estratégico, visando desmoralizar as forças de esquerda. Para atingir este segundo objetivo, o ex-presidente Lula, como principal referência das esquerdas, precisa ser abatido.


Delação premiada de Valério

Nesta semana, a mídia “privada” já deu mostras que prepara o bote contra o Lula. Ela não está satisfeita apenas com a condenação e o “fuzilamento” de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares. Hoje o Estadão estampou em sua capa que o publicitário Marcos Valério prestou um depoimento ao sinistro procurador-geral da República, Roberto Gurgel, acusando o ex-presidente e o ex-ministro Antonio Palocci de envolvimento no esquema do “mensalão”. Ele teria pedido “delação premiada” para confirmar as suas “denúncias”’.

“Valério informou que tem o que dizer. Em troca de proteção, ele se dispõe a colaborar. Tomado pelos nomes que levou à mesa, o provedor das arcas do mensalão é portador de segredos insondáveis. Citou Lula e o ex-ministro Antonio Palocci, dois nomes que não constam do processo sob julgamento no STF... Informou que foi ameaçado de morte. E insinuou que dispõe de informações sobre outro caso: o assassinato do ex-prefeito petista de Santo André, Celso Daniel, em 2002”, descreve, excitado, Josias de Souza, da Folha.

PSDB, DEM e PPS exigem "apuração"

Ontem, o mesmo Estadão – que declarou em editorial seu apoio ao tucano José Serra e, num outro editorial, lamentou a popularidade de Lula ao eleger Fernando Haddad em São Paulo – publicou entrevista com Clara Becker, ex-esposa de José Dirceu e mãe do deputado Zeca Dirceu (PT-PR). Abatida, ela teme pela prisão do ex-marido, garante que “Dirceu não é ladrão” e afirma que o ex-ministro sempre agiu em defesa do “projeto do Lula, que mudou o Brasil em 12 anos”. A estranha entrevista é utilizada, lógico, para incriminar Lula.

Esta nova onda midiática já começa a produzir os seus frutos políticos. Nesta semana, PSDB, DEM e PPS – que são pautados pela mídia – solicitaram oficialmente ao procurador-geral da República que o ex-presidente seja investigado. “É público e notório que, à época dos fatos, existia uma íntima ligação política e pessoal entre o representado [Lula] e o ex-ministro José Dirceu”, afirma o documento, assinado por Alberto Goldman, presidente em exercício do PSDB, Agripino Maia, do DEM, e Roberto Freire, do PPS.

A oposição demotucana, que encolheu em número de prefeitos e vereadores nas eleições de outubro, vai partir para a desforra. Ela pede a imediata abertura de uma nova ação penal, já que o Ministério Público havia rejeitado outra solicitação com o mesmo intento golpista. Alega que agora “há novos elementos” que exigem “profunda” investigação, sempre tendo como base artigos e “reporcagens” da mídia demotucana. Ou seja: as condenações de Dirceu, Genoino e Delúbio não encerram a guerra. E Dilma que se cuide! Ela também está na lista.

PSDB: Longe da periferia, longe da renovação



O filme já foi visto antes. Ao fim da campanha, após um resultado adverso nas urnas, toma forma no PSDB o discurso pela renovação de seus quadros. Foi o que aconteceu em 2006, quando o tucano Geraldo Alckmin, hoje governador de São Paulo, foi derrotado pelo petista Luiz Inácio Lula da Silva na eleiçãalo presidencial. Desde então, afirma Celso Roma, cientista político pela USP e especialista em partidos políticos e eleições, o processo de renovação foi colocado na geladeira para ser repetido, seis anos depois, após o revés sofrido agora por José Serra na corrida pela prefeitura de São Paulo. “As palavras não se transformaram em ações”, diz Roma.

Para ele, a legenda está tendo dificuldade em projetar novas lideranças e não se mostra capaz de ouvir ou criar pontes com a juventude do PSDB. Roma afirma que o partido deveria seguir o exemplo dos rivais petistas, que passaram por um processo de renovação induzido por circunstâncias adversas, como o escândalo do “mensalão”, hoje julgado pelo Supremo Tribunal Federal. “Isso forçou o partido a apresentar candidatos novos ou desvinculados do escândalo de corrupção. Onde o PT insistiu em velhas lideranças, perdeu”.
O especialista cita, entre os motivos da derrota de Serra em São Paulo, o desgaste da gestão Gilberto Kassab, a omissão da campanha na periferia, onde Fernando Haddad recebeu mais votos, e a incapacidade de se livrar do rótulo anti-pobre colado nele pelos adversários. Ele critica a estratégia tucana de levar a homofobia para o centro do debate mas minimiza os efeitos da aproximação com lideranças polêmicas como o pastor Silas Malafaia. “Tanto Haddad quanto Serra receberam apoio de personalidades polêmicas ou implicadas em escândalos de corrupção.”
Roma faz projeções sobre o futuro de Serra e da oposição e se mostra descrente sobre uma possível guinada do hoje aliado PSB de Eduardo Campos, governador de Pernambuco. Confira abaixo a entrevista.

CartaCapital: O que explica o resultado da eleição em São Paulo?
Celso Roma: O candidato derrotado do PSDB, José Serra, concorreu sob condições adversas. Além de ser rejeitado por mais de um terço dos eleitores, Serra defendeu a continuidade de uma administração reprovada por mais de dois terços dos paulistanos. Em contraste, o candidato vitorioso do PT, Fernando Haddad, apresentou com antecedência um programa de governo, propondo mudança de gestão e novos projetos para a cidade.

CC: Quem perdeu mais na disputa, o PSDB ou José Serra?
CR: Ambos saíram derrotados da eleição em São Paulo. O candidato amargou outra derrota nas urnas. O partido perdeu a cidade que lhe conferia poder, prestígio e visibilidade.

CC: Quais foram os erros da campanha tucana?
CR: Na disputa do segundo turno da eleição, Serra concentrou seus compromissos no centro expandido da cidade, onde ele havia sido vitorioso. Além de ter feito menos eventos que o seu adversário, o candidato do PSDB visitou poucos bairros da periferia. Haddad fez carreatas e promoveu encontros inclusive nos redutos do PSDB, onde conseguiu diminuir a desvantagem em relação ao adversário no 1º turno.

CC: Isso ajudou a campanha do PT a apresentar Serra, durante a campanha, como um candidato anti-pobre? Essa imagem pegou?
CR: Nos debates da televisão, José Serra não conseguiu responder de uma forma satisfatória às questões levantadas por Fernando Haddad sobre pobreza e inclusão social. No programa do Serra, faltou destacar uma seção com projetos exclusivos para a população carente. Durante a campanha, faltou contato com os representantes de bairros da periferia. O contato com os moradores poderia reverter a imagem de Serra como candidato dos ricos, transmitida e reforçada pelo PT.

CC: Foi um erro, no caso de Serra, se aproximar de líderes conservadores como Silas Malafaia? O apoio dessas lideranças polêmicas não vai de encontro com o discurso histórico do partido?
CR: Tanto Haddad quanto Serra receberam apoio de personalidades polêmicas ou implicadas em escândalos de corrupção. Nesse quesito, os dois candidatos se assemelham. Assim como ocorreu com o PT ao longo dos últimos anos, o PSDB também se aproximou do campo conservador da política, diluindo o progressismo que marcou a fundação de ambos os partidos.

CC: Serra buscou uma agenda moralizante para a campanha e levou ao centro do debate as críticas à cartilha anti-homofobia produzida pelo Ministério da Educação na gestão Haddad. Isso o prejudicou?
CR: O problema está em discutir assuntos nacionais em uma eleição onde o que interessa aos eleitores são propostas para solucionar os problemas da cidade. A agenda de São Paulo deveria incluir projetos nas áreas de transporte, habitação, saneamento, educação e saúde. Políticas sobre aborto e anti-homofobia já estão sendo debatidas no Congresso Nacional.

CC: Nesta lógica, qual a necessidade de abordar o julgamento do “mensalão” numa eleição municipal?
CR: O assunto, por ser relevante, ao envolver ética e política, deveria e foi bem explorado por José Serra durante a campanha. Mas não interferiu no voto dos paulistanos, confirmando pesquisa Datafolha realizada em setembro. Ocorre que menos de 20% dos paulistanos estavam dispostos a mudar o voto em razão do julgamento de líderes e aliados do PT. Desse pequeno grupo, apenas metade dos eleitores deixaria de votar em Fernando Haddad.

CC: Com a derrota de Serra, o coro pela renovação dentro do PSDB tende a tomar corpo a partir de agora?
CR: O discurso sobre a renovação do PSDB é entoado desde a derrota de Geraldo Alckmin na eleição de 2006 para a Presidência. Já se passaram seis anos. Até este momento, as palavras não se transformaram em ações.

CC: Por quê?
CR: O PSDB está tendo dificuldade em projetar novas lideranças. Os quadros do partido envelheceram. Por outro lado, a juventude do PSDB não recebe por parte dos cardeais incentivo para se envolver com a organização e se lançar como candidatos nas eleições.

CC: Como seria feita esta mudança?
CR: O PSDB tem de aprender com as lições de seu principal rival. O PT também passou por um processo de renovação induzido por circunstâncias adversas. Neste ano, foram eleitos quatro ex-líderes da CPI dos Correios, dois deles, Eduardo Paes e Gustavo Fruet, são ex-deputados pelo PSDB que foram para a base parlamentar da presidente Dilma. Isso revela que o partido tem dificuldade de valorizar novas lideranças e manter em seus quadros filiados com potencial de vencer eleições. Se a Executiva Nacional do PSDB tivesse interferido nos diretórios fluminense e curitibano, essas personalidades teriam permanecido no partido. No PT, o julgamento do mensalão no STF forçou o partido a apresentar candidatos novos ou desvinculados do escândalo de corrupção. Onde o PT insistiu em velhas lideranças, perdeu.

CC: Qual deve ser o futuro político de José Serra? Deixar o partido? Disputar eleições legislativas? Ou bater o pé para uma nova chance em cargo executivo?
CR: Análises vislumbram de uma forma precipitada o fim da carreira de José Serra. No passado e no presente, temos contra-exemplos. Na década de 1990, muitos analistas propunham mudança do candidato do PT à Presidência, após Lula ser derrotado nas urnas por três vezes. Recentemente, após perder a eleição para senador em 2010, o tucano Arthur Virgílio foi enterrado, para neste ano ressuscitar e comandar a Prefeitura de Manaus.

CC: Quem ganha, no PSDB, caso Serra saia de cena?
CR: Aécio Neves pode ocupar o espaço de liderança nacional do PSDB, desde que os dirigentes do PSDB executem o plano para torná-lo conhecido além do território de Minas Gerais e desde que o neto de Tancredo Neves apresente um programa de governo.

CC: No PT, Haddad foi um nome imposto por Lula. No PSDB, Serra também foi colocado à frente de outros quatro pré-candidatos. O que esses episódios dizem sobre a democracia interna dos dois principais partidos do país?
CR: Os dois episódios não permitem generalização. Candidatos a prefeito impostos por Lula perderam em inúmeras cidades, incluindo capitais do país. O que devemos entender é que os líderes e os militantes dos partidos têm diferentes prioridades. Por estar mais envolvida no jogo eleitoral, a liderança prioriza a conquista do governo ou participação dele, mesmo que isso implique em formar alianças com adversários ou impedir a candidatura do favorito entre os filiados. De outro lado, a militância se motiva basicamente por ideologia, em defesa do programa do partido, desconsiderando muitas vezes as consequências de suas decisões.

CC: Apesar da derrota em SP, o PSDB cresceu nas grandes cidades e avançou pelas capitais. Dá para dizer que, de um modo geral, se saiu bem das urnas?
CR: No estado de São Paulo, apesar da derrota na capital e em outras cidades-chave, o PSDB elegeu o maior número de candidatos. Neste ano, o partido elegeu 176 prefeitos, enquanto o PT conseguiu 67. Mas a queda do total de prefeitos eleitos pelo PSDB é um sinal de alerta para o governador Geraldo Alckmin.

CC: O PSB também cresceu nas eleições. O sr. imagina que o partido estará de qual lado daqui pra frente? É possível que se apresente como uma nova oposição? Se sim, que impacto isso teria na oposição tradicional formada pelo trio PSDB/DEM/PPS?
CR: O segredo do sucesso do PSB está justamente em participar de um governo popular, ter acesso a ministérios e secretarias e ser privilegiado tanto na liberação das emendas parlamentares ao Orçamento como na transferência de recursos da União para estados e municípios. Se fosse para a oposição, correria o risco de perder espaço no governo Dilma e ter de enfrentar uma candidata à reeleição com alto índice de aprovação pessoal e administrativa.



Governo federal anuncia 100% dos royalties do petróleo para educação






O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), considerou na quarta-feira, dia 31, como de interesse estratégico a proposta do governo de usar 100% dos royalties do petróleo para o setor da educação. “Os recursos do petróleo são finitos, portanto, aplicá-los em educação assegura um desenvolvimento sustentável do País, no longo prazo. Investir em educação potencializa nosso parque industrial, nossa ciência e tecnologia”, disse.
Tatto observou que o Brasil não pode repetir a experiência de outros países, que gastaram os recursos oriundos da exploração do petróleo de forma imprevidente e hoje convivem com bolsões de miséria. Em contraste, a Noruega, lembrou o líder, adotou um modelo exemplar, nos últimos 40 anos, destinando os recursos do petróleo para a educação. Hoje, aquele país tem um dos maiores índices de desenvolvimento humano do planeta.
Estima-se que os novos contratos e leilões possam gerar uma arrecadação de pelo menos R$30 bilhões nas próximas décadas.
A proposta do governo, para ser aplicada aos novos contratos a serem assinados tanto para a camada do pré-sal como na do pós-sal, foi comunicada na quarta-feira, dia 31, à coordenação da bancada do PT na Câmara pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante. O ministro afirmou que a presidente Dilma Rousseff defende mudança nas regras apenas para os novos contratos de exploração dos campos e, ainda, que todo o dinheiro proveniente dos royalties seja aplicado em educação tanto para a parte da União, quanto a dos estados e a dos municípios.
O líder Jilmar Tatto já marcou uma reunião da bancada para terça-feira, dia 6/11, para tratar do tema, cuja votação é considerada prioritária pelo presidente da Câmara, Marco Maia (PT/RS). Da reunião com Mercadante participaram também o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT/SP) e o relator do projeto que trata da distribuição dos royalties do petróleo (PL 2565/11), deputado Carlos Zarattini (PT/SP).
Jilmar Tatto observou ainda que há agora um duplo desafio: para Zarattini, o de ajustar seu relatório diante de uma proposta bem clara do governo; e, para Chinaglia, o de construir o apoio junto à base do governo para a aprovação da matéria. Ele acredita que o projeto poderá ser votado na próxima semana. “O importante é que o governo agora anunciou uma posição bem clara a respeito dos royalties”, disse.
Segundo o ministro Aloizio Mercadante, a proposta do uso dos royalties do petróleo é a alternativa “concreta” para garantir a destinação, em dez anos, de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) ao setor, conforme prevê o Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado este mês pela Câmara dos Deputados. O Projeto de Lei 8035/2010, que trata do PNE, ainda será votado no Senado.
“É um compromisso da presidenta. É o compromisso do governo”, disse o ministro. O governo, entretanto, deverá enfrentar muitas resistências às propostas, já que Estados, municípios e muitas áreas do próprio governo contam com parte dos recursos do pré-sal e dos royalties para garantir seus investimentos.
“Seguramente, é uma posição de governo. Nós vamos defender, com bastante convicção, que todos os royalties do petróleo, tanto do pré-sal como dos royalties do petróleo que não foram repartidos para frente, e pelo menos metade do fundo social sejam canalizados exclusivamente para a educação em todos os níveis”, completou Mercadante.
O apoio do governo foi confirmado pela própria Dilma em audiência com o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Daniel Iliescu. “A única alternativa real e concreta que eu vejo é vincularmos todos os royalties do petróleo à educação em todos os níveis, federal, estadual e municipal, além de 50% do fundo social [do pré-sal].”
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