quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Obama abre caminho para Pontífice Preto: L.Boff


FONTE: leonardoboff


Teólogo rebelde diz Obama pode abrir caminho para Pontífice primeiro negro

Entrevista dada à Rede Bloomberg parágrafo Josué Goodman 19/02/13

Teólogo rebelde diz Obama abre caminho para Pontífice Preto

Por Joshua Goodman - 19 de fevereiro de 2013 11:09 GMT-0300
Cardeais católicos impressionados com aumento de Barack Obama ao poder pode ser encorajados a eleger o primeiro papa negro, de acordo com um teólogo brasileiro, uma vez silenciados pelo cardeal Joseph Ratzinger antes de se tornar papa.
Leonardo Boff disse que as chances de um Africano como o Cardeal Peter Turkson de Gana se tornar o próximo pontífice são slim depois que o papa Bento XVI nomeou mais de 117 cardeais que vai escolher seu sucessor em um conclave no próximo mês. Ainda assim, a eleição de Obama como presidente dos EUA pode abrir velha guarda do Vaticano para mudar, aliviando oposição à contracepção sacerdotes e as mulheres, disse ele.

Leonardo Boff disse que as chances de um Africano como o Cardeal Peter Turkson de Gana se tornar o próximo pontífice são slim depois que o papa Bento XVI nomeou mais de 117 cardeais que vai escolher seu sucessor em um conclave no próximo mês. Fotógrafo: Gregorio Borgia / AP Photo
"Sem dúvida a presença de Obama vai ser sentida entre os cardeais", Boff, ex-frade franciscano um que estudou com Ratzinger na Universidade de Munique, em 1960, disse em uma entrevista por telefone. "Nós já temos um presidente negro, então por que não um presidente negro religioso?"
Boff foi um expoente inicial da Teologia da Libertação , um movimento iniciado por sacerdotes da América Latina durante a Guerra Fria, que ficou do lado de pobres da região. Como chefe doutrinário do Vaticano escritório, Ratzinger acusou a campanha de tendências marxistas, e em 1985 ele silenciou Boff para a publicação de um livro crítico da liderança da igreja. Boff deixou a igreja em 1992, mais tarde, acusando o futuro papa de " terrorismo religioso ".

"Fracasso" de Bento XVI

Enquanto o Boff, de 74 anos de idade, disse que respeita intelecto Bento, chamou-o de "autoritário" e "fracasso" um como Papa, citando a sua manipulação de um escândalo de abuso sexual que levou a acusações de pedofilia contra milhares de sacerdotes e sacudiu o núcleo da missão da Igreja como portadora da moralidade.
"Bento nunca questionou uma das causas da pedofilia, que é a sexualidade dos padres e educação sexual nos seminários", Boff disse em uma entrevista de 15 de fevereiro de Araras, uma aldeia agrícola e turístico enclave nas colinas cobertas de selva fora do Rio de Janeiro. "Ele considera o celibato uma lei imutável."
Um Africano ou da América Latina papa com experiência de vida pastoral seria mais sensível à necessidade de renovação, e poderia usar seu poder monárquico, sozinho, reversa doutrina sobre o celibato e outras questões polêmicas, disse ele.
"Tudo depende do papa vindo do terceiro mundo", disse Boff, autor de mais de 60 livros sobre religião e assessor de grupos de protesto políticos, incluindo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Brasil. "Continuidade não será suficiente agora. Tivemos alguém que era inteligente, mas como papa, ele foi um fracasso. "

Reação do Vaticano

Um oficial sênior do Vaticano disse que o papa chamando uma falha devido a escândalos sexuais na igreja é como culpar Obama por fraqueza na economia global. Enquanto um pontífice Africano pode ser eleito, de pensar que ele reverter ensino sobre contracepção ou mulheres sacerdotes é pensar um não-católico poderia tornar-se papa, disse o funcionário, que pediu para não ser identificado porque o Vaticano deliberações são confidenciais.
O conclave para escolher o próximo papa pode ter lugar até 15 de Março, se todos os cardeais votantes chegar em Roma no tempo, porta-voz da Santa Sé , Federico Lombardi, disse em uma coletiva de imprensa em 16 de fevereiro. Autoridades do Vaticano gostaria de ter um novo papa no lugar antes da Páscoa, feriado mais importante do catolicismo, que é em 31 de março deste ano, diariamente Repubblica informou em 17 de fevereiro.
Da América Latina, Honduras Oscar Rodriguez Maradiaga é um cardeal capazes de modernizar a instituição milenar e inspirando um rebanho cada vez menor, disse Boff. Ele disse que uma escolha mais provável, com maior tração entre a liderança do Vaticano, Turkson é de Gana, que está atualmente em segundo atrás de Milan Arcebispo Angelo Scola na corrida para suceder Bento, de acordo com a Dublin com base em apostas Paddy Power Plc.

"Semi-revolucionária"

Enquanto Boff disse que não sabe Turkson pessoalmente, ele disse que seus comentários em favor de uma igreja mais africanizadas são "semi-revolucionária" para a Santa Sé. Turkson disse que a escolha de um papa do mundo em desenvolvimento, onde mais de metade do mundo 1,2 bilhões católicos vivem, seria um longo caminho para o fortalecimento da influência da Igreja em países emergentes.
Enquanto três papas nos primeiros dias da igreja veio de África do Norte, no momento em territórios sob domínio romano império, não houve Papa Africano na era moderna.
Escolhendo um latino-americano ou Africano papa poderia também ajudar as finanças do Vaticano em um momento em paróquias na Alemanha e os EUA ainda estão se recuperando do custo dos processos judiciais e atendimento igreja diminuição provocada pelo escândalo de abuso sexual, disse Boff.
"O Vaticano enfrenta uma enorme crise financeira, porque as suas duas maiores fontes de financiamento estão caindo aos pedaços", disse ele. "A igreja, por necessidade financeira, vai optar por se tornar uma igreja mais simples."

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Alemanha: Salários reais são hoje mais baixos que em 2000

FONTE: esquerda.net

Foto: Trabalhadores do sindicato dos serviços alemão (Ver.Di) em greve

Os salários aumentaram mas não o suficiente. Tendo em conta a inflação, os alemães ganham menos hoje que em 2000. Segundo alguns especialistas, aumento dos salários na Alemanha poderia ajudar a ultrapassar a crise do Euro.


Os trabalhadores alemães têm novamente um pouco mais de dinheiro para gastar. Os salários reais, ou seja, tendo em conta o efeito da inflação, aumentarem nos últimos três anos. Mas, ainda assim, são mais baixos que no milénio anterior. É isso que demonstram os recentes cálculos do Instituto de Investigação Económica e Social (WSI)
Nos últimos três anos os salários aumentaram 1,2%, depois 1,0% e, por fim, 0,6%; contudo, as perdas acumuladas dos anos anteriores não foram compensadas, afirmou na passada terça-feira Reinhard Bispinck, um especialista em salários do WSI. De acordo com o Instituto de Investigação Económica e Social, entre 2000 e 2012, os salários brutos desceram sensivelmente 1,8%. A conjuntura económica desfavorável e as reformas laborais (particularmente as reformas Hartz) têm, desde 2000, aumentado a pressão sobre os salários. Para além disso, o crescimento dos setores de remunerações baixas tem agravado esta tendência, segundo o mesmo instituto.
Os salários negociados pelos sindicatos tiveram uma subida mais acentuada que os salários no seu todo, disse Bispinck. Em termos reais, os salários negociados pelos sindicatos aumentaram 6,9% no ano passado, em relação a 2000.
“Isso significa que a negociação sindical dos salários na última década, mais do que nunca, foi a espinha dorsal da evolução salarial na Alemanha”, disse o especialista da WSI.
A discrepância mantém-se
Bispinck analisou também o desenvolvimento dos rendimentos do capital, empresariais e também oriundos do trabalho. “A discrepância mantém-se”, nota o economista.
Os seus cálculos mostram que, entre 2000 e 2012, os rendimentos do capital e os lucros empresariais aumentaram cerca de 50% - com uma desaceleração em 2009, como resultado da crise económica.
Os salários nominais cresceram apenas cerca de 24%. Apesar da instabilidade das taxas de juro terem afetado o rendimento do capital, os salários têm vindo a melhorar. Uma procura interna forte é importante para a estabilidade económica, diz Bispinck. E acrescenta “o aumento em massa do poder de compra através do aumento dos salários é, por isso, essencial”.
Alguns economistas, como Peter Bofinger, defendem um forte aumento salarial para estimular a procura interna e, assim, estabilizar a crise do Euro. Mark Carney - que será o próximo Governador do Banco da Inglaterra – afirmou, perante uma comissão parlamentar em Londres, que um aumento dos salários na Alemanha poderia atenuar a crise do Euro, dado que o aumento dos rendimentos estimula o consumo.

Jornalista francês desmonta farsa da agente da CIA Yoani Sánchez


FONTE: esquerdopata

O jornalista nem perguntou como é que ela, pobrezinha, tem tudo  que diz que só os dirigentes do governo cubano têm. O governo poderia facilmente deixá-la sem celular, sem banda larga e sem laptop, mas não faz isso. Poderia ter feito quando ela voltou da Suíça e montou um blog violentamente anticubano e pró-americano, mas nunca fez nada, nem ameaçou uma total e completa desconhecida do mundo. A situação ficou tão constrangedora que a palhaça inventou uma agressão que ninguém viu, apesar dela avisar a mídia do mundo inteiro, que constatou a ausência de qualquer sinal de agressão. Pessoas não-identificadas agrediram-na sem deixar uma marca e não tomaram seu celular, nem seu inseparável laptop, coisas que ela diz que os  cubanos não têm acesso. Aparentemente o governo cubano fornece celulares, laptops e acesso à internet somente para os inimigos da revolução, gente que dá entrevista ao vivo para a rádio Jovem Pan e a Globo, que liga da CADEIA para o Estadão, que fala para o mundo inteiro, o tempo inteiro, para explicar o quanto eles não podem se manifestar livremente, tadinhos...

Entrevista completa AQUI no Opera Mundi
Salim Lamrani

Yoani Sánchez é a nova personalidade da oposição cubana. Desde a criação de seu blog, Generación Y, em 2007, obteve inúmeros prêmios internacionais: o prêmio de Jornalismo Ortega y Gasset (2008), o prêmio Bitacoras.com (2008), o prêmio The Bob's (2008), o prêmio Maria Moors Cabot (2008) da prestigiada universidade norte-americana de Colúmbia. Do mesmo modo, a blogueira foi escolhida como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo pela revista Time(2008), em companhia de George W. Bush, Hu Jintao e Dalai Lama. Seu blog foi incluído na lista dos 25 melhores do mundo do canal CNN e da Time(2008). Em 30 de novembro de 2008, o diário espanhol El País a incluiu na lista das 100 personalidades hispano-americanas mais influentes do ano (lista na qual não apareciam nem Fidel Castro, nem Raúl Castro). A revista Foreign Policy, por sua vez, a considerou um dos 10 intelectuais mais importantes do ano, enquanto a revista mexicana Gato Pardofez o mesmo para 2008.

O encontro com a jovem dissidente de fama controvertida não ocorreu em algum apartamento escuro, com as janelas fechadas, ou em um lugar isolado e recluso para escapar aos ouvidos indiscretos da "polícia política". Ao contrário, aconteceu no saguão do Hotel Plaza, no centro de Havana Velha, em uma tarde inundada de sol. O local estava bem movimentado, com numerosos turistas estrangeiros que perambulavam pelo imenso salão do edifício majestoso que abriu suas portas no início do século XX. 

Yoani Sánchez vive perto das embaixadas ocidentais. De fato, uma simples chamada de meu contato ao meio-dia permitiu que combinássemos o encontro para três horas depois. Às 15h, a blogueira apareceu sorridente, vestida com uma saia longa e uma camiseta azul. Também usava uma jaqueta esportiva, para amenizar o relativo frescor do inverno havanês.



Foram cerca de duas horas de conversa ao redor de uma mesa do bar do hotel, com a presença de seu marido, Reinaldo Escobar, que a acompanhou durante uns vinte minutos antes de sair para outro encontro. Yoani Sánchez mostrou-se extremamente cordial e afável e exibiu grande tranquilidade. Seu tom de voz era seguro e em nenhum momento ela pareceu incomodada. Acostumada aos meios ocidentais, domina relativamente bem a arte da comunicação. 

...
SL - Justamente, a senhora não tem a impressão de que a imprensa ocidental a usa porque a senhora preconiza um "capitalismo sui generis" em Cuba?

YS - Não sou responsável pelo que a imprensa faz. Meu blog é uma terapia pessoal, um exorcismo. Tenho a impressão de que sou mais manipulada em meu próprio país do que em outra parte. O senhor sabe que existe uma lei em Cuba, a lei 88, chamada lei da "mordaça", que põe na cadeia as pessoas que fazem o que estamos fazendo.

SL - O que isso quer dizer?

YS - Que nossa conversa pode ser considerada um delito, que pode ser punido com uma pena de até 15 anos de prisão.

SL - Perdoe-me, o fato de eu entrevistá-la pode levá-la para a cadeia?

YS - É claro!

SL - Não tenho a impressão de que isso a preocupe muito, pois a senhora está me concedendo uma entrevista em plena tarde, no saguão de um hotel no centro de Havana Velha.

YS - Não estou preocupada. Esta lei estipula que toda pessoa que denuncie as violações dos direitos humanos em Cuba colabora com as sanções econômicas, pois Washington justifica a imposição das sanções contra Cuba pela violação dos direitos humanos.

SL - Se não me engano, a lei 88 foi aprovada em 1996 para responder à Lei-Helms Burton e sanciona sobretudo as pessoas que colaboram com a aplicação desta legislação em Cuba, por exemplo fornecendo informações a Washington sobre os investidores estrangeiros no país, para que estes sejam perseguidos pelos tribunais norte-americanos. Que eu saiba, ninguém até agora foi condenado por isso.

Falemos de liberdade de expressão. A senhora goza de certa liberdade de tom em seu blog. Está sendo entrevistada em plena tarde em um hotel. Não vê uma contradição entre o fato de afirmar que não há nenhuma liberdade de expressão em Cuba e a realidade de seus escritos e suas atividades, que provam o contrário?

YS - Sim, mas o blog não pode ser acessado desde Cuba, porque está bloqueado.

SL - Posso lhe assegurar que o consultei esta manhã antes da entrevista, no hotel.

YS - É possível, mas ele permanece bloqueado a maior parte do tempo. De todo modo, hoje em dia, mesmo sendo uma pessoa moderada, não posso ter nenhum espaço na imprensa cubana, nem no rádio, nem na televisão.

SL - Mas pode publicar o que tem vontade em seu blog.

YS - Mas não posso publicar uma única palavra na imprensa cubana.

SL - Na França, que é uma democracia, amplos setores da população não têm nenhum espaço nos meios, já que a maioria pertence a grupos econômicos e financeiros privados.

YS - Sim, mas é diferente(Nota do esquerdopata: ela não pode publicar nada no Granma e eu não posso na Folha/Veja/Globo, mas é diferente. Diferente no quê?)

SL - A senhora recebeu ameaças por suas atividades? Alguma vez a ameaçaram com uma pena de prisão pelo que escreve?

YS - Ameaças diretas de pena de prisão, não, mas não me deixam viajar ao exterior. Fui convidada há pouco para um Congresso sobre a língua espanhola no Chile, fiz todos os trâmites, mas não me deixam sair.


Leia mais em: Blog Sujo : Jornalista francês desmonta farsa da agente da CIA Yoani Sánchez
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PSB SOBE TOM DE CRÍTICAS AO GOVERNO DILMA

FONTE: brasil247

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Com a possibilidade cada vez mais próxima e real do governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, lançar-se candidato à Presidência, muitos correligionários estão subindo o tom das críticas ao governo e à própria presidente; último lance veio do vice-presidente da sigla, Roberto Amaral, que disse que Dilma é lenta para tomar decisões e pouco aberta ao diálogo, muito embora tenha reafirmado a permanência da legenda na base governista.


PE247 - Com a possibilidade cada vez mais próxima e real do governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, lançar-se candidato à Presidência da República em 2014, muitos correligionários estão subindo o tom das críticas ao governo e também contra a própria  Dilma Rousseff (PT).  O  último lance nesta direção veio do vice-presidente da sigla socialista, Roberto Amaral, que disse a presidente é lenta para tomar decisões e pouco aberta ao diálogo.  Embora, afirme que o partido está ao lado da presidente e que é necessário ajuda-la a vencer 2013, Amaral soltou o verbo ao dizer que “ela não tem respondido nossas críticas do jeito que gostaríamos. Respeitamos a presidente Dilma, mas isso não quer dizer que a gente deixe de dar nossa contribuição crítica. O dever do aliado é ser crítico”, disse em entrevista à Rádio Folha FM.
Apesar de bater duro contra a presidente, Amaral se valeu do discurso utilizado por Eduardo Campos acerca do pleito majoritário do próximo ano. “Em vez de discutirmos eleições, devemos discutir a crise. Vamos ajudar a vencer 2013. Se não conseguirmos podemos tomar outra atitude, mas no momento estamos com a presidente. Não será o PSB que irá encurtar o mandato da presidente Dilma”, garantiu.
O ano de 2013 é considerado decisivo pelo PSB. O desempenho da economia – associado a formação de alianças e ao desempenho dos prefeitos eleitos pelo partido no último leito – é visto como essencial para o lançamento da candidatura de Eduardo rumo ao Planalto. Caso o desempenho da economia fique aquém do esperado, Eduardo poderá posicionar-se como uma alternativa ao modelo petista de gestão, mantendo o mote das conquistas obtidas pelo Partido dos Trabalhadores  nos últimos anos. Neste caso, o modelo de renovação é a chave do discurso a ser adotado.
Já o presidente estadual do PT, deputado federal Pedro Eugênio, rebateu as críticas de Amaral e lembrou que os socialistas integram a base governista, incluindo com o comando do Ministério da Integração Nacional e da Secretaria de Portos. “Antes de emitir qualquer opinião, seria bom ele falar com o presidente do partido dele, com os ministros que integram o governo Dilma, Com o ministro Fernando Bezerra (integração) e Leônidas Cristino (Portos), já que eles fazem parte do governo e, talvez, sejam responsáveis por essa agilidade”, declarou ao jornal Folha de Pernambuco. “Sugiro que ele, que é vice-presidente do partido, esclareça se está falando por si – porque muitas vezes ele pode estar desinformado – ou se está falando pelo presidente do partido”, complementou. 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A IMPRENSA BRASILEIRA NÃO É DEMOCRÁTIC

FONTE: brasil247

Emir  Sader 
Ela é um resquício sobrevivente do passado oligárquico do Brasil, que começa a ser superado por governos a que – obviamente – essa imprensa se opõem frontalmente












EMIR SADER


* originalmente publicado na Carta Maior
A imprensa tradicional brasileira, a velha mídia, não é democrática, de qualquer ponto de vista que seja analisada.

Antes de tudo, porque não é pluralista. Do editorial à ultima página, a visão dos donos da 
publicação permeia tudo, tudo é editorializado. Não podem, assim, ter espaço para várias interpretações da realidade, deformada, esta, pela própria interpretação dominante na publicação, do começo ao fim.

Não é democrática porque não contém espaços para distintos pontos de vista nas páginas de debate, com pequenas exceções, que servem para confirmar a regra. 

Não é democrática porque expressa o ponto de vista da minoria do país, que tem sido sistematicamente derrotada desde 2002, e provavelmente seguirá sendo derrotada. Não expressa a nova maioria de opinião política que elegeu e reelegeu Lula, elegeu e provavelmente reelegerá a Dilma. A imprensa brasileira expressa a opinião e os interesses da minoria do país.

Não é democrática, porque não se ancora em empresas públicas, mas em empresas privadas, que vivem do lucro. Assim, busca retorno econômico, o que faz com que dependa, essencialmente, não dos eventuais leitores, ouvintes ou telespectadores, mas das agências de publicidade e das grandes empresas que ocupam os enormes espaços publicitários. 

São empresas que buscam rentabilidade para sobreviver. Que não se interessam por ter mais público, mas público “qualificado”, isto é, o de maior poder aquisitivo, para mostrar às agências de publicidade que devem anunciar aí. São financiadas, assim, pelas grandes empresas privadas, com quem têm o rabo preso, contra cujos interesses não vão atuar, o que seria dar um tiro no próprio pé.

Não bastasse tudo isso, as grandes empresas da mídia privada são empresas de propriedade familiar. Marinho, Civita, Frias, Mesquita – são não apenas os proprietários, mas seus familiares ocupam os postos decisivos dentro de cada empresa. Não há nenhuma forma de democracia no funcionamento da imprensa privada - são oligarquias, que escolhem entre seus membros os seus sucessores. Nem sequer pro forma há formas de rotatividade. Os membros das famílias ficam dirigindo a empresa até se aposentarem ou morrerem, e designam o filho para sucedê-los.

Tampouco há democracia, nem sequer formal, nas redações dessas empresas. Não são os jornalistas que escolhem os editores. São estes nomeados – e eventualmente demitidos – pelos donos da empresa, os que decidem as pautas, que têm que ser realizadas pelos jornalistas, com as orientações editorializadas da direção. 

Uma mídia que quer classificar quem – partidos, governos etc. – é democrático, é autoritária, ditatorial, no seu funcionamento, tanto na eleição dos seus dirigentes, quanto na dinâmica das suas redações.

Como resultado, não é estranho que essa mídia tenha estado ferreamente contra os mais populares e os mais importantes dirigentes políticos do Brasil – Getúlio e Lula. Não por acaso estiveram contra a Revolução de 30 e a favor do movimento contrarrevolucionário de 1932 e o golpe de 1964, que instalou a mais a sangrenta ditadura da nossa história. 

Coerentemente, apoiaram os governos de Fernando Collor e de FHC, e se erigiram em direção da oposição aos governos do Lula e da Dilma.

Em suma, a velha imprensa brasileira não é democrática, é um resquício sobrevivente do passado oligárquico do Brasil, que começa a ser superado por governos a que – obviamente – essa imprensa se opõem frontalmente.

A democratização do país começou pelas esferas econômica e social, precisa agora chegar urgentemente às esferas políticas – Congresso, Judiciário – e à imprensa. 

País democrático não é só aquele que distribui de forma relativamente igualitária os bens que a sociedade produz, mas o que tem representações políticas eleitas pela vontade popular, e não pelo poder do dinheiro. E que forma suas opiniões de forma pluralista e não oligárquica. Um país em que ninguém deixa de falar, mas em que todos falam para todos.

Como manter um povo dócil

Blog da Cidadania por Eduardo Guimarães


A Nação Brasileira, por exemplo, é uma entre tantas outras nações do dito Terceiro Mundo que, talvez com menor êxito que na nossa, há séculos são mantidas sob estrito controle por uma discretíssima elite intelectual, econômica, financeira, étnica e regional.
Controle em que sentido? No sentido mais óbvio em um país com tanta injustiça social: o controle da revolta de um povo que, em parcela expressiva, ainda se vê privado de um mínimo de igualdade de oportunidades e, portanto, de esperança.
Já foi pior, mas ainda nos falta muito para dizer que o Brasil já é um país justo. A apropriação de renda por setores minúsculos da sociedade, como mostra nosso coeficiente de 0,5 no índice de Gini, é absurdamente perversa.
Não vou ficar me estendendo sobre como a vida ainda é dura no Brasil tanto nas cidades quanto no campo. Quem não souber disso não pode ser daqui. Concentremo-nos em como fazer dezenas e dezenas de milhões de brasileiros não se revoltarem com tal situação.
Para manter toda essa gente no limite da lei – em certa parte, muito perto desse limite e, em parte bem menor, além dele – requer-se alguma forma de controle não tão dura quanto no tempo da ditadura, mas ao menos inclemente em termos de intensidade e recursos.
Legiões de brasileiros não têm vida própria, sobretudo nas grandes cidades. Tornamo-nos máquinas a serviço do capital e da nossa própria subsistência em um mundo em que tudo custa muito dinheiro.
Tomemos como exemplo uma cidade como São Paulo, habitat deste que escreve. Uma parcela descomunal desta população não tem mais do que alguns minutos para si nos dias úteis, espremida entre o horário de trabalho e deslocamento de ida e volta a ele e a hora de dormir.
Como manter tanta gente entretida para que, em dado momento, não “surte” ou caia em profunda depressão, tornando-se “economicamente inativa”?
O segredo está nos meandros da mente humana. A vida precisa, se não de um objetivo, ao menos de um alívio diante da adversidade. Mas não só. Precisa de grandes causas. E não precisam ser grandes na importância intrínseca, mas, ao menos, no número de adeptos.
O futebol, por exemplo. Que importância tem para além de nos ter projetado no mundo como um país de garotos habilidosos com uma bola? Nenhuma, claro. Não chega a engradecer uma nação que legiões de jovens pobres apostem no esporte como um dos principais meios de ingresso em uma vida melhor, ao lado da música popular.
Oxalá fôssemos um país que se notabilizasse pelos jovens que se destacam em áreas importantes do conhecimento ou como campeões nos estudos em nível mundial. Na falta disso, sobra-nos o futebol.
Fama, fortuna, mulheres… De repente, um garoto que até alguns anos antes vivia em uma comunidade paupérrima, torna-se milionário. Muitos sucumbem.
Muitos, aliás, não. São poucos os que chegam a obter tanto. Pouquíssimos. Mas isso não afasta legiões imensas de candidatos a “craque”. A fartura de candidatos, aliás, é o que nos permite localizar tantos “gênios” da bola.
Muito provavelmente, se este país oferecesse outras oportunidades tão atraentes em áreas em que mais de nós pudessem ter chance, talvez aparecessem menos craques de futebol.
E como se leva esse esporte a sério, no Brasil. Aliás, há que dizer que, viajando pela América Latina e por países europeus ao longo da vida, sempre ouvi nos dizerem “fanáticos”.
E não somos? Não me refiro a brigas em Estádios, porque essas há em qualquer país. Refiro-me a casos como o de um rapaz que pediu demissão para acompanhar seu time em uma final de campeonato no exterior ou do pai de família que tira do sustento dela para gastar indo a jogos de bola em Estádios.
Exaltar a sexualidade do povo também lhe dá um bom motivo para viver.
Dos programas de televisão em que o ideal feminino para milhões de meninas aparece como o de se tornar um pedaço de carne desfrutável sob estereótipos de beleza ao alcance de uma ínfima minoria de mulheres ao cume da erotização de uma sociedade, inclusive em seus estratos mais jovens, com o Carnaval.
Há pouco, pelas ruas do Brasil, vimos milhões de brasileiros alegres, parecendo ser as pessoas mais felizes da Terra e, o que é mais irônico, sendo, em realidade de grande parte, pessoas muito pobres e às quais falta o básico ou um pouco menos do que o básico.
Pessoas paupérrimas chegam a despender recursos que lhes fazem muita falta comprando fantasias para sair em escolas de samba de modo a mergulharem na viagem imaginária de riqueza, glamour e fama que o Carnaval propicia.
Finalmente, há “calmantes sociais” para os mais pacatos, tais como novelas ou cultos religiosos, com a diferença, entre estes, de que um distancia o paciente de sua própria vida e o outro o aproxima dela e lhe dá esperança de dar a volta por cima “pela Graça de Deus” ou, então, o faz se conformar com a “Vontade Divina” de que seja tão pobre.
Diante de tantas opções não sobra tempo para exigir justiça social ou procurar saber o que aqueles que elege para melhorar sua vida estão fazendo por essa causa. É bem menos chato mergulhar em tudo que o Brasil oferece para amortecer consciências.

Renúncia do papa não deverá mudar perfil conservador da Igreja Católica


Renúncia do papa não deverá mudar perfil conservador da Igreja Católica
Para Frei Betto, Bento XVI será o principal cabo eleitoral no conclave da sucessão
Publicado em 14/02/2013, 19:22
Última atualização em 15/02/2013, 09:15

São Paulo – A saída do papa Bento XVI e a eleição de seu sucessor não devem apontar para mudanças significativas na postura conservadora da Igreja Católica. "Ele vai ser o principal cabo eleitoral do conclave na sucessão. Então não vão eleger ninguém que não seja do seu agrado. Ele mesmo vai soprar dois ou três nomes", avalia o teólogo e escritor Frei Betto. "Seja quem for eleito, vai depender dele enquanto ele estiver vivo. Nós só vamos conhecer o novo papa depois que Bento XVI morrer. Porque jamais o sucessor ousará desagradá-lo."
Na opinião do professor Jorge Claudio Ribeiro, do Departamento de Ciências da Religião da PUC de São Paulo, as mudanças são uma questão de sobrevivência para a Igreja Católica. “Ou a Igreja muda ou se tornará irrelevante, por dois motivos: vai perder a credibilidade e por causa disso vai perder fiéis. Já está perdendo, mas vai perder definitivamente”, analisa Ribeiro. Para ele, especulações sobre se o papa será ou não da América do Sul, por exemplo, ser negro ou branco, são irrelevantes diante de algo mais importante. “O que precisa é alguém com olhar atento e amoroso para as pessoas. Não tem cabimento um papa reprovar a homossexualidade nos dias de hoje. Onde é que tem na Bíblia que Jesus reprovava?” 
Mas o conservadorismo, uma das marcas de Bento XVI, não abandonará o Vaticano após o conclave que elegerá o novo papa em meados de março. O papa renuncia, mas manterá o poder, acredita Frei Betto. Não haverá mudanças em questões como celibato, participação das mulheres na Igreja, reconhecimento do casamento entre homossexuais e outras. “Tudo isso vai continuar fechado enquanto Bento XVI estiver vivo. Mesmo que o novo papa esteja disposto a abrir o debate sobre essas questões”, arrisca o frade dominicano, que acha difícil apontar favoritos entre os cardeais na sucessão, à medida que o atual papa manterá sua influência. “Isso tudo é especulação. Mas eu acredito que vai ser um europeu, porque Bento XVI vai ser o principal cabo eleitoral. E a minha avaliação é que ele não escolherá um não-europeu.”

Fatores da renúncia

Para Frei Betto, embora a renúncia seja, “primeiro, um grande gesto de humildade, o que para Igreja é muito importante”, há também fortes motivações políticas para a atitude de Bento XVI. “Acho que é o resultado não só do estado de saúde dele e da idade avançada, mas de outros cinco fatores: os casos de pedofilia na Igreja, a corrupção no banco do Vaticano, o vazamento de documentos sigilosos, a traição do mordomo e o desgaste da Igreja Católica na Europa.” Como exemplo desse desgaste, o escritor diz que em países como Bélgica e Holanda, por exemplo, são realizados seminários que ficam praticamente vazios. 
Segundo o próprio papa, o motivo principal foi sua saúde e idade avançada. “Cheguei à certeza de que, pela idade avançada, já não tenho forças para exercer adequadamente o ministério petrino”, disse ele no comunicado em que tornou pública a renúncia, na última segunda-feira (11).
Entre os atuais 209 cardeais da Igreja Católica, 118 têm direito a voto (ainda não têm 80 anos). Cinco são brasileiros: Geraldo Magella, arcebispo emérito de Salvador; Raymundo Damasceno, cardeal-arcebispo de Aparecida; João Braz Avis, ex-arcebispo de Brasília, atual prefeito da Congregação para a Vida Consagrada; Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo; e Odilo Scherer, cardeal-arcebispo de São Paulo. Bento XVI deveria vir ao Brasil em julho, para a Jornada Mundial da Juventude.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Tucanagem: Aécio Neves e o nióbio de Araxá



Rogerio_CorreiaMG01
Deputado Rogério Correia pede audiência pública para debater a renovação sem licitação, por 30 anos, do contrato para exploração do nióbio pela CBMM fornecida por Aécio Neves.


A Comissão de Minas e Energia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais deverá, em sua primeira reunião deste ano, decidir sobre o pedido de audiência pública, formulado pelo deputado Rogério Correia (PT), para debater a prorrogação, sem licitação pela Codemig, por mais 30 anos, do contrato de arrendamento com a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) para exploração da mais valiosa lavra mineral do País e a mais estratégica do planeta.
A renovação ocorreu em 2003 logo após a posse do então governador, hoje senador Aécio Neves. Para se ter ideia do que significou, em matéria de ganho, a renovação para CBMM, que tem como atividade exclusiva a exploração da mina de nióbio de Araxá, sem a mina, cessa sua atividade.
Depois da renovação, a empresa vendeu 15% de suas ações por US$2 bilhões, ou seja, levando em conta apenas o valor de suas ações, a empresa valeria hoje US$28 bilhões, valor superior ao que o Estado de Minas Gerais arrecada por meio de todos os impostos e taxas em um ano.
Esta operação já havia causado desconfiança principalmente nas forças nacionalistas que acompanhavam de perto a movimentação, porque meses depois a CBMM venderia 15% de seu capital a um fundo coreano, que representa investidores não identificáveis.
“A CBMM tem o capital dividido entre o Grupo Moreira Sales e a Molycorp [Molybdenium Corporation], subsidiária da Union Oil, por seu turno, empresa do grupo Occidental Petroleum (Oxxi), muito embora seja fácil deduzir a prevalência do grupo alienígena, pelo histórico do banqueiro Walther Moreira Sales, tradicional ‘homem de palha’ de capitalistas estrangeiros, inclusive de Nelson Aldridge Rockefeller, que tanto se intrometeu na política do Brasil”, afirmou à reportagem do Novojornal o contra-almirante reformado Roberto Gama e Silva.
Acrescentando: “Circula por aí versão segundo a qual só as jazidas de nióbio dos Seis Lagos valem em torno de US$1 trilhão. Necessário esclarecer que por sua localização e facilidade de exploração a jazida de Araxá vale muito mais que a “Seis Lagos”.
O Ministério Público mineiro já investigava a renovação sem licitação do arrendamento celebrado pela Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), porém fatos recentes noticiados por Novojornal na matéria “CBMM vende à estatal japonesa poder de veto sobre o nióbio” comprovam também a prática de crime contra a soberania nacional. Trata-se da venda de mais 15% das ações da CBMM, dando poder de veto a uma empresa estatal japonesa.
Novojornal noticiou ainda que tais vendas ocorreram em função do quadro beligerante entre Aécio Neves e Oswaldo Borges da Costa, presidente da Codemig, dando início à divisão do que avaliam ser uma fortuna incalculável conseguida e a conseguir através da diferença entre a venda subfaturada e o valor real no exterior do nióbio.
O nióbio, riqueza que poderia significar a redenção da economia mineira e nacional, foi entregue, por meio de operação bilionária e ilegal, à empresa estatal japonesa Japan Oil, Gas and Metals National Corporation, em parceria com um fundo de investimento que representa os interesses da China.
Este é o final de um ruidoso conflito instalado no centro do poder de Minas Gerais que vem sendo, nos últimos dois anos, de maneira omissa e silenciosa, testemunhado pelo governador Antônio Anastasia.
Desde 2003, o então governador e atual senador Aécio Neves entregou a condução das principais decisões e atividades econômicas do Estado de Minas a Oswaldo Borges da Costa, que assumiu a função estratégica de presidente da Codemig, criando um governo paralelo.
Por trás deste cenário artificial operou um esquema de corrupção, que contou com a cumplicidade até mesmo da Procuradoria Geral de Justiça, que impedia a atuação do Ministério Público Estadual, à imprensa mineira jamais foi permitido tocar neste assunto.
Na audiência pública está previsto o comparecimento dos maiores especialistas do setor principalmente os ligados às Forças Armadas que veem promovendo gestões para federalizar, a exemplo da Petrobras, a exploração de Nióbio. Relatórios confidenciais da Abin e da área de inteligência do Exército demonstram como operou o esquema criminoso de subfaturamento montado pela Codemig/CBMM, por intermédio da Companhia de Pirocloro de Araxá.
As assessorias de imprensa da CBMM, da Codemig, do senador Aécio Neves e do governo de Minas Gerais foram procuradas e não quiseram comentar o assunto.
Documentos que fundamentaram a matéria
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Leia também:

737 donos do mundo controlam 80% do valor das empresas mundiais

Wall Street - Foto de Michael Aston/Flickr
FONTE: esquerda.net

Um estudo de economistas e estatísticos, publicado na Suíça neste Verão, dá a conhecer as interligações entre as multinacionais mundiais. E revela que um pequeno grupo de actores económicos – sociedades financeiras ou grupos industriais – domina a grande maioria do capital de dezenas de milhares de empresas no mundo. Por Ivan du Roy.


O seu estudo, na fronteira da economia, da finança, das matemáticas e da estatística, é arrepiante. Três jovens investigadores do Instituto federal de tecnologia de Zurique1 examinaram as interacções financeiras entre multinacionais do mundo inteiro. O seu trabalho - “The network of global corporate control” (“a rede de controlo global das transnacionais”) - examina um painel de 43.000 empresas transnacionais (“transnacional corporations”) seleccionadas na lista da OCDE. Eles dão a conhecer as interligações financeiras complexas entre estas “entidades” económicas: parte do capital detido, inclusive nas filiais ou nas holdings, participação cruzada, participação indirecta no capital...
Resultado: 80% do valor do conjunto das 43.000 multinacionais estudadas é controlado por 737 “entidades”: bancos, companhias de seguros ou grandes grupos industriais. O monopólio da posse capital não fica por aí. “Por uma rede complexa de participações”, 147 multinacionais, controlando-se entre si, possuem 40% do valor económico e financeiro de todas as multinacionais do mundo inteiro.
Uma super entidade de 50 grandes detentores de capitais
Por fim, neste grupo de 147 multinacionais, 50 grandes detentores de capital formam o que os autores chamam uma “super entidade”. Nela encontram-se principalmente bancos: o britânico Barclays à cabeça, assim como as “stars” de Wall Street (JP Morgan, Merrill Lynch, Goldman Sachs, Morgan Stanley...). Mas também seguradoras e grupos bancários franceses: Axa, Natixis, Société générale, o grupo Banque populaire-Caisse d'épargne ou BNP-Paribas. Os principais clientes dos hedge funds e outras carteiras de investimentos geridos por estas instituições são por conseguinte, mecanicamente, os donos do mundo.
Esta concentração levanta questões sérias. Para os autores, “uma rede financeira densamente ligada torna-se muito sensível ao risco sistémico”. Alguns recuam perante esta “super entidade”, e é o mundo que treme, como o provou a crise do subprime. Por outro lado, os autores levantam o problema das graves consequências que põe uma tal concentração. Que um punhado de fundos de investimento e de detentores de capital, situados no coração destas interligações, decidam, por via das assembleias gerais de accionistas ou pela sua presença nos conselhos de administração, impor reestruturações nas empresas que eles controlam... e os efeitos poderão ser devastadores. Por fim, que influência poderão exercer sobre os Estados e as políticas públicas se adoptarem uma estratégia comum? A resposta encontra-se provavelmente nos actuais planos de austeridade.
Artigo de Ivan du Roy, publicado em Basta!, traduzido por Carlos Santos para esquerda.net
O estudo em inglês pode ser descarregado aqui

As ilações de Joaquim Barbosa sobre a compra de votos


Por Diogo Costa
AP 470 E A VILANIA HISTÓRICA
FONTE: advivo
Joaquim Barbosa será lembrado pelos próximos 100 anos, tamanha a vilania com que tem agido nesse julgamento farsesco realizado num Tribunal de Exceção. Ele pinça frases de depoimentos, apenas àquelas que servem a tese acusatória e omite descaradamente o restante dos mesmos depoimentos para acolher com sofreguidão ao linchamento público dos réus. Barbosa está se revelando não um juiz, mas um assistente de promotor, ou, no popular, um Torquemada.
Passemos agora ao exame da PEC da Reforma Tributária, votada no ano de 2003. No dia 30 de abril de 2003 foi apresentada a PEC dessa reforma ao Plenário da Câmara dos Deputados. Posteriormente, a PEC tramitou pela Mesa da Câmara, também na CCJC (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania), na CFFC (Comissão de Fiscalização Financeira e Controle). Entre idas e vindas das Comissões e da Mesa da Câmara, são apresentadas 466 emendas e a matéria vai finalmente para a apreciação, em primeiro turno, no plenário da Câmara, no dia 02 de setembro de 2003. O corpo da matéria é aprovado em 04 de setembro, com 378 votos a favor e apenas 53 contra. Segue a tramitação em primeiro turno para a votação dos destaques e emendas. O procedimento de votação das emendas e destaques se estende e termina em 17 de setembro, quando é aprovado em definitivo e no todo a matéria em primeiro turno.
É feita nova redação e a PEC vai a votação no segundo turno na Câmara em 24 de setembro de 2003. A proposta é aprovada em segundo turno, ressalvados os destaques, no mesmo dia, com 346 votos a favor e 92 votos contrários. Os destaques são votados em seguida, a matéria é aprovada em definitivo pela Câmara em 24 de setembro e segue para a apreciação do Senado no dia seguinte. Após a tramitação no Senado, é promulgada a PEC em 19 de dezembro de 2003.
Passemos ao exame da votação da PEC da Reforma Tributária ocorrida no segundo turno em 24 de setembro de 2003 na Câmara dos Deputados:
Orientação Partidária - PT sim, PMDB sim, PFL não, PTB sim, PSDB não, PP sim, PL/PSL sim, PPS sim, PSB sim, PDT sim, PC do B sim, PSC sim, PRONA não, PV sim, Governo sim.
Agora, os votos nominais:
PC do B: 09 votos, 09 votos sim
PDT: 11 votos, 09 votos sim, 02 votos não
PFL: 53 votos, 14 votos sim, 39 votos não
PL: 32 votos, 32 votos sim
PMDB: 65 votos, 62 votos sim, 03 votos não
PP: 35 votos, 32 votos sim, 03 votos não
PPS: 18 votos, 18 votos sim
PRONA: 06 votos, 06 votos não
PSB: 13 votos, 13 votos sim
PSDB: 46 votos, 14 votos sim, 32 votos não
PT: 88 votos, 84 votos sim, 03 votos não (JPC pres. da Câm. sem voto)
PTB: 50 votos, 46 votos sim, 04 votos não
Agora me digam, como se pode inferir que o deputado A, B ou C foi ou não foi "comprado" para votar a favor de matérias de interesse do governo? Os 14 deputados do PSDB que votaram com o governo foram comprados? Os parlamentares do PL, que tinha o vice presidente da república José Alencar, portanto, eram da situação desde antes da posse de Lula, precisaríam ser comprados para votar a favor do governo do qual eram parte integrante? Somente no ano de 2003, foram votadas 196 leis ordinárias na Câmara dos Deputados, o PT comprou o resultado dessas votações? Porque compraria somente a questão da reforma tributária ou da previdência, se ambas contaram até mesmo com os votos da oposição? As reformas tributária e da previdência já vinham engatilhadas do governo FHC, foram votadas tranquilamente, a única dificuldade que o PT teve de aprovar a reforma da previdência foi acalmar os seus rebeldes. Não conseguiu, teve de expulsar alguns de seus parlamentares e a partir daí surgiu o PSOL...
Percebem o tamanho da vilania que o STF está fazendo ao considerar essa fraude da compra de votos? Isso é uma aberração. Primeiro, porque jamais se conseguirá provar uma situação dessas, a não ser que algum deputado resolva contar que foi comprado, como aconteceu com parlamentares que votaram a favor da emenda da reeleição de FHC (isso jamais foi investigado...), segundo, porque o governo não precisava comprar o apoio de partidos que já faziam parte da sua base aliada desde as eleições de 2002! E, terceiro, porque comprar votos quando se tem considerável parcela de votos de membros da própria oposição? Porque comprar deputados se o problema maior do governo Lula sempre foi o Senado e não a Câmara dos Deputados? Se o governo conseguia aprovar matérias num Senado completamente hostil, porque precisaria comprar votos na Câmara, onde a situação sempre foi mais confortável?
Essa análise que estou fazendo agora da PEC da Reforma Tributária se aplica sem problema algum para qualquer outra matéria votada no Congresso naquele período, em especial à PEC da Previdência... Enfim, quem quiser acreditar em contos de fadas, que se sinta a vontade. Eu denunciarei até o último dos meus dias essa farsa dantesca que estamos a presenciar no STF. A denunciar esse linchamento político sem base alguma, repito, sem base alguma na realidade concreta e objetiva dos fatos... 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

MÁSCARAS DE BARBOSA FORAM O MICO DO CARNAVAL


A "grande imprensa" expressa a classe média


FONTE: caduamaral


O governo federal quer distribuir conversores para o sinal digital da TV para famílias de baixa renda. Logo a Folha de São Paulo já trata o tema de forma pejorativa. Obviamente que botou na boca de sabe-se lá quem. Diz que o programa ganhou o apelido de “bolsa novela”, mas não diz quem o deu.

É a velha lógica de soltar a opinião como informação e sempre na boca do vento. A informação não tem fonte concreta. Boato mesmo.

Os jornalões ainda sobrevivem por dois motivos básicos: verba pública e a classe média tradicional.

A verba publicitária pública deveria ser mais bem distribuída a fim de ajudar a garantir pluralidade na informação e opinião que circula no país. Somente assim teremos uma Imprensa, com “I” maiúsculo, independente de verdade no país e não como hoje, independente dos fatos.

E a classe média tradicional é portadora de inúmeros preconceitos, seja de classe, seja de qualquer tipo. É ela que se regozija com os editoriais da “grande imprensa”. É ela que comenta os horrores da distribuição de renda nos cafés chiques das grandes cidades. Principalmente quando voltam de viagem. “Os aeroportos estão cheios de pobre”.

O reajuste da gasolina – abaixo da inflação – é o mais novo motivo para os chiliques. A classe média usa como argumento que só ela produz e passa o dia na rua e que se gasta mais com gasolina do que com energia. É a tentativa torpe de desqualificar a redução da conta de luz.

É o umbigo acima do coletivo. Por mais que se necessite da gasolina, ela não é o item que mais onera a produção.

Trata-se de um umbiguismo sem igual e em Alagoas é pior. Ela não passa da corte da “doce elite açucareira” que manda e desmanda no Estado. A classe média alagoana é tão cega em sua vaidade que não percebe que assim como os “matutos” que deram origem às quadrilhas juninas imitando as danças e roupas da nobreza, ela quer imitar, ser como a elite.

As roupas matutas das quadrilhas juninas têm remendo por que as roupas da nobreza não tinham rasgos. Como os pobres não compravam roupas novas, eles a remendavam para parecer com a moda da corte.

A elite não dá a mínima para a classe média, seja em Alagoas ou no restante do Brasil. Do mesmo jeito que a realeza não dava a mínima para a corte ou a nobreza. Eram apenas “xeleléus” a quem se mostrava a sua inigualável condição de superioridade.

É para esse público que os editoriais dos jornalões se dirigem. Um público extremamente conservador, baseado em valores que mesmo quando eles surgiram no Brasil – na época do Império – em outros cantos do mundo já estavam em decadência.

A Tradição, Família e propriedade (TFP) tão útil à implantação da ditadura e à manutenção das oligarquias no poder no país nunca deixou de manter sua influência. Mesmo de forma indireta. A lógica da TFP é a lógica da classe média tradicional.

Existe um debate sobre se a chamada nova classe média é realmente classe média. Se ela possui os hábitos da tradicional. Ou mesmo um debate sobre a disputa política dessa nova classe média.

Sobre adquirir os hábitos da classe média tradicional, isso seria lamentável. Milhões de pessoas melhoraram de vida e não podem se tornar aduladores da “Casa Grande”. Daí a importância da disputa política desses setores que ascenderam socialmente de 2003 para cá.

A “bolsa novela” é a mais uma amostra do ranço de uma pretensa elite com o restante do povo.

Logo a Miriam Leitão vai dizer no Bom Dia (?) Brasil que isso vai gerar inflação; Veja vai dizer que isso é esquema do Marcos Valério e sob o comando de Lula; Folha e Estadão vão afirmar que existe uma denúncia na Procuradoria Geral da República e que Roberto Gurgel vai abrir um processo para investigar e claro, Joaquim Barbosa do STF, vai defender a investigação.

E classe média tradicional vai chiar nos cafés e salões de beleza da alta roda: “agora pobre que ter sinal digital na sua TV!”
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