terça-feira, 22 de janeiro de 2013

José Mujica Presidente escolhe viver sem regalias do cargo


Por SIMON ROMERO


MONTEVIDÉU, Uruguai - Vários líderes mundiais vivem em palácios. Alguns gozam de regalias como ter um mordomo discreto, uma frota de iates ou uma adega com champanhes vintage.
E há José Mujica, o ex-guerrilheiro que é presidente do Uruguai.
Ele mora numa casa deteriorada na periferia de Montevidéu, sem empregado nenhum. Seu aparato de segurança: dois policiais à paisana estacionados em uma rua de terra.
Em uma declaração deliberada a essa nação pecuarista de 3,3 milhões de pessoas, Mujica, 77, rejeitou a opulenta residência presidencial de Suárez y Reyes, com seus 42 empregados, preferindo permanecer na casa onde mora há anos com a mulher, num terreno onde eles cultivavam crisântemos para vender em mercados locais.
Seu patrimônio líquido ao assumir o cargo, em 2010, era equivalente a cerca de US$ 1.800 -o valor do Fusca 1987 estacionado na sua garagem.
Ele nunca usa gravata e doa cerca de 90% do seu salário, principalmente para projetos de habitação popular.
Seu radicalismo discreto -notavelmente diferente da época em que ele empunhava armas para tentar derrubar o governo- exemplifica a emergência do Uruguai como o país mais liberal da América Latina em questões sociais.
O governo Mujica chamou a atenção por tentar legalizar a maconha e o casamento homossexual, por colocar em vigor uma das mais abrangentes leis da região sobre o direito ao aborto e por ampliar fortemente o uso de recursos renováveis, como as energias eólicas e de biomassa.
Para que a democracia funcione adequadamente, argumenta Mujica, os líderes eleitos deveriam ser postos um degrau abaixo. "Temos feito todo o possível para tornar a Presidência menos venerada", disse ele.
Poucos poderiam imaginar que Pepe, como é conhecido, chegaria a esse cargo. Ele foi líder da guerrilha urbana Tupamaros, responsável por sequestros e assaltos a bancos.
A polícia o capturou em 1972, e ele passou 14 anos preso, sendo mais de uma década em confinamento solitário, às vezes num buraco no chão. Passava mais de um ano sem tomar banho, e seus companheiros, segundo conta, eram uma perereca e ratos com os quais ele partilhava migalhas de pão.
Mujica raramente fala sobre a sua época na prisão, que diz ter sido um tempo para refletir. "Aprendi que sempre se pode recomeçar."
Ele entrou para a política e, em 2009, ganhou a eleição por ampla margem.
As doações que faz o deixam com um salário em torno de US$ 800. Mujica disse que ele e a mulher, a senadora Lucía Topolansky, uma ex-guerrilheira que também esteve presa, não precisam de muito para viver.
O Uruguai aparece consistentemente entre os países mais seguros, menos corruptos e menos desiguais da região. Sua economia continua crescendo confortavelmente, a uma taxa de 3,6% ao ano. Mas nem todos aprovam o estilo de Mujica.
A proposta de legalizar a maconha, em especial, provocou um inflamado debate, e as pesquisas mostram que a maioria dos uruguaios se opõe.
"É uma vergonha ter um presidente como esse homem", disse Luz Díaz, 78, uma empregada doméstica aposentada que mora perto de Mujica e votou nele em 2009.
"Essa coisa da maconha, isso é absurdo", acrescentou.
As pesquisas mostram que a popularidade dele está em baixa. Mas Mujica diz "não estar nem aí para isso".
"Se eu me preocupasse com as pesquisas, não seria presidente", diz ele.
Mujica lamenta que tantas sociedades priorizem o crescimento econômico, o que vê como "um problema para a nossa civilização", devido à demanda sobre os recursos do planeta.
Os olhos de Mujica se iluminam ao evocar uma passagem de "Dom Quixote" em que o cavaleiro errante toma vinho de um chifre e come carne de cabra salgada com seus anfitriões pastores, fazendo uma arenga contra "a pestilência da galanteria".
"Os pastores de cabras eram as pessoas mais pobres da Espanha", disse Mujica.
"Provavelmente", acrescentou, "eram as mais ricas". 

A fortuna de Silas Malafaia




A controvertida revista Forbes, destinada ao mundo dos ricaços, divulgou nesta semana um estudo sobre o patrimônio financeiro dos principais pastores brasileiros. Ela aponta Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, com uma fortuna estimada de US$ 950 milhões. Já o pastor Silas Malafaia, presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, surge com uma riqueza calculada em US$ 150 milhões. O primeiro não se pronunciou sobre a matéria, já o segundo reagiu indignado e disparou: “Vou ferrar estes caras”.


Mônica Bergamo, na Folha, ouviu o “pastor”. Ele contesta o cálculo da Forbes e estima que seu patrimônio seja de apenas R$ 6 milhões – “nem 2% dos US$ 150 milhões”. Desgastado com suas constantes bravatas preconceituosas e direitistas – nas duas últimas campanhas eleitorais, Malafaia foi um ativo apoiador do tucano José Serra –, ele também teme pela fuga de fiéis. Vale conferir as notinhas de Mônica Bergamo:

*****

MEU QUINHÃO

O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, estima seu patrimônio em R$ 6 milhões, nem 2% dos US$ 150 milhões que a "Forbes" atribuiu a ele, em reportagem sobre os líderes evangélicos mais ricos do Brasil. Ele promete ajuizar ação contra a revista americana nos EUA. "Vou ferrar esses caras", diz. "Vivo de renda voluntária. Eles me prejudicaram. [O fiel] vê aquilo e pensa, 'ih, não vou [dar o dízimo], tá me roubando."

VEJA BEM

O grosso de seu patrimônio, diz Malafaia, são nove imóveis. Uma casa comprada por R$ 800 mil "e que hoje deve valer R$ 2,5 milhões" na zona oeste do Rio, onde é vizinho de Ary Fontoura e Fernanda Lima. E ainda: apartamento para os três filhos (R$ 400 mil cada um), quatro adquiridos na planta por R$ 450 mil e outro em Boca Raton, na Flórida (R$ 500 mil).

Diz que doou à igreja uma Mercedes blindada. "Presente de aniversário de um empresário rico, parceiro meu."

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O pastor midiático, que adora posar de paladino da "ética", deveria abrir o seu sigilo bancário e fiscal para esclarecer os fiéis e a sociedade. 

sábado, 19 de janeiro de 2013

Pesquisa prova: sob governo tucano, o medo instalou-se em Sampa



Esta 4ª edição do estudo Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município (iRBEM), pesquisa realizada pelo IBOPE a pedido da Rede Nossa São Paulo - um conjunto de ONGs voltadas à discussão de políticas públicas -, evidencia mais uma vez o fracasso de 20 anos dos governos do PSDB em São Paulo. E não apenas com os indicadores de segurança pública, mas também com os da saúde, da educação, da confiança nas instituições... É apagão em tudo.


O levantamento mostra que a sensação de insegurança do paulistano no ano passado - quando recrudesceu a escalada da violência - foi a mais alta registrada na capital desde 2008. A pesquisa IRBEM aponta que 91% dos entrevistados acham pouco ou nada seguro viver na cidade.

A opção “nada seguro”, aliás, aumentou de 35% para 45% no último ano. Atenção: realizada no fim de 2012, a pesquisa coincidiu com a onda de violência que os governos tucanos,  há duas décadas no poder no Estado, não conseguem debelar.

População pede combate a corrupção na polícia e nos presídios

Feita entre os dias 24 de novembro e 8 de dezembro de 2012, a pesquisa entrevistou 1.512 moradores da capital paulista com 16 anos ou mais. Sua margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Na classificação por tipos, "Violência em geral" causa medo em 71% dos entrevistados - contra 67% que a indicaram em 2011; “Assalto /roubo” ficou em 2º lugar, com 63% como causa do medo dos paulistanos; e “Sair à noite”,  (41%).

Indagados sobre “quais ações e medidas são mais importantes para diminuir a violência”, a maioria dos paulistanos pesquisados respondeu:  “combater a corrupção na polícia e nos presídios” . Em seguida, as respostas mais comuns foram “criar oportunidades de trabalho para jovens de baixa renda” e “aumentar o número de policiais nas ruas.”

Governo do Estado evita comentar pesquisa

Sobre toda essa violência na Capital, perceptível pela população como demonstra o estudo, o governo tucano de Alckmin, via Secretaria de Segurança Pública, informou que não comenta pesquisas realizadas por outros órgãos sem conhecer a metodologia empregada.

O IRBEM propõe nada menos que 169 itens para que os paulistanos respondam e revelem seu nível de satisfação em relação à qualidade de vida e bem-estar na capital. Em uma escala que começa em 1 (totalmente insatisfeito) e termina em 10 (totalmente satisfeito), a  média geral para a qualidade de vida caiu em São Paulo para 4,7 em 2012, a menor desde o início da série. Esta média geral foi de  4,8 em 2009, 5 em 2010 e 4,9 em 2011.

O levantamento apurou, também o nível de confiança da população nas instituições. Como nas edições anteriores do IRBEM, a Câmara Municipal é a que desperta maior desconfiança (69%), seguida pelo Tribunal de Contas do Município (64%), pela Polícia Civil (60%) e pela Polícia Militar (60%).

Percepção da população é de que educação só piora

A pesquisa revela que, na capital, o tempo médio para utilização dos serviços públicos de saúde para consultas passou de 52 para 66 dias; para exames, de 65 para 86 dias; para procedimentos mais complexos (internações, intervenções cirúrgicas etc), de 146 para 178 dias.

A percepção sobre a educação, estável até 2011, em 2012 apresentou quedas significativas nas médias obtidas sob todos os aspectos. A falta de vagas em creches ou pré-escolas e a falta de respeito e valorização ao profissional de ensino são os aspectos mais críticos.

De acordo com a pesquisa em 2012, pelo 2º ano consecutivo, 56% dos entrevistados afirmaram que sairiam da capital se lhes fosse dada a oportunidade de viver em outro lugar. Caiu de 44% para 38% o número de moradores que consideram que a qualidade de vida melhorou.

Como se vê, a pesquisa com indicadores não apenas sobre  segurança mas, também, sobre saúde e educação - ou seja, praticamente de todo o governo - é um desastre para Alckmin e para o tucanato que governa o Estado há 20 anos longos anos.

FONTE: zedirceu

Resposta a Danilo Gentili sobre piada de homossexuais assassinados


FONTE: pragmatismopolitico

danilo gentilli homofobia brasil


O apresentador Danilo Gentili, da TV Bandeirantes, ironizou o Relatório Anual de Assassinato de Homossexuais (LGBT) relativo a 2012 que aponta um crescente número de crimes motivados por homofobia no Brasil

Por Tedney Moreira
Prezado Danilo Gentili,
Como muitos, sou um telespectador. Ou como qualquer um, na verdade – pois a lógica midiática atual nos considera a nós, seres humanos, números com que aumentar lucros e, por esta razão, descartáveis e substituíveis. As críticas que eu fizer a tal ou qual programa, propaganda, não serão impactantes conquanto eu possa ser, número que sou, trocado por outro “número”, bastando cooptá-lo na tão valorosa (ironia) tarefa de aumentar o “ibope” e o sucesso das suas produções.
Mas, ainda assim, e talvez porque ainda me reste a dignidade de um ser humano em latência (elemento esquecido da lógica midiática), eu insisto em criticar e em refletir sobre o que se passa e o que se profere em nome dessa liberdade de expressão e de comunicação que, a despeito do que se impõe a todos os demais direitos fundamentais (isto é, sua equiparação), se considera superior a todos os demais e, por isso, intocável.
Suas “piadas” são abjetas e a última delas (sobre homicídios de homossexuais), um delito. Não se preocupe: a homofobia não foi criminalizada pelo nosso Congresso, composto por representantes de “números” quando eles mesmos não o são. Mas incentivar a intolerância, a violência, achar risível a miséria humana (sempre esqueço do desconhecimento da mídia sobre o assunto) e torná-la porta de entrada de lucros é dos atos cruéis o mais comum e, por isso mesmo, o mais velado e recorrente.
Penso agora que os “números” que picharam as paredes do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília, com os dizeres “Quem gosta de dar, gosta de apanhar“, devem ter rido bastante com a sua piada infame. Parabéns por diverti-los e, num mesmo ato de “expressão”, ter varrido para debaixo do tapete toda a violência contra pessoas que não têm como se defender, a não ser assumindo estereótipos também engraçados (ironia) de alguém que gosta de dar o cu e que, na sua visão que é a de muitos, limita-se a isso.

[Nota: este site já publicou centenas de casos que reforçam o que está exposto neste texto e no relatório. Nos links abaixo, o leitor poderá conferir alguns]

Este “número” que vos fala ainda tem uma voz (aliás, talvez fosse o caso de vossa senhoria começar a pensar em piadas que nos tornem também mudos, para facilitar a liberdade de vocês, “comunicadores sociais”) e ela não quer se calar diante do riso irrisível.
Ao contrário do que imagina, não é dando o cu que você conseguirá ter mais segurança. Sinto informá-lo (se este tiver sido o seu único plano de autodefesa), mas isto apenas o tornará alvo da violência, que não se limita a uma violência de sangue.
Você será violentado pelo alijamento familiar; pela incompreensão dos pais; pela segregação nas escolas de “alunos-números” e de “educadores-números”; pela restrição de direitos civis; por atos de tortura institucional; por espancamentos, escarradas e ofensas dadas ao acaso, enquanto passeia pela Avenida Paulista e pelas ruas do seu bairro; pelo assassinato motivado por sua condição. Você será, por fim, violentado pela impossibilidade de constituir relações de afeto verdadeiras (pois o parceiro tem medo do som do riso que pessoas como você provocaram).
O riso, ao contrário do que pensa (pensa mesmo?) não é um mero ato de divertimento: o riso é um instrumento de poder.
Por ele, os que “nos fazem rir” expõem o “objeto risível” e, assim, colocam as coisas nos seus “devidos lugares” (ironia).
Por que continuamos, os “números”, a rir, então? Porque ao rir nós nos apartamos do objeto risível. Dizemos aos outros “números” do lado que nós somos tão humanos como eles (costumavam ser), que não somos aquilo de que se ri e que, portanto, somos iguais e fazemos parte do Todo. Porque no fundo sempre fizemos – mas não rir de algo tão engraçado como a sua piada (ironia) é nos colocar novamente na posição de vítima em potencial.
Asseguro a vossa senhoria (uma potestade da liberdade de expressão) que muitos dos que “gostam de dar o cu” também riram da sua sublime colocação (ironia), mas posso imaginar como lhes dói o peito que teve não só que soltar em espasmos o ar contido (isso é o riso e tão-só), como abjurar da própria dignidade para não serem, depois, cerceados da própria vida.
Você como hétero (imagino) deve achar engraçado que algumas pessoas dêem seus cus a custa de… nada? Apenas para informá-lo (talvez não o saiba ou finja não saber), a sexualidade das pessoas é muito mais do que o sexo que praticam. Mas isto pouco importa quando os “números” estão satisfeitos e se pode dormir tranqüilo, embora com menos segurança, já que não terá dado o cu naquele dia, não é mesmo?
Homossexuais que são mortos e entram para uma lista específica de homicídios (“números” que não dão “ibope”) não o são pelas mesmas razões por que heterossexuais são mortos. Morrem pela intolerância geral extravasada numa agressão física de inconseqüentes insatisfeitos com seu próprio vazio.
E me atrevo a dizer o seguinte: os que “gostam de dar o cu” morrem duas vezes: pelo sangue que jorra enquanto caídos ao léu numa rua pacata das grandes cidades e pelo pesado som do riso dos que tem o poder da graça.
Espero ter contribuído por uma dupla forma: a primeira, pontuando na minha fala o que foi irônico do que não foi (isto facilita a compreensão dos que não exercem, com freqüência, o dom humano do pensamento). Em segundo lugar, dizendo-lhe, sim, para recear o politicamente correto, porque todo direito humano – como a liberdade de expressão – deve ser limitado quando fere outro direito humano – e posso afirmar que a piada sobre homicídios por atos de intolerância contra homossexuais fere muitos direitos humanos fundamentais: a dignidade das vítimas, principalmente, e, indiretamente, seu direito à liberdade de pensamento, de locomoção, seu direito à integridade física-psíquica e à vida (considerando que a piada é hábil instrumental potencializador de toda a violência já cometida).
Desejo, por fim, que pense em incentivar risos melhores e o aconselho (ser humano que sou) a se divertir com objetos menos dramáticos – pois aí está uma incoerência teatral imperdoável para um ator (ironia).
Atenciosamente,
Tédney Moreira da Silva (ex-telespectador substituível)
Fonte: Maria Frô

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Veículos de comunicação brasileiros fazem política o tempo todo



Os veículos de comunicação dos Marinho, TV e jornal, e seus congêneres na imprensa, apavorados com a sucessão de vitórias populares em toda América Latina e com o fim dos privilégios e monopólio das famílias que controlam a midia em todos países do continente - famílias que derrubavam governos e mudavam leis - continuam a fazer o que sempre fizeram: política o tempo todo.

Como agora, nitidamente, nos casos da energia elétrica e dos combustíveis. Sempre se beneficiaram das ditaduras. Como beneficiaram-se aqui no Brasil. Daí a política de pressão e chantagem que exercem sobre o governo Dilma Rousseff, que vai até além da oposição pura e simples e da tentativa de desgastar o governo e derrotá-lo.

Querem cooptá-lo e impor suas posições e interesses. Querem sentar à mesa para decidir os destinos do país. Querem se precaver dos riscos do governo da presidenta Dilma Rousseff, o 3º governo do PT, dar certo. Daí a torcida pelo quanto pior melhor, e a leniência, a prevaricação com os malfeitos da oposição e de seus candidatos velhos e novos, com seus escândalos e desgovernos.

Querem se precaver dos riscos de o governo dar certo

Como nos casos do contraventor Carlos Ramos Cachoeira, que capturou um governo - o de Goiás -, e do fracasso tucano em  São Paulo depois de 20 anos de governo do PSDB. São agentes políticos e atuam como tais. Basta ver como a cada eleição assumem posições políticas e apoiam candidatos - na melhor das hipóteses em editoriais, mas geralmente dirigindo o noticiário.

Ultimamente andam articulando e participando de ações políticas como no julgamento da Ação Penal 470 no Supremo Tribunal Federal (STF). Defendem interesses econômicos e comerciais. Fazem uma espécie de trafico de influência, de lobby encoberto. Encoberto na forma, mas atuam abertamente em oposição às politicas dos governos do PT, aprovadas três vezes nas urnas pela soberania popular nas duas eleições do presidente Lula (2002 e 2006) e na da presidenta Dilma (2010).

São aliados dos órgãos estatais capturados por eles e pela oposição e defendem suas ações de forma encoberta por um discurso moralista e falso de combate a corrupção. Antes era a iminência do racionamento de energia o que mais entusiasmava a mídia. Agora é uma torcida para que não vingue a redução de 20% nas contas de luz, a vigorar a partir do próximo dia 5 de fevereiro.

O Globo, dos Marinho, lidera nos dois casos

Nos últimos dias, atenuada um pouco a pressão das elétricas para terem seus interesses atendidos com o argumento de que, se não fossem, haveria racionamento, a pressão agora é para que o aumento de combustível venha já e o mais alto possível. Nisso, dão (os jornais) até dia que o reajuste entrará em vigor, quando o governo diz que ainda estuda e nem sequer estabeleceu o índice desse aumento.

Daí que a atual ação predatória e impatriótica contra a redução das contas de luz é apenas uma pequena amostra da ação nefasta dos proprietários e controladores dos principais meios de comunicação hoje, verdadeiros censores no Brasil.

FONTE: Ze Dirceu

Pobreza e desigualdade caem no Brasil e sobem nos EUA e Europa



No início do ano, a mídia e os partidos de oposição ao governo Dilma pareceram tentar apelar a uma segunda estratégia no âmbito da guerra que desencadearam a partir, vá lá, do segundo ano do governo Lula (2004).
O desempenho modesto do PIB no ano passado e uma suposta “crise de abastecimento de energia elétrica” que culminaria em “racionamento” se associaram a outros factóides menores, induzindo estrangeiros que não conhecem o Brasil a imaginarem que o país está em ruínas.
Para tanto, matérias recentes de veículos da imprensa escrita britânica como The Economist e Financial Times, baseadas no noticiário da grande mídia tupiniquim sobre a nossa economia – e à revelia dos problemas sociais e econômicos ingleses, que aumentam sem parar –, colaboraram para essa visão absurdamente equivocada sobre o Brasil.
Supostos “especialistas” em economia dos quais Globo, Folha de São Paulo, Estadão e Veja lançam mão toda vez em que tentam convencer o Brasil e o mundo de que nossa economia está sendo mal gerida parecem ter apostado em que teriam sucesso simplesmente descrevendo uma realidade que o povo brasileiro não enxerga e não sente.
O fato é que o Brasil, do ponto de vista de seu povo, vai muito bem, obrigado, como disse o insuspeito colunista de Folha e O Globo Elio Gaspari, que, recentemente, espantou-se com o fato de que o sistema bancário brasileiro absorveu “uma Argentina” em número de novos correntistas.
Esse, porém, é apenas um dos sintomas – talvez o mais tênue – do espantoso êxito de nossas políticas econômica e social. O aumento exponencial dos negócios dos bancos é uma medida oriunda de uma ótica mercantilista da qual a grande imprensa oposicionista brasileira padece.
Os melhores indicadores para o sucesso que os governos do Brasil obtiveram de 2004 para cá no sentido de melhorar as condições de vida no país está expresso justamente em dois indicadores para os quais a direita midiática não dá a menor bola: pobreza e desigualdade.
E, para terminarmos de mensurar esse sucesso, basta comparar a situação social brasileira com a dos países ricos no âmbito de uma crise econômica internacional que vem sendo considerada por dez entre dez analistas econômicos como a maior da história.
Entre janeiro de 2011 e janeiro de 2012, a pobreza no Brasil caiu 7,9% e a desigualdade de renda continua caindo, conforme constatação da pesquisa De Volta ao País do Futuro, da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgada em meados do ano passado.
Segundo o coordenador da pesquisa, Marcelo Neri, a queda dessas chagas sociais ocorre em ritmo três vezes maior do que o sugerido pelas metas do Milênio das Nações Unidas (ONU). “O Brasil está na contramão de sua história pregressa e da de outros países emergentes e desenvolvidos”, asseverou o pesquisador.
De 2003 para cá, já são cerca de 40 milhões de pessoas (como diz Elio Gaspari, “Uma Argentina”) que subiram acima da linha da pobreza, passando a integrar o conjunto da sociedade com acesso ao sistema bancário, ao consumo e à educação.
Em 2012, o Brasil deve ter um dos seus mais baixos índices de desemprego da história, cerca de 5%, o que pode ser considerado, praticamente, como pleno emprego, se levarmos em consideração que a pesquisa do IBGE sobre emprego e renda desconsidera o trabalho informal.
Mas para mensurarmos o quanto o Brasil “Vai muito bem, obrigado”, basta olharmos para o que acontece no coração e pátria do capitalismo, os Estados Unidos, onde a pobreza não para de aumentar, ou mesmo na Europa, onde as condições de vida superam largamente a dos americanos.
A pobreza e a desigualdade de renda vêm crescendo assustadoramente nos Estados Unidos. 47 milhões de americanos, ou 15% da população do país, mergulharam abaixo da linha da pobreza.
Uma das evidências mais impressionantes desse processo é a versão americana das nossas favelas, comunidades formadas por barracas de camping que estão se espalhando como fogo pelos Estados Unidos, sendo vistas em mais de 50 cidades por todo o país.
Abaixo, matéria de um telejornal americano sobre o fenômeno.

No século XXI, o número de pobres nos Estados Unidos subiu 47%. Nos últimos quatro anos, aumentou em 60% o número de cidadãos daquele país que recorreram a programas sociais, um dos quais o tão criticado (pela mídia brasileira) Bolsa Família, que passou a ser adotado pelo governo Barack Obama, ainda que de forma meio cosmética…
Abaixo, reportagem do UOL sobre o processo de empobrecimento americano.

 

Na Europa central, o quadro não é tão melhor. A taxa de desemprego na região é de 10,4%, ou 24 milhões de cidadãos da zona do euro. Os jovens são os mais atingidos, respondendo por 22,1% do total de desempregados.
As dívidas dos governos europeus também não param de subir. Na zona do euro, chegam a 87,4% do PIB, enquanto que, no Brasil, os débitos do governo passam um pouco de 30%. E cerca de um quarto dos europeus mergulhou em risco de pobreza, que só faz crescer ano a ano na região.
Um dado impressionante: pesquisa realizada pelo pesquisador britânico Danny Dorlling, da Universidade de Sheffield, mostrou que a desigualdade de renda na Inglaterra voltou ao que era em 1918.
Enquanto isso, entre 2011 e 2012, no Brasil, a distância entre os mais ricos e os mais pobres continuou caindo. O índice de Gini, no período, caiu de 0,53 para 0,51. No início do governo Lula, era de 0,589, após ter ficado praticamente igual ao longo do governo Fernando Henrique Cardoso.
Nesse contexto, os esforços da oposição formal e da informal (mídia) ao governo Dilma para tentarem convencer os brasileiros de que “o país vai muito mal, obrigado”, só podiam dar nisso: tanto o governo quanto sua titular batem seguidos recordes de popularidade.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Marta rechaça elitismo da Folha




Na quinta-feira passada (10), a Folha publicou um editorial raivoso contra o chamado “Vale-Cultura”, rotulado de “vale-populismo” já no título, e abusou dos adjetivos para desqualificar a ministra Marta Suplicy. Na visão elitista do jornal, a nova lei “é mais um exemplo do uso equivocado de dinheiro público na área cultural do país”. A Folha prefere que a grana dos impostos seja usada somente para bancar os juros dos rentistas. Ela também adora os milhões de reais que recebe de publicidade do governo – que só serve para alimentar cobras!


Pela nova lei, trabalhadores que recebem até cinco salários mínimos poderão receber o “Vale-Cultura” de R$ 50 mensais.  Desse valor, R$ 45 serão subsidiados pelo governo por meio de renúncia fiscal. “Estima-se que serão beneficiados 10 milhões de assalariados”, diz a Folha, para torpedear: “O argumento fácil da ‘democratização da cultura’ sempre pode ser esgrimido para justificar o espetáculo populista. Mas parece óbvio que essa não é a melhor estratégia para empregar tais verbas públicas”.

O editorial elitista da Folha, que inclusive afirmou preconceituosamente que o dinheiro seria usado para “livros de autoajuda”, deve ter gerado chiadeira dos seus leitores – pelo menos da parcela que ainda tem senso crítico. Tanto que hoje o jornal abriu espaço para a ministra da Cultura, Marta Suplicy, defender o projeto. Reproduzo a resposta na íntegra:

*****

"A gente não quer só comida"

A Folha publicou editorial ("Vale-populismo", 10/1) crítico do Vale-Cultura (VC). Chama de "populismo" e promoção pessoal e eleitoreira projeto de lei que buscava aprovação desde 2009. Com a regulamentação do VC, empresas poderão passar R$ 50 a seus funcionários que recebam prioritariamente até cinco salários mínimos (R$ 3.390) para gastarem em cultura.

O Brasil nos últimos anos, com Lula e agora Dilma, tem dado passos gigantescos para acabar com a miséria. Não preciso citar os números dos que hoje comem nem dos que hoje entraram na classe média. O Bolsa Família, trucidado pela oposição, hoje é comprovadamente um instrumento de erradicação da pobreza.

O Vale-Cultura pode, sim, ser o "alimento da alma". Por que não? Pela primeira vez o trabalhador terá um dinheiro que poderá gastar no consumo cultural: sejam livros, cinema, DVDs, teatro, museus, shows, revistas...

Lembro que, quando fizemos os CEUs (Centro Educacional Unificado), na pesquisa (2004) realizada no primeiro deles, na zona leste, 100% dos entrevistados nunca tinham entrado num teatro e 86%, num cinema. Quando Denise Stoklos fez seu espetáculo de mímica, a plateia se remexia inquieta até entender a linguagem e não se ouvir uma mosca no teatro, fascinado.

Fomento ao teatro, aquisição de conhecimento e bagagem cultural! Não foi à toa que Fernanda Montenegro ficou pasma com a plateia dos CEUs. Essas pessoas, se tiverem criado gosto, finalmente poderão usufruir e escolher mais do que hoje podem.

E os que não têm CEU têm televisão e conhecem o que é oferecido para determinado público. Sabem também o que aparece no bairro. E sabem que não podem ir.

Existe toda uma multidão de brasileiros (17 milhões) que hoje ganha até cinco salários mínimos (R$ 3.390) que potencialmente poderão, além de comer, alimentar o espírito. Este é um projeto de lei que toca duas pontas: o cidadão que vai consumir e o produtor cultural que terá mais público para sua oferta.

Quando chegarmos nesse potencial, serão R$ 7 bilhões injetados na cultura. Nossa previsão é atingir R$ 500 milhões neste ano.

Em 2008, o Ibope realizou pesquisa sobre indicadores de cultura no Brasil e mostrou que a grande maioria da população está alijada do consumo dos produtos culturais: 87% não frequentavam cinemas, 92% nunca foram a um museu; 90% dos municípios do país não tinham sala de cinema e 78% nunca assistiram a um espetáculo de dança.

Segundo a Folha, estaremos incentivando blockbusters e livros de autoajuda. Visão elitista. Cada um tem direito de consumir o que lhe agrada. Não esqueço quando, visitando um telecentro, fiquei indignada que a maioria dos jovens estava nos chats de um reality show. Fui advertida pela gestora: "Esse é um instrumento que eles estão aprendendo a usar. Depois, poderão voar para outros interesses. Ou não".

Não custa lembrar que a fome pelo acesso à cultura é enorme, o que ficou evidente nas filas quilométricas na mostra sobre impressionistas quando apresentada gratuitamente pelo Banco do Brasil.

O que a Folha também menosprezou é a enorme alavanca que o VC pode representar e desencadear na economia. A cadeia produtiva da cultura é o investimento de maior rentabilidade a curto prazo. Para uma peça de teatro, você vai desde os artistas, ao carpinteiro, cenógrafo, vestuário, iluminador...

Quanto ao recurso ir para formação e atividades de menor sustentação comercial, citadas como prioritários pela Folha, os editais do ministério, os Pontos de Cultura, têm exatamente essa preocupação, assim como os CEUs das Artes e Esporte que são, no momento, 124 em construção no país.

"A gente quer comida, diversão e arte." (Titãs)
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