Mostrando postagens com marcador Eduardo Bomfim. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eduardo Bomfim. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Para além da economia




A vida tem demonstrado que sem crescimento econômico não existe produção da riqueza nacional, inclusive nos Países emergentes, prevalecendo um desenvolvimento insuficiente.

Os caminhos para a superação dessa etapa não são fáceis porque há no interior das nações segmentos que se opõem ao avanço. São grupos minoritários que auferem lucros fabulosos com o estágio incompleto de autonomia e independência das nações.

Esses são os conglomerados financeiros-industriais, vários fazem parte de estruturas globais monopolistas, exercem o controle dos negócios internacionais, dos rumos das finanças mundiais.

À soberania de uma nação exige-se muita determinação, um plano estratégico de crescimento econômico onde os interesses das maiorias prevaleçam sobre as estruturas arcaicas que obstaculizam a superação da situação vigente.

É luta difícil envolvendo aliados heterogêneos, adversários fortes, e o manejo da arte, ciência política, é testado porque no campo retrógado existe ainda o complexo ideológico-midiático hegemônico externo-interno, produzindo versões relativas aos próprios interesses, sobre fatos, política, economia etc.

Mas com o dogma mundial neoliberal adveio o fenômeno de uma civilização regressiva anterior à Segunda Guerra Mundial, à derrota do fascismo, emergindo um tipo de sociedade centrada no mercado, totalitária, com novos métodos de subjugação coletiva, individual.

As ideias caras à humanidade, invertidas, passaram ao controle do capital global, invadem-se nações em nome da democracia, promove-se a extinção das garantias individuais substituídas pela segurança, a concessão de existir em troca do direito de viver, com brindes de políticas compensatórias.

Exacerbam-se perigos, reais ou fictícios, como se fossem "naturais" ao desenvolvimento humano e não resultantes do retrocesso civilizatório.

Propagam a cultura da incerteza, riscos de epidemias, medos difusos, produzindo o fenômeno de cidadãos atomizados, muitos temerosos do convívio coletivo, execram os avanços científicos, o progresso das sociedades.

Assim é decisiva a formação de um campo social majoritário empenhado num projeto nacional transformador crítico à ordem global totalitária, que permeia também o Brasil, consciente dos adversários, eleitorais ou não, mas essencialmente lutando pela alternativa de uma outra civilização, com a face brasileira, renovada, solidária, libertária.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Dor indescritível



O assassinato de vinte crianças e seis adultos em uma escola primária dos Estados Unidos, revela uma tendência patológica crescente na sociedade norte-americana que se expressa na sequência de episódios idênticos ocorridos nos últimos anos com um grande número de vítimas fatais. 
Demonstra igualmente os sinais mais que evidentes da exaustão, infelizmente não em estágio final, de um tipo de civilização regressiva, militarizada, totalitária, erigida pela nova ordem mundial da qual a nação americana, como o grande e único império da era contemporânea, tem sido tutora e guardiã armada.

O capital financeiro global, o complexo industrial militar norte-americano, associados à megaestrutura midiática mundial  de informação, propaganda, são os que determinam os desejos das pessoas, os sonhos de consumo, a cultura, a ideologia dominante na maior parte do planeta nos últimos anos.

Na mesma linha a indústria cinematográfica dos Estados Unidos deu a sua horrível parcela de contribuição para que se assentasse em escala planetária a visão alienante, distorcida, paranoica, bélica, desse mesmo tipo de civilização regressiva.

A violência na sociedade norte-americana tem as suas próprias especificidades mais profundas que o fenômeno da delinquência desenfreada. É produto da visão de que cada norte-americano é um guerreiro super-homem, invencível, armado até os dentes, confrontando a humanidade, associada a um puritanismo repressor.

Assim, ao que parece a realidade superou a ficção transformando Laranja Mecânica, livro de Anthony Burgess sobre a patologia da violência e maldade insanas adaptado para o cinema por Stanley Kubrick, numa espécie de versão edulcorada dos fenômenos reais da sociedade americana.

Essa mesma grande mídia mundial hegemônica procura agora, diante da recorrência quase endêmica dos brutais assassinatos como os ocorridos na escola primária de uma pequena cidade dos EUA, produzir a sua opinião centrada na constatação de que existem nas mãos de civis 300 milhões de armas de fogo vendidas em milhares de lojas espalhadas no País.
 
Esse é um lado tenebroso do diagnóstico embora a verdade seja mais trágica, o povo norte-americano está pagando alto preço em sofrimento e dor indescritíveis pela cultura que lhes foi imposta para forjar o "destino manifesto" de indivíduos superiores imbatíveis, acima do bem e do mal, da sua própria vida e a do próximo.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Como um bom vinho




Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


A Era dos Extremos é um clássico de Eric Hobsbawm, em meio a uma extraordinária produção intelectual, que a distância temporal de quase vinte anos longe de esmaecer as suas principais conclusões fortalece-as, mesmo que se possa ter, aqui e ali, diferenças com suas análises. 

Trata-se de um balanço multilateral, ricamente detalhado do século XX, apresenta sinalizações sobre o início do terceiro milênio ou ao menos acerca da sua primeira década que todos nós vivenciamos. 

De formação marxista Hobsbawm tornou-se intelectual respeitado, com a sua erudição, profundidade, sobriedade e estilo elegante, para além daqueles que não se incorporam à sua corrente de pensamento.

Sua obra ultrapassa o sentido da História formal, tem fundamentos na economia, na sociologia, nos fenômenos estruturais, ideológicos, da humanidade. 

Em O Breve Século XX o falecido autor tece várias conclusões, entre elas "que essa foi, paradoxalmente, uma época que se assentava na defesa dos benefícios para a humanidade, do progresso material sustentado pelos avanços da ciência e tecnologia", mas o seu ocaso revelou "a rejeição desse progresso por correntes que se pretendem representantes do pensamento ocidental como os apologistas do crescimento zero ou quase zero, em solução à crise ambiental". 

Afirmou que essa seria uma das contradições do século XXI (além do mundo unipolar, a persistente centralização, concentração do capital, o monopólio, controle planetário da informação) especialmente entre setores abastados e médios do primeiro mundo, empresários do florescente capitalismo verde e os contingentes populacionais do terceiro mundo onde reside a grande maioria dos habitantes do planeta. 

Ao refletir sobre o início do novo milênio, o historiador indica o surgimento de "estranhos apelos em favor de uma sociedade civil e de grupos, inespecíficos, não restando por aí outra maneira de entender as identidades das sociedades e grupos, senão através da exclusão" das demais pessoas, tornando irrelevantes os conceitos de classes sociais. 

Como cientista Hobsbawm não era pessimista nem otimista, fundava seus estudos na análise rigorosa da realidade, utilizando sempre a dialética marxista, que ele entendia ser o instrumental para a abordagem dos fenômenos sociais, históricos. A vida demonstrou que as suas observações são como um bom vinho, quanto mais o tempo passa,
 melhores.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Eleições em cenário real




Vivenciamos a reta final do primeiro turno das eleições municipais em todo o território nacional onde se aguçam as lutas entre os campos políticos pelo poder como uma espécie de ante-sala às grandes batalhas de 2014 para presidente da República, Congresso Nacional, governos estaduais, Assembleias Legislativas. 

É verdade que nesse período as paixões se acendem e raramente as grandes questões relativas aos problemas, projetos para as cidades brasileiras, são conduzidos sob a ótica mais lúcida que a cidadania exige.

No entanto, bem ou mal exercita-se a democracia de acordo com a realidade nacional e as condições políticas extremamente diferenciadas das várias regiões, dos milhares de municípios do País. 

Pode-se dizer muitas coisas certas sobre a nossa ainda incipiente democracia, desde os abusos do poder econômico nas eleições, o clientelismo, as condições desiguais em que se encontram os partidos políticos, vestígios de mando do velho coronelismo com os seus crimes, ameaças de morte etc. 

Mas quem já viveu sob regime ditatorial sabe que todos os males dessa atual realidade institucional nunca podem ser trocados pela longa noite do arbítrio que experimentamos durante vinte e um anos onde os partidos encontravam-se banidos, sindicatos, grêmios estudantis fechados, lideranças de oposição imobilizadas, clandestinas, presas, exiladas ou mortas, jornalistas e imprensa amordaçados etc. 

O Brasil avançou nos últimos anos e, reconhecido internacionalmente, atingiu novos patamares de crescimento econômico onde foram retirados da faixa de pobreza absoluta milhões de brasileiros e outros milhões passaram a ter acesso a bens de consumo antes impensáveis. 

Mas continuam terríveis as nossas dívidas sociais, os mecanismos necessários ao exercício à cidadania dos brasileiros através da escolha dos seus representantes ainda padecem de vícios que foram preponderantes no século passado.

Assim como há atualmente o esgotamento de um ciclo econômico, fundado basicamente no consumo da população, vai ficando claro que a própria dinâmica e necessidade do desenvolvimento nacional passa a exigir uma substancial renovação das ideias sobre a questão institucional em todas as suas esferas e ao exercício da cultura política de modo particular. Trata-se de um debate essencial que a implacável realidade objetiva vai tornando inadiável, urgente.

sábado, 21 de julho de 2012

Eleições municipais e economia



Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

As próximas eleições de outubro para prefeitos e vereadores representam um ensaio geral para a intensa batalha de 2014 na luta pela presidência da República e demais instâncias de poder, governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas.
Ao que tudo indica, caso não surjam graves fatores desestabilizadores, o governo federal deverá reforçar enormemente a sua base política institucional preparando assim as condições e o terreno para o grande confronto com as oposições no pleito seguinte. 
Mantida a alta popularidade da presidente da República, com a aprovação de mais de 70% dos brasileiros, tudo indica que ela deverá influenciar na vitória dos seus aliados na maioria das capitais, grandes, médias cidades.
Caso isso se concretize a resultante será a total fragilização da oposição que já se encontra combalida, desprovida de uma plataforma ou discurso que leve a ampliar a sua base social de apoio. 
Mas o governo federal tem um sério desafio para o futuro próximo que será reverter as consequências negativas da crise econômica capitalista global que incidem na economia brasileira reduzindo gravemente as taxas de crescimento do produto interno bruto nacional. 
O diagnóstico de vários economistas respeitáveis do País aponta para um processo de desaceleração dos indicadores que sustentaram o atual ciclo de desenvolvimento da nação e possibilitaram o fortalecimento do campo político do governo federal através do otimismo da população e suas perspectivas de vida. 
Principalmente com a emergência de milhões de brasileiros que saíram das faixas de pobreza, onde se encontravam indefinidamente, para novos patamares sociais favorecendo o acesso dessas camadas ao consumo.
Mas os números demonstram que o modelo econômico centrado fundamentalmente no consumo já não responde, como nos governos Lula, aos efeitos danosos da crise econômica mundial porque a capacidade de endividamento da população encontra-se saturada.
Significa também que esse modelo encontra-se superado, esgotado, precisa ser substituído urgentemente por uma nova política de longo curso que reverta o sucateamento do parque industrial, promova investimentos pesados em infraestrutura, educação, saúde, ciência e tecnologia. 
Assim, o futuro da presidente Dilma em 2014 vai estar associado à materialização de um novo ciclo de desenvolvimento nacional estratégico.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...