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terça-feira, 21 de maio de 2013

Mujica rejeita título de “presidente mais pobre do mundo”

Para chefe de Estado uruguaio, "pobre é quem precisa muito para viver".



O presidente do Uruguai, José Mujica, afirmou esta semana à rede estatal chinesa Xinhua que não concorda com o título que lhe foi atribuído pela imprensa internacional de “presidente mais pobre do mundo”, em razão de seu estilo de vida simples.Segundo ele, esse título é incorreto porque “pobres são aqueles que precisam de muito para viver”. Sua vida austera tem como objetivo “manter-se livre”.
“Eu não sou pobre. Pobre são aqueles que precisam de muito para viver, esses são os verdadeiros pobres, eu tenho o suficiente”, afirmou.
“Sou austero, sóbrio, carrego poucas coisas comigo, porque para viver não preciso muito mais do que tenho. Luto pela liberdade e liberdade é ter tempo para fazer o que se gosta”, disse o presidente. Ele considera que o indivíduo não é livre quando trabalha, porque está submetido à lei da necessidade. “Deve-se trabalhar muito, mas não me venham com essa história de que a vida é só isso”.
Assim como já fez com outros correspondentes internacionais, Mujica recebeu a equipe de reportagem chinesa em sua modesta propriedade rural em Rincón del Cierro, nos arredores de Montevidéu, ao lado dos cães e galinhas que cria.
Aos 77 anos, Mujica doa 90 % de seu salário de 260.000 pesos uruguaios (quase 28 mil reais) a instituições de caridade. Não possui cartão de crédito nem conta bancária. Sua lista de bens em 2012 inclui um terreno de sua propriedade e dois com os quais conta com 50% de participação, todos na mesma área rural – diz ter alma de camponês, e se orgulha de sua plantação de acelgas, e já pensa em voltar a cultivar flores.
Possui dois velhos automóveis dos anos 1980 (entre eles um Fusca com o qual vai ao trabalho) e três tratores. Segundo o presidente uruguaio, essa opção de vida surgiu durante os anos em que viveu preso sob duras condições (1972-1985) em razão de sua atividade de guerrilheiro. Ele foi membro dos Tupamaros, grupo que lutou contra a ditadura militar.
“Por que cheguei a esse ponto? Porque vivi muitos anos em que, quando recebia um colchão à noite para dormir, já me dava por contente. Foi quando passei a valorizar as coisas de maneira diferente”, disse ele sobre seus tempos de cárcere, quando disse ter conversado com rãs e formigas para “não enlouquecer”.
Ele afirmou duvidar que a próxima eleição presidencial, marcada para 2014, vá atrapalhar sua gestão, e se diz animado com um projeto pessoal para quando deixar o Executivo, em março de 2015: “Quando terminar esse trampo (changa em espanhol, referindo-se à Presidência) que tenho agora, vou me dedicar a fazer uma escola de trabalhos rurais nesta região”.
Quando perguntado se após deixar o governo ele tentará acumular fortuna, ele disse: “Depois terei de gastar tempo para cuidar do dinheiro e muito mais tempo da minha vida para ver se estou perdendo ou ganhando. Não, isso não é vida.”



FONTE: 

Opera Mundi

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Teórico critica insistência da América Latina na exportação de matérias-primas



Teórico critica insistência da América Latina na exportação de matérias-primas

São Paulo – Na última quarta-feira (15) a Universidade de São Paulo (USP) foi palco do lançamento do livro Padrão de Reprodução do Capital (Boitempo, 2012), organizado pelos historiadores brasileiros Carla Ferreira e Mathias Luce – e pelo teórico chileno Jaime Osorio, que recebeu a Rede Brasil Atual para uma conversa sobre dependência econômica, governos progressistas e imperialismo brasileiro.
“O governo Lula permitiu ao capital brasileiro estabelecer alianças, manter acordos e ganhar posições não apenas no plano internacional, mas também no plano local e regional, como poucos governos poderiam ter feito com tanta simpatia”, explica o intelectual. “Sob a figura de Lula e diante do nascimento de movimentos anti-imperialistas no Cone Sul, o subimperialismo brasileiro encontrou as melhores condições para investir, criar esferas de influência e assegurar novas fontes de energia.”
Jaime Osorio é um dos principais discípulos do intelectual brasileiro Ruy Mauro Marini, um dos pais da teoria marxista da dependência, corrente que foi decisiva para o pensamento político da esquerda latino-americana na segunda metade do século 20. Atualmente, Osorio é professor da Universidad Autónoma Metropolitana Xochimilco (UAM-X) e da Universidad Nacional Autónoma de México (Unam).
Como explica Osorio na entrevista, a teoria da dependência se dedicou – e se dedica até hoje – a pensar as particularidades do capitalismo e da luta de classes na América latina, tentando desvendar as razões que levam a economia mundial a criar desenvolvimento e bem-estar em alguns países enquanto mantém outras nações da pobreza. É com esses óculos que Jaime Osorio analisa a atualidade latino-americana e comenta o processo de desindustrialização atravessado pela região ao passo que as exportações de matéria-prima crescem vertiginosamente.
Para o professor da UAM-X e da Unam, os governos da chamada 'esquerda latino-americana' devem permanecer com o modelo primário-exportador enquanto não encontrarem novas fontes de recursos para financiar seus projetos de transformação. Jaime Osorio critica, porém, a falta de iniciativa dos países da região em colocar em práticas novas formas de organização política menos centralizada.  “Na medida em que dermos poder de decisão ao povo, vão aflorar 50 mil propostas sobre o que fazer com a economia”, acredita.
A teoria da dependência foi elaborada nos anos 1960 e 1970. Ela segue vigente?
Claro que sim. A teoria da dependência foi uma formulação que apareceu nos anos 1960 e 1970, mas que pretende definir as características de um tipo particular de capitalismo: o capitalismo dependente, que nada mais é do que a outra face do capitalismo observado nos países desenvolvidos e imperialistas. Portanto, não se trata de uma teoria que surgiu apenas para explicar o que acontecia naqueles anos, mas para entender como o sistema mundial capitalista cria centros e periferias, porquê gera desenvolvimento e, ao mesmo tempo, subdesenvolvimento. Em alguns lugares do mundo, o capitalismo se traduz em desenvolvimento; em nosso mundo latino-americano, porém, ele trouxe subdesenvolvimento, atraso e dependência.
A teoria da independência analisa as décadas de 1960 e 1970 da mesma maneira que analisa o mundo de hoje?
Os parâmetros da dependência foram modificados, pois o próprio capitalismo foi modificado em nossos países. O capital evoluiu, e isso provocou modificações no seio da América Latina: a partir dos anos 1980, encerrou-se o processo de industrialização que havia começado em meados do século 20. Nos anos 1960, a industrialização transmitia a ideia de que teríamos um controle maior sobre nossas próprias economias, de que seríamos mais autônomos e menos atrasados tecnologicamente, de que iríamos melhorar nossa capacidade de inserção no mercado mundial, de que levaríamos maior desenvolvimento e progresso aos nossos povos.
No entanto, quando esse padrão de reprodução industrial caiu, foi substituído por um processo que volta a posicionar-se no mercado mundial como economias exportadoras. Nossa condição de fornecedores de produtos básicos, sejam eles agrícolas ou minerais, voltou a ser valorizada. A ideia da industrialização como um processo que nos havia dado maior autonomia e capacidade tecnológica foi por água abaixo. Hoje, a indústria não é nada mais do que meros segmentos dentro das cadeias globais de produção: o que ficou da industrialização é a produção de partes industriais. O atraso tecnológico é maior e a desigualdade social se multiplicou. Enfim, seria difícil dizer que, como região, estamos melhor do que nos anos 1950 e 1960.
Por que a economia se reprimarizou?
Porque o processo de industrialização chegou a um ponto em que as burguesias nacionais já não teriam que produzir apenas roupas, móveis e bens de consumo imediatos, mas sim equipamentos e máquinas. No longo prazo, essa nova etapa significaria a instalação de indústrias onde máquinas produzissem máquinas. Tudo isso requeria investimentos vultosos e um processo de acumulação extraordinariamente elevado, coisa que as burguesias nacionais não esteve disposta a fazer – até porque acabou se associando à burguesia imperialista num momento em que os Estados Unidos possuíam um excedente de máquinas, resultado do final da segunda guerra mundial.
A aplicação dos conhecimentos da guerra ao processo produtivo provocou uma renovação dos equipamentos na economia estadunidense e o país ofereceu à América latina novas tecnologias. A burguesia latino-americana, que até este momento havia aceitado a ideia de ser uma burguesia nacionalista, mostrou que estava mais regida pela lógica do lucro que pela lógica de um projeto de desenvolvimento autônomo: associou-se ao capital estrangeiro, já não teve que investir em conhecimento tecnológico e assim se acabou o mito de que a industrialização nos levaria a uma situação melhor.
Mas ainda se acredita muito na industrialização como o caminho a seguir pelos países da América latina, não?
Sim, há uma espécie de mistificação daquilo que foi a industrialização latino-americana no passado – e também uma mistificação do que foi a industrialização brasileira. No Brasil, a industrialização estava desnacionalizada desde o começo. Desde os anos 1960, era uma industrialização que dependia do capital estrangeiro e de fontes externas para abastecer-se de tecnologias e conhecimentos. Ou seja, já havia perdido seu caráter de dinamizador do desenvolvimento.
Apesar de tudo, porém, isso era melhor do que temos hoje. Pelo menos havia uma certa organicidade. Por exemplo, a indústria automobilística importava motores e máquinas, mas as demais peças e partes do automóvel se produzia no mercado nacional. Isso significava de alguma maneira desenvolver alguns setores industriais. Hoje, essa é uma realidade cada vez mais restrita. Diante do atraso tecnológico que é produzir soja em vez de veículos automotores, sim, efetivamente, houve um atraso. Mas esse atraso não pode nos fazer perder de vista que já experimentamos essa industrialização e que esse modelo não foi uma fonte de desenvolvimento, autonomia, tecnologia ou conhecimento.
Ou seja, a industrialização continua sendo algo desejável, mas sobre bases diferentes das que existiam nos anos 1960?
Sim, desejável, desde que seja conduzida pelas mãos de outra classe social que não as burguesias locais que temos na América latina.
Por que os 'governos de esquerda' na América latina seguiram o caminho da exportação de produtos primários?
Ao conduzir projetos que vão contra à lógica tradicional do capitalismo, os governos da América latina estão se enfrentando ao problema de obter recursos para financiá-los. Portanto, a exportação cobre, petróleo, trigo ou carne estará presente durante algum tempo nesse processo de desenvolvimento de uma nova economia. O xis da questão é saber o que está sendo feito com os recursos que se originam da venda de cobre ou petróleo. O que estamos fazendo com esse dinheiro? Como aplicá-lo para que brinde mais autonomia econômica a nossos países? Como orientá-lo à satisfação das necessidades básicas da população? Como fazer com que promova bem-estar ao conjunto da sociedade e não fique represado nas mãos de grupos econômicos ou de empresas transnacionais? Como traduzi-lo em desenvolvimento tecnológico?
O problema não é reprimarizar a economia. Aliás, 'reprimarização' é uma noção equivocada, porque a América latina sempre teve uma pauta de exportação baseada fortemente em produtos primários, mesmo durante a etapa industrial. O que aconteceu é que o setor primário ganhou novos impulsos. Os preços do mercado internacional foram às alturas e propiciaram uma concentração de renda ainda maior. A desigualdade social, que já era grande, hoje em dia é brutal, pois a inserção dos produtores de matéria-prima no mercado mundial em condições competitivas implicou numa queda dos salários, precarização dos empregos e exclusão das pessoas do consumo. Isso enquanto a classe exportadora está recebendo os maiores ganhos dos últimos 50 anos.
Portanto, é factível que algumas das atividades voltadas à exportação de produtos primários irão se manter, porque são uma fonte importante de recursos, embora impliquem em destruição ambiental e desrespeito aos direitos dos povos indígenas. São uma forma de financiar projetos numa direção distinta ao capital.
E você acredita que verdadeiramente esses projetos caminham a uma direção contrária ao capitalismo?
Gostaria de dizer que sim, mas, infelizmente, nem sempre temos clareza sobre qual caminho adotar. As fronteiras nacionais parecem ser estreitas demais para se construir um novo tipo de economia. Portanto, deveríamos ter um programa regional. Nesse sentido, temas como o Mercosul podem ser importantes, não pelo que o bloco expressa hoje em dia, mas pelas suas perspectivas de futuro.
Os países latino-americanos terão que pensar regionalmente a construção de um sistema distinto ao capitalismo. Será muito difícil que cada economia consiga, separadamente, criar as condições necessárias para sua autonomia. Outra coisa é estabelecer parcerias com um Brasil e uma Argentina que caminhem em direções não capitalistas. Assim, as economias da América latina poderão apoiar-se mutuamente e vislumbrar um horizonte de desenvolvimento e construção de uma vida comum baseada em outros modelos.
Os movimentos sociais latino-americanos falam muito na construção de um novo modelo de desenvolvimento que respeite o meio ambiente e os direitos dos povos originários. Como o sr. vê esse novo modelo?
Acredito que hoje em dia os problemas da América latina passam mais por elaborar novos modelos de organização política do que criar novos modelos de desenvolvimento econômico. Na medida em que existam novas forças políticas e sangue novo pensando os problemas da região, haverá melhores condições de idealizar novos modelos de desenvolvimento. Na atual ordem das coisas, regida pela necessidade do lucro capitalista, dificilmente iremos conseguir colocar em prática modelos alternativos.
E será possível romper a lógica capitalista no curto prazo? Os 'governos de esquerda' estão trabalhando nesse sentido?
Acredito que os 'governos de esquerda', partcularmente na Bolívia e Venezuela, representam a vontade dos povos da América latina em encontrar novos horizontes. Não diria que esses governos saibam como atingir esses novos horizontes, isso é outra coisa, mas tenho certeza de que expressam a existência de setores importantes da sociedade latino-americana querem algo diferente. Esses governos estão integrados ao espírito da mudança, mas não sabem exatamente o que devem fazer para colocá-lo em prática.
Para mim, as tarefas prioritárias são de ordem política: fazer com que as decisões importantes e substanciais à vida em comum estejam nas mãos da sociedade. Na medida em que isso aconteça, vão aflorar 50 mil propostas sobre o que fazer com a economia. Enquanto a política se reduzir à tomada de decisões de cima pra baixo, com a participação de um ou outro movimento social, é lógico que a capacidade criativa da população estará limitada. Esse é um problema dos 'governos de esquerda'.
A ideia é construir governos mais descentralizados, menos caudilhistas, que dialoguem com a sociedade e os movimentos organizados?
A ideia é que sejam governos dos povos. É um problema do poder – e não de administração. Embora estejam hoje em dia nas mãos dos setores de esquerda, os aparatos de Estado não foram feitos para satisfazer a necessidade do conjunto da população: continuam voltado às necessidades das elites. Por isso é que as forças de esquerda acabam atolando ao tentar administrar os aparatos estatais. E por isso digo que a tarefa prioritária é política. Primeiro, reunimos forças em outra lógica, depois vemos como organizamos a economia – e não ao contrário.
O sr. disse que o fortalecimento da economia exportadora veio acompanhada de uma redução dos salários e do poder de consumo da população. Porém, nos últimos anos, ao menos no Brasil, vemos que amplos setores da sociedade adentraram no círculo do consumo, e inclusive receberam estímulos do governo para comprar mais e mais. O Brasil é uma exceção na América latina?
Não acredito que o Brasil seja uma exceção, pois processos semelhantes podem ser observados na Bolívia, Venezuela ou Argentina. É verdade que o poder de consumo de parcelas importantes da população tem se elevado, mas se elevou a partir da queda que havia experimentado anteriormente. Se comparamos a valorização dos salários com os ganhos financeiros que se produziram no Brasil durante esse período, veremos que é uma porcentagem ínfima.
Entendo essa valorização como  a iniciativa de alguns governos em diminuir a situação imperante de extrema desigualdade, e não como uma consequência natural do crescimento das exportações de matérias-primas. Não é uma dinâmica própria do processo que a desigualdade social vá decrescendo. Eis a estrutura que devemos atacar: primeiro, resolvemos os problemas políticos, depois a organização econômica, para não ter que ficar procurando governos protetores que analisem a melhor maneira de aliviar nossa pobreza. É isso que tem ocorrido.
O Brasil é um país imperialista dentro da América latina?
Mais que um país imperialista, o Brasil é um país subimperialista. O subimperialismo é a forma de imperialismo possível dentro das condições de dependência. Para a sorte da burguesia brasileira, nos últimos anos o subimperialismo do país teve a vantagem de contar com um personagem 'de esquerda' chamado Luiz Inácio Lula da Silva, que permitiu ao capital brasileiro estabelecer alianças, manter acordos e ganhar posições não apenas no plano internacional, mas também no plano local e regional, como poucos governos poderiam ter feito com tanta simpatia.
Nessa época, emergiram na América latina forças políticas progressistas que entraram em conflito direto com o imperialismo tradicional, sobretudo com os Estados Unidos. Então, que alternativa melhor do que associar-se com o Brasil, que também tinha um governo 'progressista'? Assim, o subimperialismo brasileiro, sob a figura de Lula e diante do nascimento de movimentos anti-imperialistas no Cone Sul, encontrou as melhores condições para investir, criar esferas de influência e assegurar novas fontes de energia. O subimperialismo brasileiro se expandiu e fortaleceu nos últimos anos como poucas vezes havia conseguido, e em muito pouco tempo.
E nas mãos de um governo de esquerda...
Não nas mãos de um governo de esquerda: nas mãos de um governo de... er... de um governo de Lula.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

"Somos uma alternativa de sucesso para o neoliberalismo"


FONTE: pagina13.org.br


O ex-presidente brasileiro Luis Inácio Lula da Silva, enviou uma mensagem de vídeo aos participantes do Fórum foi aplaudido de pé pelo mesmo presidente venezuelano, Hugo Chávez. Em sua mensagem, Lula lembrou que, quando o Fórum foi criado 18 anos atrás ", naquele tempo, a esquerda estava no poder em Cuba." Agora, Lula lembrou, "somos uma organização internacional para uma alternativa de sucesso para o neoliberalismo".
Eduardo Febbro - Caracas - 07/07/12
Caracas - O Foro de São Paulo, realizada em Caracas completou sua décima oitava edição com um comício realizado no Teatro Teresa Carreño de Caracas e uma declaração final na qual a ênfase era crítico do golpe de Estado no Paraguai. O ponto 27 da declaração final diz inequivocamente que o Foro de São Paulo manifesta seu total apoio ao presidente paraguaio, Fernando Lugo ", ignorando o governo de facto liderado por Federico Franco golpe e anunciando partes continentais em favor da democracia, do respeito pelos a vontade popular expressa em Abril de 2008 e para a unidade ea integração dos povos e governos da América Latina do Caribe. " Os membros do Fórum também fazer menção explícita do México e sua eleição presidencial.
O documento que está sendo fechado três dias de discussão de notas que "mais uma vez voltou-se para a direita mexicana e manipulação da mídia sobre as pesquisas, compra de votos e todos os tipos de fraude para impor a sua vontade contra os melhores interesses do povo mexicano ".
Em um discurso que encerrou o Fórum, José Ramón Balaguer, membro do bureau político do Partido Comunista de Cuba e pertence à geração histórica que lutou contra o regime de Batista, afirmou que "fatos como aqueles no Paraguai procurar para parar as mudanças progressistas na América Latina. " Balaguer disse que para ele, "os principais grupos de poder dos Estados Unidos para recordar uma ofensiva hegemônica" contra o que chamaram Balaguer como objetivo principal desses grupos, ou seja, "os países que compõem a madrugada".
Em seus 33 pontos, a declaração final do Fórum observou que a crise financeira internacional "está longe de acabar", enquanto denunciando um longo parágrafo nas tentativas de golpe que ainda abundam na América Latina. Prova disso, o que aconteceu na Venezuela em 2002, "várias tentativas de golpe na Bolívia," a derrubada do presidente de Honduras em 2009, o "golpe de Estado no Equador", em setembro de 2010 "e algumas semanas atrás, o derrubada de presidente paraguaio, Fernando Lugo. " Ponto n º 5 do texto, ele observa que "o golpe em Honduras ea derrubada de notas Fernando Lugo de que o direito está disposto a usar de meios violentos, eu manipulação dos canais institucionais para derrubar governos que não servem os seus interesses."
Ministro das Relações Exteriores equatoriano Ricardo Patiño disse que esses eventos são devidos a uma única lógica, "a alegação da oligarquia para recuperar o poder é devido à grande riqueza que você tem a nossa América." Ricardo Patiño fez um longo discurso, ele cantou a "companheiros para a frente marcha e ir para a revolução", a música histórica dos sandinistas, e finalmente confirmou que Quito estava "analisando" o pedido de asilo apresentado pelo fundador da Wikileaks, Julian Assange.
Por agora, os membros do Fórum colocado ênfase na posição da mídia sobre o direito de, nesses grandes corporações 'que podem ser colocados acima autoridades públicas emanadas do sufrágio universal. " O Foro de São Paulo acredita que "este é talvez um dos maiores desafios que se avizinham para os governos de esquerda:. A democratização da comunicação" A declaração denunciou as tentativas do imperialismo "para enfraquecer os mecanismos da América e integração sul-americana, a promoção da Aliança do Pacífico".
Número Ponto 17 também atacou os falsos discursos "verdes" conservadores "O direito tenta fala simbolicamente apropriado em defesa do meio ambiente, ignorando as políticas predatórias neoliberais de" mãe terra "ea dívida ambiental que o capitalismo tem com o mundo. " Em uma intervenção lúcida tão brilhante como Luis Dilce, representando o membro fundador do PT e Lula disse esquerda da América Latina deu uma demonstração extraordinária de que é capaz de governar "com mais qualidade técnica, administrativa e gestão do projecto e outros alternativa ao neoliberalismo ". Não sem razão, Dilce afirmou que "os governos progressistas da América Latina estão na vanguarda do humanismo contemporâneo."
O ex-presidente brasileiro Luis Inácio Lula da Silva, enviou uma mensagem de vídeo aos participantes do Fórum foi aplaudido de pé pelo mesmo presidente venezuelano, Hugo Chávez. Em sua mensagem, Lula lembrou que, quando o Fórum foi criado 18 anos atrás ", naquele tempo, a esquerda estava no poder em Cuba."Agora, Lula lembrou, "somos uma organização internacional para uma alternativa de sucesso para o neoliberalismo".
Imediatamente após o presidente falou da Venezuela: Chávez disse a Lula que, quando você voltar a ver muito em breve vai receber um abraço "grande como este mundo." Chávez lembrou que a primeira vez que ele conheceu Lula foi em 1996, em El Salvador. Chávez também cantou uma música revolucionária, quando prestou homenagem a Fidel Castro: Fidel, Fidel tendo, não pode com IMPERIALISTA "Chávez cantou coro com a platéia.
Nos parágrafos finais, a declaração final expressou a sua solidariedade com o povo haitiano e sua "apoiar o processo de paz na Colômbia, onde ele ainda tem a luta por uma solução política para o conflito armado, a paz com justiça social e um novo modelo garantir econômicas e sociais dos direitos humanos e da natureza. " O documento também apóia "a luta pela soberania e autodeterminação da Palestina" e, ao mesmo tempo, manifesta-se enfaticamente a sua oposição rigorosa "a qualquer intervenção militar estrangeira na Síria e Irã". Três dias de cruzes, idéias, intercâmbios e contactos, confrontos e de enriquecimento através da exposição de idéias entre os representantes do lado esquerdo do fim do mundo com um desejo: "Outro mundo é possível e estamos a construir: um mundo socialista ".
Fonte: Carta Maior

sábado, 7 de julho de 2012

Lições mexicanas para a esquerda




Sociedade civil organizada tem sido a grande protagonista da confrontação com a direita, com agendas radicalmente emancipatórias



É certo que cada processo eleitoral é diferente – dependendo da conjuntura, da história, da cultura democrática e da relevância geopolítica de cada país – mas de todos eles se podem extrair lições interessantes que, em sua justa medida, deveriam servir como aprendizado político global, sobretudo em um mundo como o atual, marcado pela interdependência.
 
Neste sentido, a esquerda não deve deixar de analisar as eleições celebradas no México no último domingo (1º), caracterizadas fundamentalmente por três questões: a vitória do Partido Revolucionário Institucional (PRI) e seu regresso à Presidência por meio de Peña Nieto; a nova derrota de López Obrador e a derrota do Partido da Revolução Democrática (PRD) em seu afã de constituir-se como a alternativa da direita; e a força durante toda a campanha – incluindo durante parte importante dos últimos seis anos – da sociedade civil organizada, que se mostrou como o verdadeiro motor da oposição e de construção de propostas.
 
Assim, e em função destas três características principais, também queremos destacar três ensinamentos que este processo eleitoral nos oferece: em primeiro lugar, as direitas definem estratégias cada vez mais unitárias e agressivas. A situação de crises generalizadas e a visibilidade crescentemente notória de rachaduras no sistema fazem com que as direitas busquem a unidade como premissa para se alcançar a vitória, utilizando para isso todos os meios a seu alcance. O produto Peña Nieto foi a aposta da direita nessas eleições, chegando ao ponto de que mesmo partidários e mandatários do partido governante (PAN, também de direita) tenham apoiado o candidato do PRI, por considerarem o único capaz de assegurar a vitória. Também se utilizaram sistematicamente dos meios de comunicação hegemônicos (Televisa e TV Azteca) para construir uma imagem de mais puro marketing, sem fissuras nas mensagens enviadas à população; e para evitar surpresas como em 2006 (quando tiveram que recorrer a uma grande fraude eleitoral), tomou as medidas oportunas para adulterar o voto de múltiplas maneiras, como não deixou de denunciar a oposição. Em definitivo, esta é a direita que nós estamos nos deparando e aquela que nós vamos encontrar: unida, agressiva, nervosa, antidemocrática e golpista quando a ocasião merecer.

Em segundo lugar, a estratégia da esquerda partidária de plantar uma mensagem centrista, deslegitima-a como alternativa, uma vez que não a permite conquistar o governo. Assim, López Obrador e o PRD, em vez de definir uma verdadeira agenda de transformação para o México, têm dado um giro à direita, organizando-se com esta por meio de compromissos públicos com o empresariado e outros poderes reais, com a intenção de apresentar-se como alternativa responsável e crível, através de propostas ocas de conteúdo político como a revolução amorosa, eixo central da campanha. Se os giros à direita têm sido historicamente erros estratégicos, caminhos de ida mas não de volta, largos trânsitos por terras de ninguém (ou a direita confia ou a esquerda assume a transformação), hoje em dia, com as crises civilizatórias que nos atravessam, esses erros se convertem em afastamento permanente daqueles que estão abaixo e à esquerda.
 
Em terceiro lugar, tem sido a sociedade civil organizada a protagonista da confrontação com a direita, e não o PRD. As lutas indígenas, feministas, de professores e professoras, de campesinos e campesinas, se somaram durante a campanha às reivindicações estudantis, convertendo-se o movimento #YoSoy132 no verdadeiro protagonista da luta, em uma forte campanha contra o regresso do PRI ao governo, conseguindo romper até mesma a ditadura midiática dos meios de comunicação através das redes sociais. O PRD tem tentado patrimonializar este e outros movimentos sociais, mas sem participar com eles ou assumir a diversidade de suas agendas. Avaliam que estes movimentos deveriam ser suas correias de transmissão em sua pretensão presidencial, em vez de entender que é precisamente o contrário, que são os partidos que devem entender as lógicas emancipatórias, a importância de se fazer crescer a contestação cidadã para além do processo eleitoral, e quanto estratégico é se articular com a diversidade, assumindo responsabilidade e compromissos explícitos na defesa de agendas realmente emancipadoras. 
 
Em definitivo, nesta crise sistêmica que estamos vivendo, e ante uma direita que se agita como um gato de barriga pra cima, a análise da realidade mexicana nos ensina que somente a partir da articulação da diversidade, da compreensão e o respeito mútuo entre partidos e movimentos, e com o compromisso com agendas radicais, claras, alternativas, definidas ao longo do tempo, que visam a emancipação (o que não se consegue em curto prazo eleitoral) é que a esquerda poderá reverter esta situação de injustiça e desigualdade global.
 
Texto originalmente publicado pelo Brasil de Fato

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A direita se assanha contra o Mercosul


FONTE: www.cartamaior.com.br


A FIESP decidiu contratar o ex-embaixador Rubens Barbosa como seu pensador político e porta-voz corporativo. O diplomata, conhecido por sua posição francamente neoliberal, vem combatendo com insistência, a política externa brasileira. Mas, pelo que parece, está prestando mau serviço à indústria de São Paulo, que tem, na Venezuela, um excelente mercado comprador.

Em artigo famoso, Assis Chateaubriand qualificou, há 60 anos, os industriais de São Paulo de seu tempo, reunidos na FIESP e no Centro das Indústrias do Estado, como os fazedores de crochê. A FIESP decidiu contratar o ex-embaixador Rubens Barbosa como seu pensador político e porta-voz corporativo ao mesmo tempo. O diplomata, conhecido por sua posição francamente neoliberal, vem combatendo, com irritante insistência, a política externa brasileira, mesmo que o Itamaraty, sob o chanceler Antonio Patriota, tenha deixado de ser o que foi sob o governo Lula.

Barbosa acusou, ontem, sábado, a Argentina de estar destruindo o Mercosul, ao transformá-lo em instrumento político, em detrimento de sua natureza comercial, e criticou a inclusão da Venezuela no bloco. Talvez porque os grandes empresários de São Paulo, desde sempre, se nutrem do Estado, ele não atacou diretamente o governo brasileiro, nestas declarações mais recentes. O ex-embaixador em Londres e Washington – durante o governo Fernando Henrique - está sendo coerente com a sua posição ideológica e seu alinhamento conhecido aos interesses das grandes finanças. Mas, pelo que parece, está prestando mau serviço à indústria de São Paulo, que tem, na Venezuela, um excelente mercado comprador. Só no ano passado, exportamos US$ 4 bilhões e 591 milhões, e importamos US$ 1 bilhão e 270 milhões, e o superávit comercial com aquele país de US$ 3 bilhões e 321 milhões. 

Como está sendo costumeiro, no Brasil – a exemplo dos Estados Unidos – os altos funcionários do Estado se tornam consultores de grandes negócios, tão logo se aposentam. Esse foi o caminho de Rubens Barbosa que, além de chefiar seu escritório de consultoria, tornou-se presidente do Conselho Superior do Comércio Exterior da Fiesp. Mas, como vemos, seu ódio ao governo venezuelano, chefiado por Chávez, levou-o a essas declarações, que contrariam os interesses dos exportadores paulistas.

A manifestação de Rubens Barbosa confirma a orquestração da direita, nacional e internacional, contra a entrada, automática – diante da ausência do Paraguai – no Tratado do MERCOSUL. Ora, daqui a poucos meses serão realizadas eleições presidenciais na Venezuela e, conforme as pesquisas, o presidente Chávez, debilitado pela enfermidade, talvez possa ser derrotado pelo seu oponente, Henrique Capriles. Ora, se isso ocorrer, o novo presidente poderá, se quiser, deixar o Mercosul e alinhar-se totalmente aos Estados Unidos. Não há nada, portanto, para que Rubens Barbosa faça do episódio uma tragédia. 

O novo governo paraguaio ameaça deixar o Mercosul, mas o povo paraguaio não o acompanha, se dermos crédito aos comentários dos leitores dos jornais. O diário Última Hora, de Assunção, em seu lúcido editorial de ontem, recomenda a Federico Franco, e a seu chanceler, moderar a linguagem e buscar bom entendimento com os vizinhos. Com quase unanimidade, seus leitores responsabilizam os golpistas do Parlamento pelas medidas tomadas pelos países vizinhos.

Os oligarcas do Paraguai ameaçam deixar a Unasul e o Mercosul, e isolar-se – e esse é um direito do país -, mas é improvável que o povo os acompanhe. O Paraguai sabe que terá de se entender com os vizinhos, mesmo porque depende dos portos de Buenos Aires e de Paranaguá para o seu comércio internacional.

Os mais extremados sonham com uma aliança descarada com os Estados Unidos e a transformação do país em uma espécie de Israel, a ser armado e financiado pelo dinheiro americano. Outros falam em uma associação do país com a China. É claro que não podemos subestimar os ardis dos norte-americanos, que gostariam de transformar o Paraguai em uma base militar contra a América do Sul.

Mas, como disse, certa vez, o então governador Tancredo Neves a um embaixador norte-americano, o Brasil – apesar dos quislings e vassalos dos estrangeiros - é bem maior do que o Vietnã. 

Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.

Dilma assume presidência do Mercosul e quer eleições no Paraguai


FONTE: www.vermelho.org.br



A presidenta Dilma Rousseff assumiu sexta-feira (29) a presidência pro tempore do Mercosul durante a reunião de cúpula do bloco em Mendoza, na Argentina. Ela convocou os países do Mercosul a um esforço integrado para que o Paraguai tenha eleições “democráticas, livres e justas”, em abril do ano que vem.


Em discurso na Cúpula Extraordinária de Chefes de Estado da Unasul, Dilma lembrou a existência de “compromisso democrático fundamental” na constituição do Mercosul, que prima pelo respeito aos princípios do direito de defesa, rejeita ritos sumários e zela para assegurar a manifestação dos legítimos interesses dos povos.

Ela ressaltou que está consciente dos desafios e oportunidades na liderança do Mercosul. “Devemos nos integrar cada vez mais para enfrentar a crise econômica que atinge os países desenvolvidos”, em especial os da zona do euro, ampliando “o que há de melhor em nosso modelo de crescimento, que é a distribuição de renda, a inclusão social e o crescimento de nossas economias de maneira sustentável”, acrescentou.

De acordo com Dilma, é preciso fazer da integração das economias do Cone Sul “um fator relevante de aprimoramento das condições de vida” dos povos da região, que é uma das áreas menos afetadas pela crise financeira internacional. Destacou, porém, que “a América Latina não é e não será apenas fornecedora de alimentos, de minérios e de energia”.

A presidenta destacou que o comércio de bens básicos é importante em um mundo no qual a segurança alimentar e energética ganha destaque, mas enfatizou a necessidade de mais investimentos em educação, em pesquisa científica e pacotes tecnológicos, de modo a gerar inovações para “ampliar nossos mercados e assegurar nossos conhecimentos”.

O Brasil assume a presidência pro tempore do Mercosul com o compromisso, segundo ela, de dar seguimento a todas as políticas de integração, baseadas no que foi conquistado, e contribuir para mais avanços no âmbito regional. Para tanto, “devemos incluir objetivos estratégicos para integração de nossas cadeias produtivas e assegurar que todos os países tenham capacidade e possam ter ganhos”.

Fonte: Agência Brasil
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