FONTE: www.cartacapital.com.br
Dos 106 países pesquisados na preparação de um “índice de inquietação social” (“social unrest index”, na versão inglesa), em nada menos que 57 deles o desemprego aumentou em 2011, em relação ao ano anterior. A situação é mais angustiante na Europa, mesmo depois de algumas economias conseguirem evitar a “morte súbita” anunciada em 2010. Isso porque, apesar da aparente melhora, o desemprego continuou a crescer em dois terços dos países, desde então.
No competente relato enviado de Genebra para a edição de 1º de maio no jornal Valor, o correspondente Assis Moreira informa que, para a OIT, o desemprego nos países europeus entrou em uma nova fase, tornou-se estrutural e mais difícil de ser reduzido. Aumenta o desalento na medida em que os desempregados há mais tempo entendem que não conseguirão obter novo trabalho nem mesmo com a recuperação das economias. Na Espanha, a situação é de extrema dramaticidade, com um trabalhador em cada quatro sem oportunidade de emprego. E segue crítica no mundo árabe e na África, o que só amplia a perspectiva de atritos mais graves nos movimentos de migração.
O relatório aponta para o contraste entre o que acontece nessas regiões e a diminuição dos riscos de turbulência em países como Brasil e Austrália, que realizam políticas bem-sucedidas de proteção social. O caso brasileiro é especialmente emblemático, onde um trabalhador metalúrgico eleito presidente ensinou, em 2008, aos Ph.Ds. do planeta como enfrentar a crise econômica, criando empregos e reduzindo as desigualdades sociais.
Na visão da OIT, as políticas adotadas nos países ricos não ajudarão a relançar o crescimento nem o emprego no curto prazo. O importante é restaurar o crédito e aumentar os estímulos para o desenvolvimento das pequenas e médias empresas. Fundamental é ter estratégias claras de crescimento e criação de empregos. E que os governos se recusem a deixar o setor financeiro comandar as políticas econômicas.
As conclusões do relatório divulgado pela OIT vieram ao encontro da mensagem da presidenta Dilma -Rousseff, transmitida aos brasileiros também na véspera do Dia do Trabalho, durante o “horário nobre” da tevê, quando exortou o sistema financeiro “a somar esforços com o governo para reduzir os juros, pois a economia brasileira só será plenamente competitiva quando nossas taxas se igualarem às que são praticadas no mercado internacional”.
De todas as manifestações públicas a que assisti desde que assumiu a chefia do governo, esta foi a mais oportuna, contundente e republicana que a presidenta Dilma dirigiu aos brasileiros. Para o nosso benefício, vale a pena reproduzir alguns de seus itens:
1. Nos últimos anos, o nosso sistema bancário tem sido um dos mais sólidos do mundo. Está entre os que mais lucraram. Isso lhes tem dado força e estabilidade, o que é bom para a economia. Isso também permite que deem crédito melhor e mais barato aos brasileiros. É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com um dos juros mais altos do mundo. Esses valores não podem continuar tão altos. O Brasil de hoje não justifica isso.
2. Os bancos não podem continuar cobrando os mesmos juros para empresas e para o consumidor, enquanto a taxa Selic cai, a economia se mantém estável e a maioria esmagadora dos brasileiros honra com presteza e honestidade os seus compromissos. O setor financeiro não tem, portanto, como explicar essa lógica perversa aos brasileiros.
3. A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil escolheram o caminho do bom exemplo e da saudável concorrência de mercado, provando que é possível baixar os juros cobrados de seus clientes em empréstimos, cartões, cheque especial e no crédito consignado. É importante que os bancos privados acompanhem essa iniciativa, para que o Brasil tenha uma economia mais saudável e moderna.
A virtude está -exatamente em respeitar e proteger a -solidez do sistema -financeiro brasileiro, mas não consentir em deixá-lo ditar o tom da -política econômica.
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